O eleitorado brasileiro residente na Itália cresceu 17,5% entre 2022 e 2026, alcançando 38.829 pessoas aptas a votar no primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro de 2026. Apesar do aumento, a votação permanece concentrada em apenas duas cidades: Milão, no norte, e Roma, nas regiões central e sul do país. A distribuição geográfica impõe desafios de deslocamento e organização, especialmente diante do histórico de filas extensas registrado na última eleição.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Itália possui o quarto maior eleitorado brasileiro da Europa, atrás de Portugal, Espanha e Alemanha. Do total de aproximadamente 54 mil brasileiros que vivem no país, mais de 38 mil estão registrados para participar do pleito.
A maior parcela está em Milão, que reúne 24.632 eleitores, enquanto Roma concentra 14.197. A diferença entre os dois contingentes orienta a estrutura de atendimento planejada pelas representações diplomáticas brasileiras para a votação deste ano.
Milão muda local de votação e amplia estrutura para atender eleitores
Em Milão, o Consulado-Geral do Brasil transferiu o local de votação para um centro de provas situado no bairro de Turro, na região norte da cidade. O espaço fica afastado da área central, mas possui acesso por metrô, segundo as informações divulgadas pela representação consular.
A mudança ocorre após as dificuldades registradas nas eleições presidenciais de 2022, quando as filas começaram nas primeiras horas do dia, ocuparam trechos de calçada e chegaram a provocar espera superior a três horas. A organização do novo espaço foi planejada com o objetivo de melhorar a circulação dos eleitores.
Para a operação, o consulado informou que o local contará com 36 funcionários dedicados à organização das filas. Também foram convocados 156 agentes eleitorais brasileiros, que atuarão durante a votação para auxiliar no atendimento e no fluxo de pessoas.
A ampliação da estrutura responde a uma demanda logística diretamente relacionada ao crescimento do eleitorado e à concentração de seções em uma única cidade para os brasileiros residentes no norte italiano.
Roma mantém votação na Embaixada do Brasil
Em Roma, a votação continuará sendo realizada na Embaixada do Brasil, localizada na Piazza Navona, como ocorreu em eleições anteriores. O espaço receberá os eleitores das regiões central e sul da Itália.
Para facilitar a organização, as entradas da embaixada serão divididas conforme as seções eleitorais. A medida busca distribuir o acesso ao prédio e organizar a chegada dos votantes.
Embora também registre concentração de pessoas durante os dias de eleição, Roma possui um eleitorado menor que o de Milão. São 14.197 brasileiros registrados, contra 24.632 na capital lombarda.
Desde 2022, Veneza e Florença deixaram de integrar a estrutura de votação brasileira na Itália. Com isso, os eleitores dessas regiões precisam se deslocar até Milão ou Roma, conforme a localização de seu domicílio eleitoral.
Distâncias e custos contribuem para histórico de abstenção elevada
A concentração da votação em duas cidades também está relacionada aos índices de abstenção entre brasileiros residentes na Itália. De acordo com os dados apresentados na reportagem, o percentual de eleitores que não comparecem às urnas no país tem variado entre 60% e 68% desde 2010.
No primeiro turno das eleições de 2022, a abstenção entre brasileiros no exterior foi de 56,24%, segundo o TSE. Na Itália, o índice alcançou 67,4%, superando a média registrada entre os eleitores que vivem fora do Brasil.
Entre os fatores apontados estão as distâncias geográficas e os custos de transporte. Como o eleitorado está distribuído por diferentes regiões, parte dos brasileiros precisa viajar durante horas para alcançar o local de votação correspondente.
Em Milão, o consulado estima que aproximadamente 10 mil eleitores compareçam às urnas no primeiro turno de 2026, número inferior à metade dos 24.632 brasileiros registrados na cidade.
Resultados de 2018 e 2022 acompanharam cenário nacional
Além dos aspectos logísticos, o comportamento eleitoral dos brasileiros na Itália também apresenta variações entre os ciclos presidenciais recentes. Os resultados registrados em 2018 e 2022 acompanharam, em linhas gerais, o cenário nacional brasileiro, embora tenham ocorrido mudanças na distribuição dos votos entre os candidatos.
No primeiro turno de 2018, Jair Bolsonaro (PSL) recebeu 52,04% dos votos válidos entre os brasileiros na Itália, enquanto Fernando Haddad (PT) obteve 17,89%. No segundo turno, Bolsonaro alcançou 62,08%, contra 37,92% de Haddad.
Em 2022, o resultado foi diferente. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou a votação no primeiro turno, com 52,02%, enquanto Bolsonaro (PL) registrou 37,29%. No segundo turno, Lula obteve 55,37% dos votos, contra 44,63% de Bolsonaro.
Os números demonstram que a distribuição dos votos entre os candidatos se alterou de uma eleição para outra. Portanto, os resultados anteriores não permitem estabelecer uma preferência partidária permanente do eleitorado brasileiro na Itália.
Votação de 2026 dependerá do comparecimento e da distribuição regional
Com o crescimento do número de eleitores registrados e a manutenção de apenas dois locais de votação, a organização do pleito na Itália dependerá da capacidade de atendimento em Milão e Roma.
A mudança do endereço eleitoral na capital lombarda e o reforço de pessoal representam medidas de preparação para o primeiro turno. Entretanto, o comparecimento efetivo dependerá também das condições de deslocamento, dos custos envolvidos e da disponibilidade dos eleitores para viajar até as cidades designadas.
O resultado da votação brasileira na Itália será conhecido após a apuração oficial. Os dados de 2018 e 2022 mostram mudanças na distribuição dos votos, sem sustentar uma classificação definitiva do eleitorado local como alinhado a um partido ou campo político específico.
A eleição de 4 de outubro de 2026 permitirá verificar como o eleitorado brasileiro na Itália se comportará diante do novo cenário eleitoral, considerando o crescimento cadastral, a concentração geográfica e os desafios de acesso às urnas.








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