A Polícia Civil da Bahia prendeu 11 pessoas nesta quinta-feira (24/09/2026) durante a Operação Iceberg, investigação contra uma rede suspeita de tráfico de entorpecentes direcionado a consumidores de alto poder aquisitivo. A apuração identificou movimentação financeira superior a R$ 9,6 milhões, enquanto a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
Do total de prisões, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante. As detenções ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, ampliando o alcance da operação entre a capital e diferentes regiões do interior da Bahia.
Entre os presos estão três homens apontados pelas investigações como integrantes da liderança do grupo. O principal alvo foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. Segundo o DHPP, ele recebia drogas provenientes de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição dos entorpecentes para Salvador e municípios do interior.
Investigação identifica R$ 9,6 milhões em movimentações financeiras
A investigação financeira identificou movimentação superior a R$ 9,6 milhões em cinco anos, distribuída por mais de 16,6 mil transações bancárias. De acordo com a apuração policial, o fluxo financeiro envolvia empresas, contas pertencentes a terceiros e pessoas utilizadas para intermediar a circulação dos recursos.
A partir dos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores dos investigados. A medida busca alcançar ativos vinculados às pessoas investigadas e preservar patrimônio que possa ter relação com as atividades sob apuração.
As medidas patrimoniais também alcançaram oito veículos e uma motocicleta, avaliados em mais de R$ 1,1 milhão, conforme valores da tabela FIPE. Durante a operação, uma pistola foi localizada com um médico investigado, que acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma.
Drogas eram transportadas em potes de cosméticos e ônibus comerciais
Em Vitória da Conquista, a investigação identificou uma forma de transporte utilizada para dificultar a identificação dos entorpecentes. Parte das drogas era colocada em potes de cremes estéticos e transportada em ônibus comerciais, de maneira a simular o transporte de produtos cosméticos.
Entre as substâncias identificadas estava uma modalidade conhecida como ICE. O material integra o conjunto de entorpecentes apurado pela Polícia Civil durante o trabalho de identificação dos fornecedores, distribuidores e operadores envolvidos na estrutura investigada.
Em Santo Antônio de Jesus, um dos investigados era apontado como responsável por buscar drogas em Salvador e transportá-las para abastecer a região. A dinâmica identificada pela polícia indica uma estrutura de distribuição que conectava fornecedores, intermediários e pontos de comercialização em diferentes municípios.
Redes sociais e PIX eram utilizados nas negociações
Segundo a investigação, o grupo recorria às redes sociais para negociar os entorpecentes. Os pagamentos eram realizados principalmente por meio de PIX, modalidade que passou a integrar a análise financeira utilizada para rastrear as movimentações atribuídas aos investigados.
Entre os consumidores identificados durante a apuração estavam médicos, empresários e advogados. A caracterização do público atendido integra a investigação da Polícia Civil sobre a estrutura comercial montada para distribuir drogas a consumidores de maior poder aquisitivo.
O cruzamento entre informações financeiras, comunicações e movimentações atribuídas aos investigados permitiu às equipes policiais reconstruir parte da cadeia de fornecimento e distribuição. A investigação também identificou a utilização de empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas na movimentação dos recursos.
Operação Iceberg surgiu de informações obtidas na Operação Gênesis
A Operação Iceberg teve origem em informações reunidas durante a Operação Gênesis. Os elementos obtidos naquela investigação permitiram avançar na identificação de fornecedores, distribuidores e pessoas apontadas como responsáveis pela movimentação financeira da estrutura investigada.
A nova fase concentrou-se, portanto, não apenas na apreensão de drogas e na prisão de investigados, mas também na estrutura financeira e patrimonial atribuída ao grupo. O bloqueio judicial de até R$ 200 milhões, associado à análise de mais de 16,6 mil operações bancárias, amplia o alcance da investigação sobre a circulação dos recursos.
As prisões, apreensões e medidas de indisponibilidade patrimonial deverão integrar os procedimentos conduzidos pela Polícia Civil e submetidos ao Poder Judiciário. A responsabilização criminal individual de cada investigado dependerá da análise das provas e do andamento dos respectivos processos, observadas as garantias previstas na legislação.
Operação ocorre em contexto de ampliação da estrutura de segurança na Bahia
A Operação Iceberg ocorre em um período de ampliação da estrutura operacional e tecnológica da segurança pública estadual. Desde 2023, o Governo da Bahia, sob a administração do governador Jerônimo Rodrigues, informa ter destinado mais de R$ 1 bilhão à modernização do setor, incluindo investimentos em infraestrutura, inteligência, equipamentos e tecnologia.
A estrutura implantada pelo Estado inclui 19 centros de operações integrados, sistemas de videomonitoramento, reconhecimento facial instalado em 81 municípios e utilização de drones com leitura termal. Os equipamentos são empregados em diferentes modalidades de policiamento, investigação e monitoramento.
Também foi implantado o Programa de Policiamento Orientado pela Inteligência, baseado na utilização de informações, análise de dados e ferramentas tecnológicas para subsidiar o planejamento das ações policiais. No caso da Operação Iceberg, a investigação financeira e o cruzamento de informações foram utilizados para identificar fluxos de recursos, estrutura de distribuição e pessoas vinculadas ao grupo investigado.








Deixe um comentário