Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,65 bilhões; Veja quem pode resgatar e como consultar

O volume de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,65 bilhões em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (08/09/2026). O montante representa aumento em relação aos R$ 5,12 bilhões registrados em junho, uma diferença de aproximadamente R$ 530 milhões.

Do total disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas, enquanto aproximadamente R$ 1,40 bilhão está disponível para cerca de 2,19 milhões de empresas. Os recursos podem ser consultados gratuitamente por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR).

O serviço permite localizar valores deixados em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas de crédito, instituições de pagamento, financeiras, corretoras e distribuidoras, entre outras instituições do sistema financeiro. Os recursos podem ter diferentes origens, como contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, valores de consórcios encerrados e cotas de cooperativas.

Maioria dos valores é inferior a R$ 100

Apesar de o estoque disponível alcançar bilhões de reais, a maior parte das pessoas e empresas que possuem recursos a receber tem valores de pequeno montante. Segundo o Banco Central, 69,45% dos beneficiários têm entre R$ 0,01 e R$ 10 disponíveis para resgate.

Outros 18,97% têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100. Já 9,35% possuem entre R$ 100,01 e R$ 1 mil, enquanto somente 2,22% têm mais de R$ 1 mil para receber.

A distribuição mostra que o volume financeiro disponível não corresponde necessariamente a grandes valores individuais. A maior parcela dos beneficiários está concentrada nas faixas de até R$ 100, enquanto uma parcela menor reúne os valores superiores.

Bancos concentram maior volume de recursos

Os bancos concentram R$ 2,38 bilhões dos valores ainda disponíveis no Sistema de Valores a Receber. Na sequência aparecem as administradoras de consórcios, com R$ 1,96 bilhão, e as cooperativas, que somam R$ 762,7 milhões.

As instituições de pagamento concentram R$ 353,4 milhões, enquanto as financeiras respondem por R$ 114,6 milhões. Corretoras e distribuidoras reúnem R$ 69,4 milhões, e outras instituições somam aproximadamente R$ 4,5 milhões.

A distribuição dos recursos indica que o dinheiro a receber está espalhado por diferentes segmentos do sistema financeiro. Por isso, a consulta no SVR permite identificar a instituição responsável pela devolução e o valor disponível para cada beneficiário.

Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões

Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, o Banco Central informa ter devolvido mais de R$ 16 bilhões aos titulares. Até julho, aproximadamente R$ 11,9 bilhões haviam sido destinados a pessoas físicas e R$ 4,2 bilhões a empresas.

Somados os recursos já devolvidos ao estoque que permanecia disponível em julho, o sistema havia identificado aproximadamente R$ 21,8 bilhões em valores a receber. Em julho, cerca de R$ 323 milhões foram resgatados pelos titulares.

Os dados mostram que o mecanismo continua registrando novas devoluções mesmo após a recuperação de bilhões de reais desde sua criação. O estoque disponível também pode variar conforme novos valores são identificados e recursos são efetivamente solicitados pelos beneficiários.

Recursos também foram direcionados a programas de renegociação

Parte dos valores que estavam registrados no sistema foi destinada pelo governo federal a programas de renegociação de dívidas. Isso ocorreu nos casos em que os direitos sobre determinados recursos foram transferidos à União.

Esses valores foram direcionados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para oferecer garantias em programas de renegociação, entre eles o Desenrola. A movimentação contribuiu para a redução do estoque disponível em meses anteriores.

Em julho, entretanto, o volume de recursos disponíveis voltou a crescer, alcançando os R$ 5,65 bilhões informados pelo Banco Central.

Como consultar dinheiro esquecido

A consulta ao Sistema de Valores a Receber é gratuita. Na primeira etapa, pessoas físicas devem informar CPF e data de nascimento. Empresas precisam utilizar o CNPJ e as informações solicitadas pela plataforma.

Quando há valores disponíveis, o acesso para solicitar o resgate exige uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. O usuário deve conferir as informações apresentadas pelo sistema e seguir as etapas indicadas para solicitar a devolução.

O procedimento inclui acessar o SVR, informar os dados de identificação, verificar a existência de recursos, entrar com a conta Gov.br, ler e aceitar o termo de responsabilidade, conferir o valor e a instituição responsável e solicitar o pagamento.

Resgate pode ser feito por Pix

Quando o sistema disponibiliza a opção “Solicitar por aqui”, o valor pode ser devolvido por Pix. A modalidade permite que o pagamento seja solicitado diretamente pelo sistema, conforme as condições apresentadas ao usuário.

Para quem não possui Pix ou não pode utilizar essa forma de recebimento, o próprio sistema informa a alternativa de entrar em contato diretamente com a instituição financeira responsável pelo recurso.

O cidadão deve conferir os dados antes de concluir a solicitação e verificar qual instituição aparece como responsável pela devolução. O Banco Central recomenda utilizar somente os canais oficiais para realizar consultas e pedidos de pagamento.

Resgate automático está disponível desde 2025

Desde maio de 2025, pessoas físicas também podem habilitar o resgate automático de valores a receber. A adesão é facultativa e permite que recursos elegíveis sejam depositados automaticamente na conta cadastrada.

Para utilizar a funcionalidade, é necessário ter uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada, além de uma chave Pix vinculada ao CPF.

Com o recurso habilitado, os valores elegíveis identificados posteriormente podem ser depositados automaticamente na conta indicada, sem que o titular precise fazer uma nova solicitação para cada valor localizado pelo sistema.

Banco Central alerta para golpes

O Banco Central reforça que o Sistema de Valores a Receber é gratuito e que a consulta deve ser realizada exclusivamente pelos canais oficiais. O órgão afirma que não envia links nem entra em contato para solicitar senhas, dados pessoais ou códigos de autenticação relacionados aos valores.

Também não é necessário fazer qualquer pagamento para liberar recursos. Por isso, mensagens que cobram taxas, solicitam informações bancárias ou encaminham links para supostos serviços de resgate devem ser ignoradas.

Entre as recomendações do BC estão não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail, não fornecer senhas ou códigos de autenticação, não pagar taxas para receber valores e conferir diretamente no SVR qual instituição é responsável pelo pagamento.

Sistema também permite consultar valores de pessoas falecidas

O SVR também possibilita a consulta de valores pertencentes a pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais que atendam às exigências estabelecidas pelo sistema.

A consulta e o eventual resgate dependem da comprovação da condição do representante e do cumprimento dos procedimentos determinados. Assim como nos demais casos, o Banco Central orienta que os interessados utilizem somente os canais oficiais.

Com R$ 5,65 bilhões disponíveis em julho de 2026, o Sistema de Valores a Receber continua reunindo recursos de pessoas físicas e empresas que podem ser recuperados. A consulta é gratuita, e o procedimento pode resultar em pagamento por Pix quando essa opção estiver disponível. O principal cuidado é utilizar os canais oficiais e não pagar terceiros para localizar ou liberar os valores.

*Com informações da Agência Brasil.


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