A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU) informou, nesta quinta-feira (13/08/2026), que julho foi o mês com maior número de mortes de civis na Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Segundo o levantamento, ao menos 437 civis morreram e 2.610 ficaram feridos no país durante o mês.
O número de vítimas representou aumento de 30% em relação a junho de 2026, que até então havia sido identificado pela missão como o mês mais letal para a população civil. A ONU atribuiu parte significativa das mortes e ferimentos ao uso crescente de mísseis e drones em áreas urbanas e de bombas em localidades próximas às linhas de frente.
Desde o início de 2026, a HRMMU contabilizou 12.477 vítimas civis, sendo 1.839 mortes e 10.638 feridos. O total é superior ao registrado durante todo o ano de 2024, segundo os dados apresentados pela missão.
Kiev concentra dezenas de mortes em julho
A capital ucraniana registrou 54 mortes e 202 feridos em julho, em meio a uma série de ataques russos com mísseis balísticos e de cruzeiro. A cidade foi alvo de ofensivas repetidas durante o período analisado pela ONU.
Segundo a HRMMU, drones e mísseis de longo alcance responderam por 38% das vítimas civis registradas em julho. A missão também destacou o uso de drones de curto alcance e bombas em áreas próximas à linha de frente como fatores de risco para a população.
A chefe da HRMMU, Danielle Bell, afirmou que os civis estão expostos a riscos crescentes devido à intensificação do uso de mísseis e drones nos centros urbanos e às operações militares próximas às áreas de combate.
Número de vítimas também aumenta na Rússia
A HRMMU registrou ainda aumento das vítimas civis na Rússia durante julho, com 79 mortes e 601 feridos, segundo números divulgados pelas autoridades russas.
A missão da ONU ressalvou, entretanto, que não conseguiu verificar esses dados de forma independente, devido às limitações de acesso às informações no território russo.
Desde 24 de fevereiro de 2022, a HRMMU contabiliza pelo menos 16.874 civis mortos na Ucrânia, incluindo 820 crianças, e 51.273 feridos. A própria organização ressalta que os números podem estar subestimados, especialmente em razão da impossibilidade de acesso a áreas ocupadas pela Rússia.
Zelensky pede mais interceptores Patriot aos Estados Unidos
Diante do aumento dos ataques, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu aos Estados Unidos a venda de mais mísseis interceptores para os sistemas de defesa aérea Patriot.
Em entrevista à CNN, Zelensky afirmou que a Ucrânia pretende obter dos Estados Unidos pelo menos 5% dos interceptores Patriot disponíveis nos estoques norte-americanos. Segundo ele, o país atualmente recebe uma parcela correspondente a cerca de 1%.
O presidente ucraniano argumentou que o reforço permitiria ampliar a capacidade de interceptação de mísseis balísticos russos. Zelensky também afirmou que uma disponibilidade de 10% dos interceptores norte-americanos permitiria à Ucrânia aumentar a capacidade de neutralização desses ataques.
Escassez de interceptores é relacionada ao conflito no Oriente Médio
A Ucrânia afirma enfrentar redução nos estoques de interceptores Patriot em razão da demanda provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Os sistemas Patriot estão entre os equipamentos capazes de interceptar mísseis balísticos em alta velocidade. A disponibilidade limitada desses armamentos tornou-se uma questão central para a defesa aérea ucraniana diante do aumento das ofensivas russas.
Na quarta-feira (12/08/2026), a Força Aérea Ucraniana informou que deixaria de divulgar dados sobre o número de mísseis balísticos russos lançados, abatidos ou neutralizados. Segundo o comunicado, os alertas e informações gerais sobre ataques desse tipo continuariam sendo divulgados.
Rússia lançou mais de 450 mísseis em julho, diz Ucrânia
As Forças Armadas ucranianas estimaram que a Rússia tenha lançado mais de 450 mísseis de diferentes tipos contra o território ucraniano em julho, incluindo aproximadamente 200 mísseis balísticos.
O dado é citado no contexto da intensificação dos ataques russos e da pressão exercida por Kiev para obter novos recursos de defesa aérea.
A evolução da guerra ocorre quatro anos e meio após o início da invasão russa em larga escala. Paralelamente às operações militares, a população civil continua sendo afetada por ataques em centros urbanos e áreas próximas à linha de frente.
Cisjordânia registra tensão entre colonos israelenses e famílias palestinas
No Oriente Médio, a situação também envolve episódios de violência e destruição de moradias. Na Cisjordânia ocupada, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou como “terrorismo” a ação de colonos israelenses que cercaram casas palestinas na localidade de Qusra, próxima a Nablus.
Segundo relatos apresentados na reportagem, algumas dezenas de colonos bloquearam o acesso a residências palestinas desde domingo. Moradores afirmaram estar sem acesso regular a alimentos e outros serviços essenciais. Duas famílias permaneciam cercadas havia quatro dias.
