A Seleção Brasileira Feminina, sob o comando de Arthur Elias, completa três anos de trabalho desde o anúncio do treinador, em 01/09/2023, com 48 partidas disputadas, 31 vitórias, cinco empates e 12 derrotas. No período, a equipe marcou 109 gols, sofreu 49 e chegou a quatro finais, conquistando dois títulos.
O ciclo também foi marcado pela ampliação do número de atletas utilizadas. Desde setembro de 2023, Arthur Elias realizou 21 convocações, reunindo 99 jogadoras, com média de idade de 26 anos. As atletas vieram de 41 clubes, 31 cidades e nove países, em uma estratégia de diversificação do elenco.
No mesmo intervalo, a Seleção enfrentou 25 adversários de diferentes continentes e estilos de jogo. Entre os principais resultados estão a primeira vitória brasileira sobre a França, em Jogos Olímpicos, o triunfo inédito sobre a Austrália em território australiano e duas vitórias consecutivas diante dos Estados Unidos, incluindo a primeira em solo norte-americano.
Desempenho ofensivo cresce ao longo do ciclo
A produção ofensiva da Seleção apresentou crescimento durante o período. Em 2023, a equipe registrou média de 1,8 gol por partida. O índice passou para 2,05 em 2024, 2,06 em 2025 e chegou a 2,5 gols por jogo em 2026. A média geral do ciclo é de 2,27 gols por partida.
A defesa também teve seu melhor desempenho estatístico em 2024. Naquele ano, o Brasil sofreu média de 0,75 gol por jogo, abaixo da média geral de 1,02 gol sofrido por partida no período analisado.
Arthur Elias atribui parte da evolução à adoção de um modelo de jogo com características mais ofensivas e marcação individual. O treinador também afirma que a ampliação das opções de atletas foi uma das premissas do trabalho desenvolvido desde sua chegada.
2024 reúne Copa Ouro e medalha olímpica
O primeiro grande compromisso de Arthur Elias foi a Copa Ouro da CONCACAF, disputada entre fevereiro e março de 2024. O torneio reuniu 12 seleções, e o Brasil avançou até a decisão depois de vencer Porto Rico, Colômbia, Panamá, Argentina e México.
Na final, a Seleção foi derrotada pelos Estados Unidos por 1 a 0. Cinco meses depois, o Brasil disputou os Jogos Olímpicos de Paris e avançou ao mata-mata após terminar a fase de grupos na terceira posição.
Nas quartas de final, a equipe venceu a França pela primeira vez. Antes daquele confronto, Brasil e França haviam se enfrentado 12 vezes, com sete vitórias francesas e cinco empates. Na semifinal, o Brasil derrotou a Espanha por 4 a 2, então campeã mundial, e chegou à decisão olímpica.
Brasil conquista prata em Paris e supera Austrália
Na final dos Jogos Olímpicos de Paris, os Estados Unidos venceram o Brasil por 1 a 0. A medalha de prata encerrou um intervalo de 16 anos sem pódio olímpico para a Seleção Feminina e igualou as melhores campanhas brasileiras no torneio, registradas em 2004 e 2008, também com medalhas de prata.
Ainda em 2024, o Brasil obteve uma vitória inédita sobre a Austrália em território australiano. Até então, o retrospecto incluía seis partidas, com cinco derrotas brasileiras e um empate.
Nos amistosos realizados em novembro e dezembro daquele ano, a Seleção venceu as australianas por 3 a 1 e 2 a 1. Os resultados contribuíram para o desempenho defensivo registrado em 2024, que teve a menor média de gols sofridos do ciclo.
Rivalidade com Estados Unidos muda de cenário
Na primeira Data FIFA de 2025, o Brasil encerrou um jejum de mais de dez anos sem vencer os Estados Unidos ao superar as norte-americanas por 2 a 1. O resultado também representou a primeira vitória brasileira sobre a equipe dos Estados Unidos em território norte-americano, após 12 derrotas em 12 jogos naquele cenário.
