A Bahia registrou 9.806 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes em 2025, segundo levantamento da Aldeias Infantis SOS com base em dados do Ministério da Saúde. O volume corresponde a uma média de aproximadamente 27 internações por dia considerando todas as categorias analisadas. Entre os acidentes, as quedas foram a principal causa, com 5.456 hospitalizações, equivalentes a 55,6% do total estadual.
No Brasil, foram contabilizadas 128.466 hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos em 2025. As quedas responderam por 55.814 registros, ou 43,4% do total nacional. A Bahia concentrou 7,6% das hospitalizações brasileiras consideradas no levantamento.
O estudo também identificou diferenças entre os tipos de acidentes registrados no estado. Além das quedas, foram analisados casos relacionados a queimaduras, acidentes de trânsito, intoxicações, sufocações, afogamentos e acidentes envolvendo armas de fogo.
Quedas respondem por mais da metade das internações na Bahia
As 5.456 hospitalizações por quedas registradas na Bahia representam mais da metade das internações estaduais incluídas na pesquisa. Em termos médios, o número corresponde a cerca de 15 internações por dia por essa causa.
No cenário nacional, as quedas também ocuparam a primeira posição entre os acidentes pesquisados, com 55.814 hospitalizações. A participação proporcional da Bahia, contudo, foi maior que a média brasileira, já que as quedas representaram 55,6% dos registros estaduais, contra 43,4% no conjunto do país.
Para José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS, os dados indicam a necessidade de ações permanentes de prevenção. Segundo ele, quedas podem ocorrer em diferentes ambientes e situações cotidianas, exigindo informação, supervisão e medidas de segurança.
Bahia concentra 32,9% dos casos nacionais com armas de fogo
Outro dado destacado pelo levantamento envolve acidentes com armas de fogo. Em 2025, a Bahia registrou 23 hospitalizações de crianças e adolescentes de até 14 anos por esse tipo de ocorrência, diante de 70 casos em todo o Brasil.
Com isso, o estado respondeu por 32,9% dos registros nacionais, a maior participação entre os estados, segundo os dados apresentados. No país, a maior concentração ocorreu entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa que correspondeu a 55,7% das ocorrências.
Os números colocam os acidentes envolvendo armas de fogo entre os pontos específicos de atenção nas estratégias de prevenção voltadas à população infantojuvenil. O levantamento diferencia esses casos de outros tipos de acidentes responsáveis por internações.
Queimaduras e acidentes de trânsito também aparecem no levantamento
As queimaduras foram responsáveis por 1.608 hospitalizações na Bahia, correspondentes a 16,4% do total estadual analisado. No Brasil, essa categoria representou 19,6% das hospitalizações por acidentes consideradas na pesquisa.
Os acidentes de trânsito somaram 943 hospitalizações de crianças e adolescentes no estado em 2025. O número equivale a 9,6% das internações baianas, percentual inferior à participação nacional, que foi de 11,3%.
O levantamento também registrou intoxicações, sufocações e afogamentos entre as causas de hospitalização. A distribuição dos casos evidencia que os riscos para crianças e adolescentes estão associados a diferentes ambientes e situações, demandando medidas de prevenção específicas.
Estudo aponta necessidade de ações adaptadas aos territórios
Segundo José Carlos Sturza de Moraes, os resultados indicam a necessidade de políticas e ações preventivas que considerem as características de cada território. A proposta envolve a participação de famílias, escolas, poder público e sociedade na construção de ambientes destinados à proteção de crianças e adolescentes.
A entidade também defende ações de conscientização voltadas a familiares, profissionais de saúde e gestores públicos. A avaliação apresentada no estudo considera que a prevenção depende da identificação dos diferentes fatores de risco e da adoção de medidas de segurança.
O levantamento da Aldeias Infantis SOS também analisou mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2024, permitindo observar diferenças entre os acidentes que levam à hospitalização e aqueles associados aos óbitos.
Sufocação foi principal causa de morte entre as categorias analisadas
Em 2024, foram registradas 3.341 mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil considerando as oito categorias analisadas. As sufocações foram responsáveis por 1.039 óbitos, ou 31,1% do total.
Na sequência apareceram os acidentes de trânsito, com 922 mortes, equivalentes a 27,6%, e os afogamentos, com 850 óbitos, ou 25,4%. Juntas, essas três causas representaram aproximadamente 84,1% das mortes registradas nas categorias pesquisadas.
A distribuição dos óbitos variou de acordo com a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano registraram 930 óbitos, correspondentes a 27,8%.
Perfil das mortes varia conforme a faixa etária
Entre os casos de sufocação, 75% das mortes ocorreram entre bebês, segundo o levantamento. Já os afogamentos tiveram maior concentração entre crianças de 1 a 4 anos.
Os acidentes de trânsito apresentaram diferentes perfis de vítimas, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas. A variedade demonstra a presença de diferentes fatores de exposição no trânsito para a população infantojuvenil.
Para Sturza, os dados reforçam a necessidade de ampliar medidas de prevenção e melhorar a qualidade das informações relacionadas aos acidentes e aos riscos de morte. A organização defende uma atuação conjunta de diferentes setores envolvidos na proteção da infância.
Aldeias Infantis SOS defende cultura de prevenção
A Aldeias Infantis SOS é uma organização não governamental voltada ao apoio de crianças e jovens sem cuidados parentais ou em risco de perdê-los. Segundo a instituição, seu trabalho inclui o fortalecimento de famílias e a oferta de cuidados quando a permanência da criança no núcleo familiar não atende aos seus interesses.
A organização informa atuar em mais de 130 países e territórios, em parceria com comunidades, famílias, crianças, jovens, doadores e outras instituições. Entre suas áreas de atuação está a defesa dos direitos da criança e a promoção de condições para seu desenvolvimento em ambientes de cuidado.
No levantamento sobre acidentes, a entidade sustenta que a prevenção deve envolver famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores responsáveis pela proteção da infância. A proposta é ampliar campanhas de conscientização e adotar medidas capazes de reduzir riscos.
Os dados de 2025 mostram que as quedas concentram a maior parcela das hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes na Bahia, enquanto os registros nacionais de mortes de 2024 apontam sufocações, acidentes de trânsito e afogamentos como as principais causas entre as categorias estudadas. O levantamento também destaca a participação da Bahia nos acidentes envolvendo armas de fogo e a necessidade de estratégias preventivas específicas.








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