O Conselho de Segurança das Nações Unidas debate nesta sexta-feira (28/08/2026) a escalada da violência no Haiti, após um ataque atribuído a gangues armadas contra moradores da comuna de Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe. O episódio ocorreu na noite de 23 de agosto e deixou pelo menos 47 pessoas mortas e 22 feridas, segundo informações apresentadas pelas Nações Unidas.
De acordo com os relatos divulgados pela ONU, cerca de 150 integrantes de gangues fortemente armados invadiram Kenscoff e abriram fogo contra moradores que tentavam deixar a região pelas ruas. O ataque atingiu uma comunidade localizada nas proximidades da capital haitiana, onde grupos armados mantêm atuação.
Durante a ofensiva, mais de 50 pessoas buscaram abrigo em uma igreja. Segundo os relatos, os integrantes da gangue obrigaram os refugiados a deixar o templo e, posteriormente, 22 pessoas teriam sido executadas no pátio e outras 12 nos fundos da igreja. O episódio está entre os casos de violência que motivaram a reunião do Conselho de Segurança.
Sequestros e ameaças ampliaram a crise
Após deixarem a região central de Kenscoff, os integrantes da gangue teriam sequestrado 52 pessoas, entre elas um menino e quatro meninas. Em uma gravação de áudio divulgada nas redes sociais em 24 de agosto, o grupo ameaçou executar os sequestrados caso as operações de segurança contra seus integrantes prosseguissem.
Além das vítimas fatais, 22 pessoas ficaram feridas no ataque de 23 de agosto. Entre os mortos estavam três meninos e duas meninas, conforme os dados divulgados pelas Nações Unidas.
A situação levou organismos internacionais a reiterarem a preocupação com a proteção da população civil. A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Marta Hurtado, afirmou que o ataque representa um alerta sobre a violência praticada por grupos armados e defendeu o reforço da proteção às comunidades afetadas.
ONU aponta circulação ilegal de armas
Segundo Marta Hurtado, o fluxo ilícito de armas de fogo e munições para o Haiti contribui para o fortalecimento das gangues armadas. A declaração ocorreu no contexto das discussões sobre o ataque em Kenscoff e sobre as condições de segurança enfrentadas pela população.
Em 24 de agosto, outra gangue que atua em Porto Príncipe publicou nas redes sociais imagens que aparentavam mostrar uma nova remessa de armas chegando do exterior. A divulgação ocorreu apesar do embargo de armas imposto pela ONU ao Haiti desde 2022.
A circulação ilegal de armamentos é apontada pelas Nações Unidas como um dos fatores que ampliam a capacidade operacional dos grupos armados. O controle desse fluxo integra os desafios enfrentados pelas autoridades haitianas e pela comunidade internacional no enfrentamento da violência.
Mais de 1,4 mil pessoas morreram entre abril e junho
Os dados mais recentes apresentados pelo Serviço de Direitos Humanos do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (Binuh) mostram a dimensão da violência no país. Entre 1º de abril e 30 de junho de 2026, foram registradas 1.408 mortes e 656 pessoas feridas em episódios relacionados à atuação de gangues.
No mesmo intervalo, 326 pessoas foram vítimas de violência sexual, de acordo com os registros coletados pelo organismo da ONU. A entidade ressalta, porém, que os números podem não representar toda a extensão do problema.
A subnotificação ocorre porque parte das vítimas deixa de denunciar os crimes por medo de represálias e pelo estigma social associado à violência sexual. Dessa forma, os registros oficiais podem estar abaixo do número efetivo de ocorrências.
População civil permanece exposta à violência
A violência também provoca deslocamentos internos e agrava as condições de vida de famílias que precisam abandonar suas comunidades. Organismos humanitários da ONU acompanham a situação de pessoas que buscam abrigo em estruturas públicas e outros espaços considerados seguros.
O episódio de Kenscoff ocorre em um contexto no qual gangues armadas mantêm controle ou influência sobre áreas do Haiti, especialmente na região de Porto Príncipe. A presença desses grupos tem dificultado a circulação da população e a prestação de serviços em diferentes comunidades.
Para as Nações Unidas, a proteção dos civis permanece entre as principais necessidades diante da escalada dos confrontos. O debate no Conselho de Segurança ocorre, portanto, em meio à pressão por medidas de segurança e pela redução do acesso das gangues a armas e munições.
Conselho de Segurança debate resposta internacional
A reunião do Conselho de Segurança da ONU coloca a situação de Kenscoff e o quadro mais amplo da violência no Haiti no centro da discussão internacional. O ataque de 23 de agosto acrescentou novos casos de mortes, feridos, sequestros e ameaças ao cenário já acompanhado pelos organismos das Nações Unidas.
Os números registrados entre abril e junho mostram que a violência relacionada às gangues permanece com impacto direto sobre a população civil. Mais de 2 mil pessoas foram mortas ou feridas no período, considerando os 1.408 mortos e 656 feridos registrados pelo Binuh.
A crise envolve, além da segurança pública, deslocamento populacional, violência sexual, circulação ilegal de armas e dificuldades de acesso a serviços essenciais. A reunião desta sexta-feira busca avaliar a situação e as medidas relacionadas à proteção da população haitiana diante da continuidade dos episódios de violência.
*Com informações da ONU News.








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