Em junho de 2025, a Seleção voltou a derrotar os Estados Unidos, novamente por 2 a 1 e de virada, desta vez em partida realizada no Brasil. As duas vitórias consecutivas acrescentaram um novo capítulo ao histórico de confrontos entre as equipes.
Ainda em 2025, o Brasil conquistou a Copa América Feminina, com campanha invicta e média de 3,5 gols por partida. O torneio reuniu dez seleções e marcou o primeiro título continental da equipe na era Arthur Elias.
FIFA Series amplia lista de títulos
O segundo título do ciclo veio no FIFA Series, realizado em abril de 2026, em Cuiabá (MT). A competição reuniu quatro seleções, e o Brasil terminou novamente com campanha invicta.
Com as conquistas da Copa América de 2025 e do FIFA Series de 2026, Arthur Elias soma dois títulos à frente da Seleção Feminina. Ao mesmo tempo, a equipe disputou quatro finais desde a chegada do treinador.
A trajetória inclui, portanto, dois vice-campeonatos em finais — Copa Ouro de 2024 e Jogos Olímpicos de Paris 2024 — e dois títulos — Copa América de 2025 e FIFA Series de 2026.
Japão e Estados Unidos são os adversários mais enfrentados
Ao longo do ciclo, a Seleção Feminina enfrentou 25 seleções. Japão e Estados Unidos foram os adversários mais frequentes, com seis partidas cada. A Colômbia aparece na sequência, com cinco confrontos e retrospecto brasileiro de duas vitórias e três empates.
O Brasil disputou ainda quatro partidas contra o Canadá. Austrália, Espanha, França, Jamaica, México e Venezuela foram enfrentadas duas vezes cada.
Outros 15 adversários apareceram uma vez no período: Argentina, Bolívia, Costa Rica, Inglaterra, Itália, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Portugal, República da Coreia, Uruguai e Zâmbia.
99 jogadoras participaram do ciclo
A estratégia de Arthur Elias também envolve a utilização de atletas de diferentes gerações, clubes e ligas. Ao todo, 99 jogadoras participaram do ciclo desde setembro de 2023, com média de idade de 26 anos.
As convocadas atuam majoritariamente no Brasil, que concentra 50,8% das atletas. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 23,2%, seguidos por Espanha, com 12,5%.
México representa 4,5%; França, 3,5%; Inglaterra, 2,7%; Portugal, 1,4%; Arábia Saudita, 1,2%; e Alemanha, 0,4%. A distribuição mostra a presença de atletas vinculadas a clubes brasileiros e estrangeiros.
Arthur Elias projeta preparação para a Copa
Para o treinador, a variedade de atletas amplia as possibilidades de composição da Seleção, embora também aumente a necessidade de definição de um grupo mais recorrente. Arthur Elias afirmou que o trabalho acumulou um amplo leque de jogadoras em razão do desempenho apresentado nos respectivos clubes.
“Nós temos muitas opções e isso é bom, mas não é fácil”, declarou o treinador.
Segundo ele, a próxima etapa deverá envolver maior continuidade com um grupo de atletas mais repetido.
Arthur Elias também afirmou ter como objetivo chegar preparado para a Copa do Mundo do próximo ano.
“Tenho orgulho de conduzir nossa seleção e a certeza que já marcamos uma fase importante”, afirmou, ao resumir o período iniciado em setembro de 2023.
Com 48 jogos, 109 gols marcados, dois títulos, quatro finais, 25 adversários e 99 atletas utilizadas, o ciclo chega ao terceiro ano com indicadores de crescimento ofensivo, diversificação do elenco e resultados inéditos contra adversários tradicionais. A preparação para a próxima Copa do Mundo passa agora pela consolidação do grupo e pela manutenção do desempenho apresentado em 2025 e 2026.








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