A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global sobre os impactos dos incêndios florestais na saúde pública, destacando que a fumaça gerada pelas queimadas ultrapassa fronteiras e compromete a qualidade do ar em regiões distantes dos focos de incêndio. O comunicado foi divulgado em Nova Iorque em um contexto de altas temperaturas registradas em Portugal e em diversas regiões do mundo, reforçando a necessidade de monitoramento permanente da qualidade do ar e da adoção de medidas preventivas.
Segundo a OMS, os riscos dos incêndios florestais vão além da destruição causada pelas chamas. A fumaça transporta partículas finas e substâncias tóxicas capazes de afetar comunidades situadas a centenas de quilômetros dos incêndios, provocando consequências respiratórias, cardiovasculares e psicológicas.
A agência das Nações Unidas ressalta que o agravamento das mudanças climáticas e as transformações no uso do solo aumentam a frequência e a intensidade dos incêndios, ampliando os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde e pelas autoridades responsáveis pela resposta a emergências.
Fumaça tóxica amplia riscos para a saúde pública
A OMS afirma que a fumaça dos incêndios florestais representa uma ameaça crescente para a população, mesmo quando as chamas estão distantes. As partículas presentes no ar degradam a qualidade atmosférica e podem desencadear doenças respiratórias e cardiovasculares, além de afetar o bem-estar psicológico.
O alerta enfatiza que Portugal está entre os países que enfrentam desafios relacionados à atual temporada de incêndios, cenário que também atinge diversas outras regiões vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.
Em resposta, a OMS Europa atua em cooperação com governos nacionais para avaliar riscos, fortalecer planos de emergência e ampliar a capacidade de resposta dos hospitais e centros de saúde, especialmente durante períodos de calor intenso e elevada concentração de fumaça.
Pessoas com doenças pré-existentes estão entre os grupos mais vulneráveis
De acordo com a agência, a exposição prolongada ao ar contaminado agrava quadros de asma, doenças pulmonares crônicas e enfermidades cardiovasculares, aumentando a procura por atendimentos de urgência e hospitalizações.
A OMS destaca que bebês, crianças, gestantes e idosos integram os grupos com maior vulnerabilidade aos efeitos da fumaça dos incêndios.
Também estão entre os mais expostos bombeiros, equipes de resposta a emergências, agricultores, operários e outros profissionais que trabalham ao ar livre, devido ao contato direto com elevados níveis de poluentes atmosféricos.
Mudanças climáticas e ação humana contribuem para o avanço dos incêndios
As Nações Unidas destacam que grande parte dos incêndios florestais tem origem em ações humanas, como descarte inadequado de bitucas de cigarro, uso incorreto de churrasqueiras, abandono de garrafas de vidro em áreas de vegetação e incêndios provocados intencionalmente.
Ao mesmo tempo, o aquecimento global cria condições mais favoráveis para a propagação do fogo, com temperaturas elevadas, vegetação mais seca e períodos prolongados de estiagem.
Segundo a OMS, as mudanças climáticas e as alterações na gestão do solo contribuem para que os incêndios ocorram com maior intensidade e rapidez, aumentando os impactos ambientais, econômicos e sanitários.
OMS recomenda monitoramento da qualidade do ar e redução de deslocamentos
Entre as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde está o acompanhamento permanente dos alertas locais sobre qualidade do ar e o cumprimento imediato de eventuais ordens de evacuação emitidas pelas autoridades competentes.
Nos períodos de maior concentração de fumaça, a orientação é permanecer em ambientes fechados, mantendo portas e janelas fechadas para reduzir a entrada de partículas contaminantes.
Quando for indispensável sair de casa, a OMS recomenda o uso de máscaras de proteção respiratória do tipo FFP2 ou N95, por oferecerem capacidade adequada de filtragem das partículas finas presentes na fumaça. Máscaras de tecido ou modelos comunitários não oferecem o mesmo nível de proteção.
Atividades ao ar livre devem ser evitadas durante episódios de fumaça intensa
A agência também orienta a redução de deslocamentos não essenciais e a suspensão temporária da prática de atividades físicas ao ar livre enquanto os níveis de poluição atmosférica permanecerem elevados.
Segundo a OMS, a fumaça dos incêndios não respeita fronteiras nacionais, podendo alcançar localidades distantes dos focos de queimadas e afetar populações que não convivem diretamente com as chamas.
O organismo internacional reforça que o monitoramento contínuo das condições meteorológicas e da qualidade do ar constitui uma medida essencial para reduzir riscos à saúde, especialmente em cenários de aumento da frequência dos incêndios florestais.
*Com informações da ONU News.








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