OIT: Desemprego atinge menor nível em 10 anos na América Latina e Caribe, enquanto informalidade recua em 2025

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou, em Genebra, Suíça, o relatório “Tendências do Mercado de Trabalho na América Latina e no Caribe”, que mostra a continuidade da recuperação do mercado de trabalho na região em 2025. O documento registra crescimento do emprego, redução do desemprego para 5,3%, o menor índice da última década, e queda da informalidade, impulsionada principalmente pela expansão dos empregos formais.

Apesar dos avanços, a OIT destaca que persistem diferenças entre os países e desigualdades que afetam principalmente mulheres e jovens, indicando a necessidade de políticas públicas voltadas à formalização do trabalho, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e ampliação da proteção social.

Segundo a organização, os indicadores positivos convivem com desafios estruturais relacionados às transformações demográficas, tecnológicas e econômicas, que exigem adaptações nas estratégias de geração de emprego e inclusão produtiva.

Mercado de trabalho registra crescimento do emprego e queda do desemprego

O relatório informa que a taxa de emprego na América Latina e no Caribe passou de 59,7% em 2024 para 59,9% em 2025, enquanto a taxa de desemprego caiu de 5,8% para 5,3%, alcançando o menor patamar dos últimos dez anos.

Os dados, entretanto, revelam diferenças expressivas entre grupos populacionais. Entre os jovens de 15 a 24 anos, o desemprego alcançou 11,3%, mais que o dobro da taxa observada entre pessoas com 25 anos ou mais, que ficou em 4,1%.

Também permanecem diferenças entre homens e mulheres. A taxa de desemprego foi de 4,4% entre os homens e 6,3% entre as mulheres, refletindo desigualdades ainda presentes no mercado de trabalho regional.

Mulheres e jovens enfrentam maiores dificuldades

De acordo com a OIT, embora as diferenças de gênero na participação no mercado de trabalho estejam diminuindo, as mulheres continuam enfrentando obstáculos para ingressar e permanecer em empregos formais, situação relacionada, entre outros fatores, à distribuição desigual das responsabilidades de cuidado.

O relatório aponta que os jovens seguem registrando índices mais elevados de desemprego e informalidade, além de enfrentarem dificuldades na transição entre a educação e empregos de maior qualidade em um cenário de rápida transformação tecnológica.

Segundo a organização, compreender quem ingressa no mercado de trabalho, quem permanece fora dele e quais oportunidades estão sendo criadas será um fator cada vez mais relevante para a formulação de políticas públicas.

Informalidade atinge menor nível desde 2019

A taxa média de informalidade nos 15 países latino-americanos analisados ficou em 47,4% em 2025, representando uma redução de 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior e o menor índice registrado desde 2019.

Mesmo com essa redução, a OIT ressalta que praticamente uma em cada duas pessoas ocupadas na região ainda trabalha em condições de informalidade, demonstrando que o fenômeno continua sendo um dos principais desafios do mercado de trabalho latino-americano.

No Brasil, a taxa de informalidade ficou em 35,6%, abaixo da média regional. Entre os países analisados, o Uruguai apresentou o menor índice (22,4%), enquanto a Bolívia registrou a maior taxa (82,2%).

Brasil reduz desemprego e acompanha tendência regional

O relatório informa que, no primeiro trimestre de 2025, a taxa de desemprego no Brasil foi de 7%, inferior aos 7,9% registrados no mesmo período de 2024, acompanhando a tendência observada em outros países da região.

Para Gerson Martínez, especialista regional em economia do trabalho da OIT, será cada vez mais importante analisar a composição do mercado de trabalho, identificando quais grupos conseguem acessar novas oportunidades e quais permanecem excluídos.

A organização observa que os primeiros indicadores de 2026 apontam continuidade do crescimento do emprego e redução gradual do desemprego em diversos países, embora o cenário internacional permaneça marcado por incertezas econômicas.

OIT defende políticas integradas para ampliar a formalização

Segundo o relatório, o avanço da formalização exige políticas que vão além da criação de vagas de trabalho. A organização recomenda combinar produtividade, qualificação profissional, proteção social, acesso ao crédito, financiamento, tecnologia e serviços empresariais, de forma adaptada às diferentes realidades econômicas.

A diretora regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Ana Virginia Moreira Gomes, afirma que empresas apresentam necessidades distintas e que as políticas públicas devem considerar essas diferenças para alcançar maior eficácia na redução da informalidade.

O documento conclui que estratégias voltadas apenas à redução de custos de registro ou ao aumento da fiscalização tendem a produzir resultados limitados. Para a organização, políticas integradas podem favorecer simultaneamente o crescimento da produtividade, a ampliação da formalização e a geração de empregos de maior qualidade na região.

*Com informações da ONU News.


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