A Prefeitura de Feira de Santana iniciou, na segunda-feira (28/09/2026), a implantação da primeira Clínica Pet pública do município, que funcionará em imóvel adquirido por R$ 1,5 milhão na Rua Barão de Cotegipe. Em entrevista coletiva, o prefeito José Ronaldo de Carvalho detalhou que o serviço deverá funcionar em horário comercial, mediante cadastro dos animais e agendamento, e será direcionado prioritariamente a tutores que não tenham condições financeiras de custear atendimento veterinário particular, além de contemplar cães e gatos em situação de rua encaminhados em articulação com entidades de proteção animal.
O anúncio público ocorreu em 28 de setembro, conforme registros publicados no mesmo dia por diferentes veículos, apesar de a transcrição anexada identificar a entrevista como realizada em 29 de setembro.
O imóvel possui 741 metros quadrados e está localizado próximo ao Centro de Atendimento ao Feirense. Segundo José Ronaldo, a escritura já havia sido assinada e o pagamento seria efetuado ainda naquela semana. O prefeito informou também que a Secretaria Municipal de Planejamento recebeu determinação para dar prioridade à elaboração dos projetos arquitetônico e de engenharia necessários à adaptação do prédio.
Atendimento será direcionado a quem não consegue pagar clínica particular
José Ronaldo afirmou que a unidade deverá funcionar de forma semelhante, em termos de organização do atendimento, a uma estrutura ambulatorial. Os animais serão previamente cadastrados e terão consultas e procedimentos marcados em horários definidos.
Segundo o prefeito, o objetivo é direcionar os serviços públicos às pessoas que não possuem condições financeiras para recorrer às clínicas veterinárias particulares. Quem puder custear atendimento privado continuará utilizando a rede particular, enquanto a estrutura municipal será voltada principalmente às famílias de menor renda.
Clínica deverá atender cães e gatos e também animais de rua
José Ronaldo especificou que a unidade será destinada a cães e gatos.
Além dos animais que possuem tutores cadastrados, a Prefeitura pretende atender animais em situação de rua que necessitem de tratamento ou castração. Para isso, a administração municipal prevê articulação com entidades ligadas à proteção animal.
O prefeito citou nominalmente a APA — Associação Protetora dos Animais e a entidade Patrícia Patinhas, além de outras organizações que atuam na área, como parceiras potenciais na identificação e encaminhamento de animais encontrados nas ruas.
O valor de R$ 1,5 milhão informado durante a coletiva refere-se especificamente à aquisição do imóvel.
José Ronaldo afirmou que o custo dos equipamentos ainda não havia sido calculado porque a Secretaria Municipal de Saúde iniciaria o levantamento dos materiais necessários para a estruturação da clínica.
Município afirma que prédio está conservado e obra poderá começar após projetos
Outro detalhe apresentado pelo prefeito é que o prédio adquirido se encontra, segundo sua avaliação, em bom estado de conservação.
A Prefeitura não pretende construir uma unidade do zero. A estratégia será adaptar a estrutura existente às exigências de uma clínica veterinária.
José Ronaldo declarou ainda que o Município já dispõe de empresas responsáveis pela manutenção de imóveis públicos que poderão executar as adequações depois da conclusão dos projetos arquitetônico e de engenharia. A entrevista, entretanto, não apresenta cronograma definitivo das intervenções nem data de inauguração.
Localização central foi escolhida para facilitar acesso
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, apresentou outro elemento não suficientemente explorado na divulgação inicial: a localização da clínica no centro da cidade teria sido definida também como estratégia de acessibilidade.
Segundo Matos, a região central permitiria facilitar o deslocamento de moradores de bairros periféricos que possuem animais e encontram dificuldades para pagar serviços veterinários.
O secretário declarou que o modelo foi discutido previamente com associações de proteção animal e afirmou que o diálogo continuará durante a elaboração do projeto. Segundo ele, protetores independentes também deverão participar das discussões sobre a organização do serviço.
UBS e agentes comunitários poderão integrar fluxo de atendimento
A entrevista apresenta ainda uma possibilidade de integração entre a Clínica Pet e a rede básica de saúde humana.
Rodrigo Matos afirmou que os agentes comunitários de saúde poderão participar da identificação das famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que as unidades básicas de saúde poderão funcionar como pontos de conexão para o processo de cadastramento e agendamento.
O desenho definitivo ainda não havia sido apresentado, mas a intenção declarada é criar um fluxo envolvendo cadastro, consulta, exames, castração, procedimentos cirúrgicos e orientação aos tutores.
Essa proposta amplia o alcance administrativo do projeto, porque a política deixa de ficar restrita a uma unidade veterinária isolada e passa a considerar estruturas já existentes no sistema municipal de saúde.
Clínica terá exames e cirurgias, segundo secretário
A divulgação inicial destacou principalmente consultas, vacinação e castração. Na entrevista, entretanto, Rodrigo Matos acrescentou que a estrutura planejada deverá oferecer também exames e cirurgias.
O secretário afirmou que os detalhes operacionais ainda serão apresentados depois da conclusão das discussões com entidades e protetores.
