A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece) lançou, em setembro de 2026, um guia destinado a orientar cidades na busca por novas fontes de financiamento para florestas urbanas e periurbanas diante do avanço do calor extremo. A publicação apresenta mecanismos que incluem investimentos privados, filantropia, incentivos e participação comunitária.
O documento parte do impacto crescente das ondas de calor sobre a saúde pública e da necessidade de preservar a infraestrutura verde existente nas cidades. Segundo a publicação, mais de 200 mil mortes na União Europeia nos últimos quatro anos são estimadas como relacionadas às altas temperaturas.
Nesse contexto, as florestas urbanas e periurbanas são apresentadas como parte das estratégias de adaptação climática, contribuindo para a regulação da temperatura e da qualidade do ar. Ao mesmo tempo, as árvores enfrentam maior exposição à seca e ao calor extremo, enquanto municípios lidam com limitações orçamentárias para manutenção e expansão da cobertura vegetal.
Guia propõe novas fontes de financiamento
A Unece questiona a dependência exclusiva dos orçamentos públicos municipais para custear a infraestrutura verde. O guia apresenta alternativas destinadas a ampliar a capacidade financeira das cidades e garantir recursos para a manutenção das áreas arborizadas no longo prazo.
Entre os mecanismos indicados estão investimentos privados, recursos filantrópicos, incentivos financeiros e participação da comunidade. A publicação também reúne experiências implementadas em diferentes cidades para demonstrar como essas fontes podem ser incorporadas ao planejamento urbano.
Em Londres, no Reino Unido, corredores verdes estão integrados às principais redes de transporte e recebem apoio por meio de orçamentos destinados à infraestrutura e de processos de contratação. A experiência é citada no documento como exemplo de integração entre políticas de mobilidade e infraestrutura verde.
Cidades adotam modelos distintos
Na cidade de Leipzig, na Alemanha, a população participa diretamente de um programa de arborização urbana financiado pela própria comunidade. O modelo apresentado pela Unece relaciona participação dos moradores e financiamento da expansão da cobertura arbórea.
Já em Melbourne, na Austrália, a gestão das florestas urbanas utiliza fundos específicos, com o objetivo de assegurar recursos financeiros para o desenvolvimento de áreas verdes ao longo do tempo.
As experiências reunidas no guia indicam que não existe um único modelo de financiamento aplicável a todas as cidades. As estratégias podem combinar recursos públicos e privados, participação comunitária e mecanismos específicos de financiamento, de acordo com as características e necessidades de cada município.
Planejamento de longo prazo ganha importância
Para a Unece, o avanço das pressões climáticas e a limitação dos recursos públicos alteram a discussão sobre investimentos em florestas urbanas. O desafio colocado aos gestores municipais passa a ser não apenas decidir pela ampliação desses investimentos, mas estabelecer mecanismos capazes de garantir a continuidade das ações.
A comissão da ONU defende que financiamento inovador, planejamento estratégico e parcerias serão determinantes para a manutenção das florestas urbanas como parte das medidas de adaptação às temperaturas mais elevadas e a outros riscos relacionados às mudanças climáticas.
O guia lançado pela Unece, portanto, concentra-se na necessidade de diversificar as fontes de recursos destinadas à infraestrutura verde. A proposta é que as cidades estruturem estratégias financeiras de longo prazo para preservar, manter e ampliar as florestas urbanas e periurbanas, considerando seu papel na resposta aos efeitos do calor extremo.
*Com informações da ONU News.








Deixe um comentário