Vereador cobra explicações da APLB sobre pagamentos a consultoria citada em operação do MP-BA

O vereador José Carneiro (União) cobrou, durante a sessão da Câmara Municipal de Feira de Santana realizada na quarta-feira (12/08/2026), explicações da APLB Sindicato sobre pagamentos feitos a uma consultoria jurídica que, segundo o parlamentar, teria sido citada em uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Carneiro defendeu que a entidade apresente aos filiados informações sobre a finalidade e a destinação dos recursos repassados à empresa.

Segundo o vereador, a consultoria teria recebido da APLB aproximadamente R$ 2,9 milhões. Ele afirmou ainda que um dos escritórios mencionados na investigação teria entre seus integrantes um advogado que se apresenta nas redes sociais como diretor da entidade sindical. As afirmações foram feitas pelo parlamentar durante discurso na Câmara e devem ser tratadas como questionamentos apresentados por ele, sem antecipação de conclusões sobre responsabilidades.

O pronunciamento ocorreu após críticas feitas pela APLB ao Governo Municipal durante o uso da Tribuna Livre da Câmara. José Carneiro, líder da Bancada de Governo, afirmou que a entidade deveria explicar os pagamentos e também rebateu críticas relacionadas à atuação da administração municipal na área da educação.

Debate envolve recursos e atuação da gestão municipal

Durante o discurso, Carneiro afirmou que a APLB não teria reconhecido, em suas manifestações públicas, melhorias atribuídas por ele às administrações de Colbert Filho e José Ronaldo. O vereador também mencionou o desempenho de Feira de Santana no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, afirmando que o município apresentou o maior índice de crescimento entre as cidades citadas em seu pronunciamento.

As declarações ocorreram no contexto de uma disputa de posições entre o governo municipal e a entidade sindical sobre as condições da educação pública municipal. De um lado, o vereador questionou a utilização de recursos pela entidade e defendeu ações realizadas pela administração. De outro, representantes da APLB apresentaram reivindicações relacionadas a acordos firmados com o Município e às condições de trabalho dos profissionais da educação.

A discussão sobre os pagamentos à consultoria não encerra, por si só, qualquer conclusão sobre irregularidades. As acusações mencionadas por José Carneiro estão relacionadas a uma investigação do MP-BA, enquanto eventual responsabilização dependeria da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

APLB cobra cumprimento de acordo firmado em 2025

Também na quarta-feira (12/08/2026), a presidente da APLB Sindicato, Marlede Oliveira, utilizou a Tribuna Livre da Câmara para apresentar demandas dos trabalhadores da educação. Ela criticou a situação de um acordo firmado em agosto de 2025 envolvendo o Governo Municipal, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a Procuradoria Municipal e a entidade sindical.

Segundo Marlede, o acordo estabelecia medidas que deveriam ter sido cumpridas até novembro de 2025. A dirigente afirmou que os trabalhadores cumpriram as obrigações assumidas e que, apesar da realização de pelo menos quatro audiências, parte das questões continuaria pendente. Ela informou ainda que outra reunião estava prevista para as 16h do dia 12 de agosto.

A presidente da entidade relacionou a situação à paralisação dos servidores da educação prevista para 12 de agosto. De acordo com ela, a decisão foi tomada em assembleia geral diante da avaliação de que os pontos acordados ainda não haviam sido efetivados.

Sindicato aponta falta de profissionais e questões salariais

Entre as reivindicações apresentadas pela APLB estão a falta de professores e cuidadores nas escolas, reclamações relacionadas à alimentação escolar e o cumprimento da Tabela Salarial dos Profissionais do Magistério. Marlede Oliveira também solicitou que a Comissão de Educação da Câmara realize visitas às unidades de ensino para verificar as condições apontadas pela categoria.

A dirigente afirmou que o Município deverá receber, em 2026, uma média de R$ 590 milhões em recursos do Fundeb. Segundo ela, apesar desse volume de recursos, os salários pagos aos profissionais da educação em Feira de Santana seriam inferiores aos de municípios como Irará, Santo Estêvão, Santa Bárbara e Coração de Maria.

Marlede também citou um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), segundo o qual as perdas salariais dos profissionais com mestrado e doutorado em Feira de Santana ultrapassariam 90%. A afirmação foi apresentada pela dirigente durante o pronunciamento e integra as reivindicações da entidade.

Acordo, negociação e fiscalização entram no debate

Ao defender a atuação sindical, Marlede Oliveira afirmou que os problemas da educação devem ser tratados por meio de negociação e cumprimento dos acordos estabelecidos. Ela também destacou que a APLB possui 74 anos de existência e que sua atuação inclui a defesa da educação pública e gratuita e da valorização dos profissionais do setor.

A solicitação para que a Comissão de Educação da Câmara visite as escolas acrescenta uma frente de acompanhamento parlamentar às reivindicações apresentadas pela entidade. A medida poderá permitir a verificação presencial das condições relatadas pela APLB, caso seja adotada pelo colegiado.

A sessão de 12 de agosto de 2026 reuniu, portanto, dois eixos de debate relacionados à educação municipal: os questionamentos de José Carneiro sobre pagamentos realizados pela APLB a uma consultoria jurídica e as reivindicações apresentadas pelo sindicato sobre o cumprimento de acordos, condições das escolas e valorização salarial. Os temas permanecem vinculados a posicionamentos distintos apresentados durante a sessão da Câmara.


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