A Lavagem de Madeleine, evento de cultura afro-brasileira realizado em Paris há mais de duas décadas, terá uma alteração na programação de sua 25ª edição. Segundo a organização, o pároco da Igreja de La Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, informou que a tradicional lavagem das escadarias do templo não poderá ser realizada neste ano. O ritual será transferido para uma praça pública, mantendo a programação prevista para domingo (13/09/2026).
Criada em Paris em 2002 por Robertinho Chaves, a celebração é inspirada na Lavagem do Bonfim, em Salvador, e reúne referências culturais, religiosas e artísticas brasileiras em um evento que também estabelece diálogo com diferentes tradições presentes na França.
A edição de 2026 contará com mais de 700 artistas nas ruas de Paris. Apesar da mudança no local do ritual, a organização afirma que manterá as manifestações culturais previstas e que continuará buscando diálogo com a Igreja de La Madeleine e instituições francesas.
Ritual integra identidade histórica da celebração
A lavagem das escadarias está diretamente relacionada à origem e ao nome da Lavagem de Madeleine. A cerimônia reúne baianas vestidas de branco, água de cheiro, flores, música e elementos de tradições religiosas afro-brasileiras, em uma manifestação inspirada na tradição da Lavagem do Bonfim.
Segundo a organização, o evento foi estruturado desde sua criação como uma celebração voltada ao diálogo entre culturas e tradições religiosas, reunindo referências do catolicismo e das religiões de matriz africana.
Robertinho Chaves, idealizador da Lavagem de Madeleine, afirmou que a organização lamenta a impossibilidade de realizar o ritual nas escadarias da igreja neste ano. Segundo ele, a cerimônia faz parte da trajetória construída pela celebração em Paris e a organização permanece aberta ao diálogo.
O evento reúne, ao longo de sua história, brasileiros, franceses, imigrantes e pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e religiões. A cultura da paz, o respeito à diversidade e a união entre povos estão entre os princípios associados à manifestação desde sua criação.
Lavagem de Madeleine tem reconhecimento cultural na França
Desde 2022, a Lavagem de Madeleine está inscrita no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da França, reconhecimento vinculado ao Ministério da Cultura francês.
A documentação relacionada à manifestação registra a realização da cerimônia diante da Igreja de La Madeleine, incluindo a presença de representantes do catolicismo e de religiões de matriz africana e a participação das baianas na lavagem das escadarias.
A celebração também integra o calendário cultural de Paris e conta com apoio da Prefeitura de Paris. Realizado tradicionalmente em setembro, o evento reúne manifestações musicais, religiosas, gastronômicas e culturais associadas à presença brasileira na capital francesa.
Ao longo de suas edições, a Lavagem de Madeleine recebeu artistas brasileiros como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Preta Gil e Olodum, ampliando a presença da cultura brasileira na programação cultural parisiense.
Ritual será transferido para praça pública
Diante da decisão de impedir a lavagem das escadarias da Igreja de La Madeleine, a organização informou que o ritual será preservado em praça pública. A mudança de local não deverá alterar as demais atividades previstas para a 25ª edição.
No domingo (13/09/2026), mais de 700 artistas participarão da programação nas ruas de Paris. A partir das 10h, a Place de la République será um dos pontos centrais das atividades, com apresentação de Mariene de Castro e Robertinho Chaves à frente do trio elétrico.
O cortejo contará ainda com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires, além de manifestações como samba, percussão, maracatu, capoeira e a participação das baianas.
A programação foi organizada para manter a dimensão cultural e religiosa da Lavagem, mesmo com a alteração do espaço tradicional utilizado para a cerimônia.
Lorena Pires participa da programação
A cantora lírica brasileira Lorena Pires, artista residente da Academia da Ópera Nacional de Paris desde 2025, deverá participar da celebração.
Durante a programação, a artista deverá interpretar “Ave Maria”, em uma apresentação que será realizada ao lado das baianas e de manifestações vinculadas às tradições afro-brasileiras.
A participação está inserida na proposta de reunir diferentes expressões artísticas e religiosas durante a celebração. A organização associa a presença da cantora ao caráter ecumênico construído pela Lavagem de Madeleine ao longo de sua trajetória.
Para Robertinho Chaves, a manutenção dos ritos e da programação representa a continuidade da manifestação cultural. O idealizador afirmou que a resposta à mudança será a preservação da cultura, da ancestralidade e da celebração da paz.
Evento ocorre durante aproximação cultural entre Brasil e França
A mudança no ritual ocorre em um período de ampliação do intercâmbio cultural entre Brasil e França. Em 2025, os dois países celebraram um Acordo de Cooperação na Área Cultural e realizaram o Ano Cultural Brasil-França.
A iniciativa havia sido acordada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron, com o objetivo de ampliar o intercâmbio cultural e promover aproximação entre as sociedades brasileira e francesa.
Nesse contexto, a Lavagem de Madeleine constitui uma manifestação cultural brasileira realizada no território francês. A celebração reúne elementos da cultura afro-brasileira com expressões artísticas e religiosas presentes em Paris.
Para a organização, a manutenção da programação da 25ª edição representa a continuidade de uma trajetória iniciada em 2002 e construída por meio da participação de diferentes comunidades e tradições culturais.
Organização mantém diálogo com Igreja e instituições
Mesmo com a impossibilidade de realizar a lavagem nas escadarias da Igreja de La Madeleine, a organização informou que continuará buscando diálogo e esclarecimentos junto à Igreja e às instituições francesas.
A transferência do ritual para uma praça pública permite preservar a programação da edição de 2026 e manter a participação dos grupos culturais e artísticos previstos.
A organização também reafirma o compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira, a diversidade religiosa e a preservação das manifestações de ancestralidade associadas ao evento.
A 25ª edição, portanto, será realizada com alteração no espaço tradicional de um dos seus principais ritos, mas manterá o restante da programação anunciada para as ruas de Paris.
25ª edição mantém programação cultural em Paris
A Lavagem de Madeleine chega à 25ª edição com uma programação que prevê mais de 700 artistas e atividades a partir das 10h do domingo (13/09/2026).
A cerimônia que tradicionalmente ocorre nas escadarias da Igreja de La Madeleine será realizada em praça pública, após a decisão comunicada pelo pároco Monsenhor Patrick Chauvet, segundo a organização do evento.
Com música, cortejo, samba, maracatu, capoeira, participação das baianas e apresentações de artistas brasileiros, a celebração manterá a proposta de promover a cultura afro-brasileira, o diálogo entre diferentes tradições e a convivência entre comunidades.
Criada em Paris em 2002 e reconhecida desde 2022 no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da França, a Lavagem de Madeleine seguirá, na edição de 2026, com sua programação cultural nas ruas da capital francesa.








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