A anciã e mestra dos saberes ancestrais Pataxó Maria Coruja, de 87 anos, será a homenageada da 5ª edição do Festival Caju de Leitores, que ocorrerá entre 2 e 4 de setembro de 2026, na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA). A programação terá como tema “Um Manifesto de Bichos” e reunirá atividades relacionadas à literatura, oralidade, memória, território e cultura indígena.
Nascida Maria Bernarda da Conceição, Maria Coruja mantém atuação na comunidade Pataxó e participa de ações voltadas à transmissão de conhecimentos entre gerações. Entre essas atividades está o trabalho com crianças e jovens do grupo Marujinhos Pataxó, por meio do qual ensina cantigas antigas e contribui para a recuperação de brincadeiras tradicionais.
Sua trajetória também está relacionada à preservação da memória e dos saberes tradicionais do povo Pataxó. Durante o festival, a homenageada compartilhará histórias e experiências relacionadas aos encantados, aos animais e à Mãe Terra, em uma atividade vinculada à proposta desta edição do Caju de Leitores.
Memória Pataxó e transmissão de saberes
Maria Coruja é uma das sobreviventes do Fogo de 51, episódio de violência que marcou a história do povo Pataxó e provocou a dispersão de famílias indígenas de seus territórios. Sua trajetória está associada à memória desse período e à continuidade de conhecimentos transmitidos dentro da comunidade.
A mestra também é reconhecida por seus conhecimentos relacionados às medicinas tradicionais. Conforme o relato apresentado pelo festival, Maria Coruja afirma ter aprendido seu ofício com os encantados, seres espirituais associados à proteção das florestas, rios, animais e mares.
Entre as práticas desenvolvidas por ela estão rezas, banhos, benzimentos e atividades como parteira. Esses conhecimentos integram uma tradição de transmissão oral e prática, vinculada à relação entre comunidade, território e natureza.
Música, histórias e participação indígena
A música também faz parte da trajetória de Maria Coruja. Ao lado do marido, ela compôs diversas canções, mantendo participação em manifestações culturais da comunidade Pataxó.
A liderança também participa de atividades do movimento indígena e de encontros realizados em diferentes regiões do Brasil. Nessas ocasiões, contribui para debates relacionados à defesa dos direitos indígenas, à cultura e à preservação da memória dos povos originários.
Como contadora de histórias, Maria Coruja levará ao Festival Caju de Leitores relatos relacionados aos encantados, aos bichos e à Mãe Terra. A participação estabelece uma relação entre os conhecimentos tradicionais da homenageada e o eixo temático adotado pelo festival em 2026.
Festival terá tema relacionado aos animais
A 5ª edição do Festival Caju de Leitores terá como tema “Um Manifesto de Bichos”. A proposta considera os animais como elementos presentes em histórias, memórias e conhecimentos transmitidos entre gerações.
O tema estabelece conexões entre bichos, ancestralidade, território, língua, natureza e modos indígenas de compreender a existência. A programação está voltada à formação de leitores e à ampliação do acesso à literatura indígena.
O evento também pretende promover encontros entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades, utilizando a literatura e a oralidade como instrumentos de circulação de conhecimentos e experiências.
Programação será realizada na Aldeia Xandó
O festival será realizado na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro. As atividades ocorrerão durante três dias, de 2 a 4 de setembro de 2026, com programação gratuita.
Estão previstas rodas de conversa, encontros com autores, contações de histórias, apresentações culturais e atividades educativas, além de ações relacionadas à literatura, oralidade, língua, território e natureza.
A presença de Maria Coruja como homenageada insere a transmissão de saberes ancestrais entre os eixos da programação. A participação também amplia o espaço dedicado às narrativas e conhecimentos produzidos e preservados pela comunidade Pataxó.
Realização e parcerias
O Festival Caju de Leitores é realizado pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural. O evento conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, por meio da Lei Rouanet.
A iniciativa também tem participação da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico, além de parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
A programação de 2026 mantém o foco na formação de leitores e na circulação da literatura indígena, articulando atividades culturais e educativas com temas relacionados à memória, ancestralidade, território e natureza. A homenagem a Maria Coruja integra essa proposta ao destacar a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações do povo Pataxó.








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