O grupo baiano Matita Perê apresenta o show Andarilho neste sábado (29/08/2026), às 17h, durante o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs). A apresentação será realizada na Praça do Cordel Dadinho e Caboquinho, no Centro de Convenções de Feira de Santana, e integra as comemorações pelos 27 anos de trajetória musical do grupo.
Para a apresentação, o Matita Perê será formado pelos integrantes originais Borega, na guitarra, voz e arranjos; Luciano Aguiar, no violão e voz; e Rafael Galeffi, na viola, violoncelo e voz. O formato de trio concentra os elementos instrumentais e vocais do grupo em uma formação reduzida.
O repertório reúne composições autorais e interpretações de clássicos da Música Popular Brasileira (MPB). Entre as características do trabalho está o desenvolvimento de arranjos voltados à exploração harmônica das canções, aspecto presente tanto nas obras próprias quanto nas releituras de compositores brasileiros.
Show reúne repertório autoral e clássicos da MPB
Entre as músicas selecionadas está “Só Louco”, de Dorival Caymmi, cujo arranjo aproximou o grupo de músicos como Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Luiz Cláudio Ramos, Gilson Peranzzetta e Toninho Horta.
Segundo Borega, a formação em trio permite evidenciar elementos dos arranjos que podem receber menor destaque em formações maiores. O músico define o trabalho como um processo de concentração dos elementos musicais em um número reduzido de instrumentos.
O repertório também contempla músicas dos dois álbuns lançados pelo grupo: “Matita” (2001) e “Reino dos Encourados” (2017). Entre elas estão Triângulo, de Luciano Aguiar, e Rosiana, composição de Borega e Luciano Aguiar inspirada na obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.
“Reino dos Encourados” e a relação com Feira de Santana
O segundo álbum do grupo ocupa parte importante da apresentação. Gravado em 2016, Reino dos Encourados aborda ritmos nordestinos e referências à história e à paisagem de Feira de Santana, incluindo Santana dos Olhos d’Água e as lagoas associadas ao deslocamento de tropeiros e boiadas.
Luciano Aguiar destaca que Feira de Santana foi o local de origem do projeto e onde grande parte do trabalho foi desenvolvida. Da produção serão apresentadas Decisão, de Borega e do poeta Roberval Pereyr, além de Passarinho e Licor de Jenipapo, ambas de Luciano Aguiar.
Também integra o repertório a canção “Andarilho”, de Giberval Melo, que dá nome ao espetáculo. A seleção busca reunir diferentes momentos da trajetória do grupo e estabelecer uma conexão entre a produção atual e os trabalhos anteriores.
Novas composições ampliam repertório do grupo
O show também contará com obras mais recentes do Matita Perê, entre elas “Serra da Barriga”, parceria instrumental de Borega e Rafael Galeffi, e “Sabia Sabiá”, de Rafael Galeffi, com letra de Luciano Aguiar.
Galeffi passou a integrar o grupo em 2014. Segundo o maestro, a apresentação incorpora parte desse período mais recente da trajetória do Matita Perê, com músicas relacionadas à formação atual e à história construída pelos integrantes.
A formação em trio também estabelece uma abordagem de caráter camerístico, segundo Borega. A redução do número de instrumentos exige concentração dos elementos de arranjo e modifica a maneira como as composições são executadas ao vivo.
Homenagens a compositores brasileiros
O repertório do Matita Perê inclui ainda interpretações de obras de Dorival Caymmi, Tom Jobim, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Dominguinhos.
De Caymmi, serão apresentadas Pescaria e A Mãe d’Água e a Menina. A obra de Tom Jobim aparece com Eu Sei que Vou Te Amar. De Milton Nascimento, o grupo inclui Cravo e Canela e Travessia.
O repertório também contempla “Asa Branca” e “Pau de Arara”, de Luiz Gonzaga, além de Lamento Sertanejo, associado às obras de Gilberto Gil e Dominguinhos. A seleção combina essas releituras com as composições autorais desenvolvidas ao longo da trajetória do grupo.
O Matita Perê também registra em seu percurso a vitória no XIV Festival Educadora FM, na categoria instrumental, com Baião Bachiado, de Borega. A apresentação na Flifs reúne parte dessa trajetória em um espetáculo estruturado a partir da formação atual do trio.









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