Setor de serviços empregou 15,9 milhões de pessoas e pagou média de 2,2 salários mínimos em 2024

O setor de serviços não financeiros empregou 15,9 milhões de pessoas em 2024, com remuneração média equivalente a 2,2 salários mínimos mensais, segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27/08/2026). No período, 1,9 milhão de empresas estavam ativas no segmento.

As empresas pesquisadas pagaram, juntas, R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações, incluindo valores relacionados a férias e comissões. A receita operacional líquida do setor chegou a R$ 3,5 trilhões, enquanto o valor adicionado à economia alcançou R$ 2,1 trilhões.

O levantamento considera atividades como educação, escritórios de advocacia, imobiliárias, restaurantes, salões de beleza, tecnologia da informação, telecomunicações, transportes, turismo e vigilância. Instituições bancárias não fazem parte do universo pesquisado.

Alimentação lidera número de trabalhadores

Entre as atividades analisadas, serviços de alimentação — que incluem restaurantes, bares e bufês — concentraram a maior parcela dos trabalhadores, com 11,7% da mão de obra, equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de pessoas.

Na segunda posição aparecem os serviços técnico-profissionais, com 11,2% dos postos de trabalho, ou cerca de 1,8 milhão de pessoas. O grupo inclui empresas de consultoria em informática, auditoria, contabilidade e escritórios jurídicos, entre outras atividades.

Na sequência estão serviços de escritório e apoio administrativo (8,3%), transporte rodoviário de cargas (8,1%) e serviços para edifícios e atividades paisagísticas (7,9%). Os dados indicam a concentração de mão de obra em diferentes segmentos da prestação de serviços.

As dez atividades que mais empregaram em 2024

  • Atividades de alimentação: 11,7%;
  • Serviços técnico-profissionais: 11,2%;
  • Serviços de escritório e apoio administrativo: 8,3%;
  • Transporte rodoviário de cargas: 8,1%;
  • Serviços para edifícios e atividades paisagísticas: 7,9%;
  • Seleção, agenciamento e locação de mão de obra: 6,3%;
  • Tecnologia da informação: 5,6%;
  • Vigilância, segurança e investigação: 4,4%;
  • Transporte rodoviário de passageiros: 3,7%;
  • Armazenamento e atividades auxiliares aos transportes: 3,4%.

Empresas têm média de oito trabalhadores

As empresas de serviços não financeiros tinham, em média, oito funcionários em 2024. O porte médio, porém, variava significativamente entre as atividades pesquisadas.

Os maiores contingentes médios de trabalhadores estavam em empresas de transporte ferroviário e metroviário, com 890 pessoas, transporte dutoviário, com 467, e transporte aéreo, com 234 trabalhadores.

A Pesquisa Anual de Serviços teve mudanças na metodologia e na forma de obtenção dos dados. Por esse motivo, o IBGE interrompeu a série histórica anterior, e os resultados de 2024 não podem ser comparados diretamente com as edições anteriores.

Transporte dutoviário registra maior remuneração

O salário médio mensal do setor de serviços foi equivalente a 2,2 salários mínimos em 2024. Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 1.412.

O maior rendimento médio entre as atividades foi registrado no transporte dutoviário, com 21,1 salários mínimos. O valor corresponde a mais de três vezes a média do segundo segmento no ranking, o transporte aquaviário, que registrou 6,9 salários mínimos.

O transporte dutoviário empregava 6,5 mil pessoas em 2024. Segundo o analista da pesquisa, Marcelo Miranda, a remuneração pode estar relacionada à exigência de qualificação técnica e aos riscos associados à atividade.

Tecnologia da informação aparece entre as maiores remunerações

A lista das atividades com maiores remunerações também inclui transporte aéreo, transporte ferroviário e metroferroviário e tecnologia da informação.

O setor de tecnologia da informação registrou média de 5,2 salários mínimos, enquanto as atividades auxiliares dos serviços financeiros, seguros e previdência complementar chegaram a 4,6 salários mínimos.

Na sequência aparecem atividades cinematográficas, produção de vídeos e programas de televisão, com 3,8 salários mínimos; edição e edição integrada à impressão e correio e outras atividades de entrega, ambos com 3,2; e telecomunicações, com 3,1 salários mínimos.

Dez atividades com maiores remunerações médias

  1. Transporte dutoviário: 21,1 salários mínimos;
  2. Transporte aquaviário: 6,9;
  3. Transporte aéreo: 6,6;
  4. Transporte ferroviário e metroferroviário: 5,5;
  5. Serviços de tecnologia da informação: 5,2;
  6. Atividades auxiliares dos serviços financeiros, seguros e previdência complementar: 4,6;
  7. Atividades cinematográficas, produção de vídeos e programas de televisão: 3,8;
  8. Edição e edição integrada à impressão: 3,2;
  9. Correio e outras atividades de entrega: 3,2;
  10. Telecomunicações: 3,1.

Alimentação emprega mais, mas remunera abaixo da média

A atividade com maior participação no emprego, serviços de alimentação, apresentou remuneração média de 1,4 salário mínimo em 2024. Já os serviços técnico-profissionais, que ocupavam a segunda posição em número de trabalhadores, registraram média de 2,56 salários mínimos.

Os números mostram diferenças entre as atividades do setor tanto na capacidade de geração de postos de trabalho quanto na remuneração média dos trabalhadores.

O levantamento também aponta que o setor possui peso relevante na geração de renda e na formação do Produto Interno Bruto. As empresas pesquisadas adicionaram R$ 2,1 trilhões à economia brasileira em 2024, diante de um PIB de aproximadamente R$ 11,7 trilhões naquele ano.

Serviços movimentaram R$ 3,5 trilhões em receita

Além da geração de empregos e renda, as empresas de serviços não financeiros registraram R$ 3,5 trilhões em receita operacional líquida em 2024. O resultado posiciona o segmento entre os principais componentes da atividade econômica brasileira.

Para Marcelo Miranda, os dados evidenciam a participação dos serviços na geração de valor e renda no país. O pesquisador destaca tanto o número de trabalhadores envolvidos quanto os recursos destinados às remunerações.

A edição de 2024 da Pesquisa Anual de Serviços inaugura uma nova série estatística, em razão das alterações metodológicas adotadas pelo IBGE. Dessa forma, os resultados devem ser interpretados como referência inicial para a nova metodologia, sem comparação direta com as séries anteriores.

*Com informações da Agência Brasil.


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