O Museu de Arte da Bahia (MAB) inaugurou, na quarta-feira (12/08/2026), a exposição Flores que Curam, dedicada a Omolu, orixá associado à cura, à saúde e à transformação nas tradições de matriz africana. A abertura contou com representantes de comunidades de terreiro, artistas, pesquisadores e convidados, além da realização de um xirê.
A exposição reúne fotografias e registros relacionados às tradições, aos rituais e à fé dedicados a Omolu, com trabalhos produzidos a partir de experiências e memórias vivenciadas em casas de candomblé. A entrada é gratuita, e a mostra permanece aberta ao público até 12 de setembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.
Com curadoria de Antônio Marcos de Oliveira Passos e coordenação geral de Júnior Aficodé, Flores que Curam apresenta trabalhos dos fotógrafos Robson Maciel, Lucas Obá Izo e Cristian Dessa. Entre os registros estão imagens do Sabejé, ritual público de cura dedicado a Omolu, e da carreata Ritual Omolu: Saúde e Esperança de um Povo junto às Casas de Candomblé.
Exposição apresenta seis perspectivas sobre Omolu e ancestralidade
Organizada em seis módulos, a mostra aborda diferentes aspectos da presença de Omolu e de sua relação com as comunidades de terreiro. Os conteúdos tratam da presença do orixá na diáspora, da Carreata de Omolu como manifestação de união do povo preto, dos saberes relacionados à cura, das narrativas de fé e das formas de cuidado e transformação presentes nas tradições de matriz africana.
Um dos elementos apresentados na exposição é o deburu, conhecido popularmente como pipoca, associado tradicionalmente aos rituais dedicados a Omolu. Na narrativa visual da mostra, o elemento estabelece relações com conceitos de cura, renovação e ancestralidade.
A construção da exposição também conta com a participação de terreiros, entre eles Ilê Axé Obá Afonjá Alafin Oyó, Unzó Mutalecí Raízes da Gomeia, Ilê Axé Oiá Dejí, Casa de Sultão e Ilê Axé Ogunja Tiluaê Orubaia. A presença dessas comunidades integra a proposta de apresentar os conhecimentos e as experiências das casas de candomblé no espaço museológico.
Carreata de Omolu está na origem da exposição
A exposição foi idealizada pela Associação Mesa de Ogans Oficial (AMOO) a partir da trajetória da Carreata de Omolu, realizada desde 2018 com a participação de terreiros de Salvador e da região metropolitana. A iniciativa reúne comunidades das tradições Angola, Ketu e Jeje.
A Carreata surgiu como uma manifestação coletiva relacionada à fé, à ancestralidade e à valorização da cultura negra. O evento é realizado tradicionalmente na terceira semana de agosto e integra o calendário da AMOO e das comunidades participantes.
A celebração reúne Ogans, Tatas, Mametos, Babalorixás, Ialorixás e diferentes famílias de santo, estabelecendo vínculos entre as comunidades e mantendo a tradição de homenagem a Omolu.
MAB amplia diálogo com expressões culturais de matriz africana
Ao receber Flores que Curam, o Museu de Arte da Bahia, administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), incorpora à programação uma exposição construída a partir de registros e experiências de comunidades de terreiro.
A mostra estabelece uma relação entre fotografia, memória, ancestralidade e práticas culturais de matriz africana, apresentando ao público registros de rituais e manifestações vinculadas às tradições do candomblé.
Com entrada gratuita e visitação de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, Flores que Curam permanece em cartaz até 12 de setembro, no Museu de Arte da Bahia.








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