O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, participou, entre sexta-feira (04/09/2026) e domingo (06/09/2026), da programação nacional de formação e vivência ecumênica promovida pela Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro ocorreu em Jundiaí (SP), no Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho.
Com o lema bíblico “Que todos sejam um, para que o mundo creia” (Jo 17,21), a iniciativa reuniu participantes de diferentes regiões do país para atividades de formação, espiritualidade, convivência e reflexão sobre os desafios do ecumenismo na Igreja Católica no Brasil.
Durante a programação de sábado (05/09/2026), Dom Zanoni presidiu a Eucaristia e abordou, na homilia, a necessidade de ampliar a participação da Igreja na construção da unidade entre os cristãos. Segundo o arcebispo, o ecumenismo é uma missão construída ao longo do tempo por pessoas e comunidades comprometidas com a unidade proposta por Cristo.
Dom Zanoni defende participação de diferentes setores da Igreja
Ao avaliar a trajetória do ecumenismo no Brasil, o arcebispo mencionou iniciativas como formações, a Semana de Oração pela Unidade Cristã, diálogos bilaterais e articulações nos Regionais. Ao mesmo tempo, alertou para o risco de acomodação e defendeu que a dimensão ecumênica esteja presente de forma mais ampla na ação evangelizadora.
Para Dom Zanoni, o ecumenismo não deve ficar restrito a uma comissão ou a especialistas. A proposta apresentada durante o encontro é incorporar o diálogo às áreas de catequese, formação, juventude, universidades, pastoral social, comunicação e missão.
O arcebispo também defendeu a participação de jovens, leigos e leigas, lideranças dos Regionais e estudantes de instituições católicas. A ideia, segundo sua reflexão, é fazer com que o ecumenismo deixe de ser apenas um tema de estudo e passe a ser vivenciado como uma experiência de encontro.
A defesa foi acompanhada de uma reflexão sobre a relação entre identidade religiosa e diálogo. Dom Zanoni afirmou que é possível manter convicções próprias sem transformar as diferenças entre tradições cristãs em obstáculos à convivência e à busca pela unidade.
Diferenças doutrinais são tratadas como parte do diálogo
Na homilia, o arcebispo ressaltou que o ecumenismo não elimina as diferenças doutrinais entre os cristãos. A proposta, segundo ele, é reconhecer essas diferenças e estabelecer uma forma de diálogo baseada no respeito e na disposição para o encontro.
“Podemos ter convicções firmes sem transformar nossas diferenças em muros”, afirmou Dom Zanoni.
Na avaliação apresentada durante a celebração, o diálogo ecumênico deve tratar as divergências sem arrogância, preconceito ou medo.
Ao sintetizar o desafio colocado à Igreja, o arcebispo defendeu uma mudança na forma de compreender e praticar o ecumenismo: “de agenda em espiritualidade; de evento em cultura; de responsabilidade de alguns em compromisso de toda a Igreja”.
Formação abordou desafios do ecumenismo contemporâneo
A programação também contou com atividades coordenadas pelo frei Volney Berkenbrock, que conduziu reflexões sobre O caminho do Ecumenismo hoje: a difícil arte do diálogo entre os cristãos. A agenda incluiu ainda momentos de oração e experiências relacionadas à Espiritualidade de Taizé.
No domingo (06/09/2026), último dia da programação, os participantes discutiram perspectivas, desafios e estratégias para o ecumenismo a partir das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032.
As reflexões tiveram contribuição do padre Marcus Barbosa Guimarães, assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso. A discussão relacionou a prática do diálogo entre cristãos às diretrizes que orientam a ação evangelizadora da Igreja no país.
Arquidiocese de Feira de Santana reafirma compromisso com o diálogo
A participação de Dom Zanoni no encontro integra a atuação da Arquidiocese de Feira de Santana na promoção do diálogo, da comunhão e da unidade entre os cristãos.
A iniciativa nacional reuniu formação teológica, momentos de espiritualidade e discussões sobre estratégias para ampliar a prática ecumênica nas diferentes áreas da Igreja. O encontro também buscou estimular a participação de novos grupos e lideranças nesse processo.
A reflexão apresentada por Dom Zanoni colocou como eixo a necessidade de transformar o ecumenismo em uma prática incorporada à vida da Igreja, preservando as identidades e convicções das diferentes tradições cristãs e, simultaneamente, fortalecendo o diálogo e a convivência.








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