Por isso, ainda não estão definidos publicamente quais tipos de exames laboratoriais ou de imagem serão realizados diretamente na clínica, quais procedimentos cirúrgicos estarão disponíveis e quais casos eventualmente precisarão ser encaminhados para outras unidades.
Castração é apontada como principal demanda dos protetores
Questionado durante a coletiva, Rodrigo Matos confirmou que a castração aparece entre as principais demandas apresentadas pelos grupos de proteção animal.
O secretário relacionou a esterilização ao controle da população de cães e gatos abandonados e também à política de prevenção de zoonoses.
Segundo ele, a estratégia municipal busca associar proteção animal e saúde pública, considerando a interação entre animais, pessoas e ambiente.
Centro de Zoonoses continuará funcionando separadamente
José Ronaldo também esclareceu que a Clínica Pet não substituirá o Centro de Zoonoses.
Segundo o prefeito, as duas estruturas terão funções distintas, e o serviço de zoonoses continuará executando normalmente suas atribuições.
Prefeitura negociou imóvel abaixo dos valores inicialmente pedidos
Outro aspecto revelado diretamente pelo prefeito foi a negociação para aquisição da propriedade.
José Ronaldo afirmou que os proprietários apresentaram inicialmente valores superiores a R$ 2 milhões, mencionando durante a entrevista cifras que chegaram a aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Depois de avaliação realizada pela Secretaria Municipal da Fazenda, segundo o prefeito, o Município concluiu a compra por R$ 1,5 milhão.
Hospital Municipal segue cronograma paralelo
Durante a coletiva, José Ronaldo foi questionado se a decisão de criar a Clínica Pet representava mudança de prioridade em relação ao Hospital Municipal.
O prefeito negou alteração de planejamento. Segundo ele, a licitação do hospital já havia sido concluída, a empresa contratada, a área preparada e o projeto executivo estava em elaboração.
José Ronaldo declarou que esperava a conclusão desse projeto até o fim de novembro de 2026, com intensificação dos trabalhos entre o final de novembro e o início de dezembro. Segundo ele, a Clínica Pet avançou depois que as etapas administrativas do hospital haviam sido encaminhadas.
Protetores terão participação na formulação do serviço
A presidente da Associação Protetora dos Animais, Sandra Lima, chamou atenção para um aspecto operacional importante: a necessidade de participação direta das organizações e dos protetores independentes na estruturação da política.
Ela afirmou que esses grupos possuem experiência cotidiana com resgates, abandonos, tratamentos e dificuldades enfrentadas por animais nas ruas e, por isso, podem contribuir com conhecimento prático para o funcionamento da unidade.
Segundo Sandra, a clínica deve ser entendida como uma primeira etapa e não como solução imediata para todas as demandas existentes.
Associação admite possibilidade futura de hospital veterinário
Questionada sobre a opção por uma clínica em vez de um hospital veterinário, Sandra Lima afirmou considerar o hospital uma estrutura mais complexa.
Na avaliação da dirigente, uma clínica bem estruturada pode atender inicialmente parcela significativa das necessidades existentes. A experiência acumulada com o funcionamento desse serviço poderia, futuramente, contribuir para eventual discussão sobre a implantação de um hospital veterinário.
Maus-tratos e atropelamentos aparecem entre problemas relatados
Sandra Lima também ampliou a discussão para questões que vão além da assistência veterinária.
Ela apontou dificuldades financeiras enfrentadas pelos protetores, episódios de maus-tratos e animais vítimas de atropelamentos como problemas recorrentes.
A representante defendeu ações de conscientização e educação da população, inclusive em relação ao comportamento dos motoristas diante de animais nas vias públicas.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Antes de 28/09/2026 — Prefeitura realiza negociações para aquisição do imóvel e mantém reuniões com organizações ligadas à proteção animal. Segundo José Ronaldo, proprietários pediam valores superiores ao montante posteriormente acordado.
- 28/09/2026 — José Ronaldo anuncia oficialmente a implantação da primeira Clínica Pet pública de Feira de Santana. Publicações realizadas no mesmo dia confirmam a data do anúncio.
- 28/09/2026 — Prefeitura informa aquisição de imóvel de 741 m² na Rua Barão de Cotegipe. José Ronaldo declara que a compra foi fechada em R$ 1,5 milhão.
- 28/09/2026 — Prefeito informa que a Secretaria de Planejamento deverá priorizar os projetos arquitetônico e de engenharia e que a Saúde iniciará o processo de aquisição dos equipamentos.
- 28/09/2026 — Administração anuncia que os animais serão cadastrados e os atendimentos funcionarão mediante agendamento, prioritariamente para famílias sem condições de pagar clínicas particulares.
- 28/09/2026 — Rodrigo Matos afirma que agentes comunitários e unidades básicas de saúde poderão participar do fluxo de acesso à Clínica Pet e informa previsão de consultas, exames, cirurgias e castrações.
- Fim de novembro de 2026 — Prazo citado por José Ronaldo para conclusão esperada do projeto executivo do Hospital Municipal, empreendimento que, segundo o prefeito, segue cronograma independente da Clínica Pet.








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