Huckabee afirmou que a embaixada norte-americana acompanhava a situação e que havia solicitado a atuação das Forças de Defesa de Israel e da Polícia israelense para retirar os responsáveis pelo cerco. O episódio recebeu atenção também pelo fato de uma das residências pertencer a um palestino com cidadania norte-americana.
Exército israelense afirma atuar para dispersar colonos
A atuação das forças israelenses em Qusra também foi objeto de questionamentos. Um oficial de alta patente visitou a localidade na quarta-feira (12/08/2026) e classificou a situação como “inaceitável”, segundo informações citadas na reportagem.
A estrutura montada pelos colonos foi retirada, mas os moradores palestinos continuaram relatando a permanência de pessoas na região. O Exército israelense informou ter reforçado sua presença na Cisjordânia com um batalhão adicional para restabelecer a ordem.
Organizações de direitos humanos israelenses, entretanto, afirmam que o episódio faz parte de um padrão mais amplo de violência contra comunidades palestinas. Essas avaliações são contestadas e devem ser consideradas no contexto das posições divergentes sobre a ocupação e a segurança na região.
Líbano denuncia destruição de casas no sul do país
No sul do Líbano, o primeiro-ministro Nawaf Salam condenou o que classificou como destruição sistemática de casas, infraestrutura, prédios governamentais e locais religiosos em áreas sob controle militar israelense.
Israel estabeleceu no sul libanês uma zona de segurança com cerca de 10 quilômetros de extensão ao longo da fronteira. O governo israelense afirma que a presença militar busca proteger comunidades do norte do país contra ataques do Hezbollah, movimento apoiado pelo Irã.
Salam afirmou que incursões e demolições não poderiam ser utilizadas como justificativa para destruir localidades, deslocar moradores e impedir o retorno da população. O governo libanês classificou as ações como incompatíveis com princípios do direito internacional.
Israel afirma que destruirá estruturas militares
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, visitou o sul do Líbano na quarta-feira (12/08/2026) e afirmou que as tropas permanecerão nas chamadas zonas de segurança.
Segundo Katz, o Exército israelense atua para proteger comunidades do norte de Israel e suas próprias forças e continuará destruindo instalações subterrâneas e estruturas que considera ligadas a grupos armados.
Um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que Washington espera que todas as partes cumpram o acordo firmado entre Israel e Líbano. O funcionário também declarou que uma presença militar permanente israelense no sul libanês seria incompatível com os compromissos assumidos no acordo.
Acordo entre Israel e Líbano prevê retirada e desarmamento
Israel e Líbano permanecem tecnicamente em estado de guerra, mas assinaram, no fim de junho, um acordo que prevê o deslocamento do Exército libanês para o sul e a retirada das forças israelenses de determinadas áreas, condicionada ao desarmamento do Hezbollah.
O grupo rejeita o acordo e não aceita entregar suas armas. Apesar do cessar-fogo em vigor desde junho, Israel continua realizando ataques pontuais em território libanês.
A agência oficial libanesa informou que tropas israelenses provocaram explosões em localidades do sul, incluindo Zawtar el-Charqiyé, situada próxima a uma das áreas definidas como zona-piloto para a implementação do acordo.
Negociações entre Israel e Líbano devem continuar
O general norte-americano Joseph Clearfield, responsável pelo grupo de coordenação que acompanha a implementação do acordo de junho, esteve no Líbano e se reuniu com autoridades militares e políticas.
Entre os encontros, esteve uma reunião com o comandante do Exército libanês, Rodolphe Haykal, para discutir questões de segurança relacionadas ao acordo e as condições enfrentadas pelas forças libanesas.
Clearfield também se reuniu com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, para tratar da aplicação do acordo-quadro. Israel e Líbano deverão iniciar, em setembro, um novo ciclo de negociações mediado pelos Estados Unidos, com reuniões previstas em Roma.
Conflitos ampliam pressão sobre populações civis
Os dados apresentados pela ONU sobre a Ucrânia mostram aumento das mortes e ferimentos entre civis em meio à intensificação dos ataques com mísseis e drones. O cenário também envolve uma disputa por sistemas de defesa aérea capazes de interceptar mísseis balísticos.
Na Cisjordânia, episódios envolvendo colonos israelenses e famílias palestinas continuam gerando acusações e cobranças sobre a atuação das forças de segurança. No sul do Líbano, a permanência de tropas israelenses e a destruição de estruturas mantêm a tensão apesar do cessar-fogo.
Os diferentes conflitos permanecem acompanhados por organizações internacionais e governos envolvidos nas negociações. Na Ucrânia, a ONU registra as vítimas civis e alerta para a dificuldade de obter dados completos em áreas ocupadas. No Oriente Médio, as negociações entre Israel e Líbano deverão prosseguir sob mediação norte-americana.
*Com informações da RFI.








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