Serviço de Atenção Domiciliar promove lazer e resgate de memórias para paciente em Feira de Santana

O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, promoveu, na sexta-feira (11/09/2026), uma atividade de lazer e convivência para Floriano Oliveira Rios, de 61 anos, paciente acompanhado pela equipe e que vive com diagnóstico de atrofia de múltiplos sistemas. A iniciativa foi planejada a partir de aspectos da história pessoal do paciente e teve como uma das atividades centrais a preparação de acarajé.

Cadeirante e com mobilidade reduzida, Floriano apresenta resistência a sair de casa e pouca aceitação de visitas. Diante desse contexto, a equipe organizou uma ação fora da rotina habitual do atendimento, associada ao Setembro Amarelo, período de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio.

Antes do adoecimento, Floriano costumava preparar acarajé em casa para familiares e amigos. A atividade também fazia parte de sua relação com um casal de amigos, que aprendeu com ele a preparar a iguaria e posteriormente passou a comercializá-la. Os amigos participaram da iniciativa e forneceram os materiais necessários para a preparação.

Atividade busca preservar vínculos e referências pessoais

A proposta do Serviço de Atenção Domiciliar foi utilizar uma atividade relacionada à trajetória de Floriano como forma de estimular convivência, recuperar uma memória afetiva e proporcionar contato com um ambiente diferente da rotina doméstica.

Para a coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar, Ramille Oliveira, o atendimento de pacientes acompanhados em casa deve considerar aspectos que ultrapassam os procedimentos clínicos. Segundo ela, muitos pacientes permanecem restritos ao leito e, quando precisam sair de casa, geralmente utilizam ambulância.

A coordenadora afirma que o serviço busca criar oportunidades para que esses pacientes tenham contato com áreas verdes, outras pessoas, animais e diferentes estímulos, reduzindo temporariamente a permanência restrita ao quarto e às atividades cotidianas dentro de casa.

“A gente está tentando fazer esse movimento de retirada desses pacientes para que eles tenham acesso ao verde, a ver gente mesmo, a ver os animais, sair do quarto, da televisão e se conectar com a natureza”, afirmou Ramille.

Cuidado domiciliar considera história e contexto familiar

Segundo Ramille Oliveira, o atendimento realizado no domicílio também permite preservar referências culturais, familiares e sociais dos pacientes. A coordenadora avalia que períodos prolongados de hospitalização podem afastar a pessoa de elementos que fazem parte de sua trajetória.

“O cuidado no domicílio é devolver a origem do paciente, a cultura, porque quando ele se vê no hospital é como se perdesse as raízes, a referência dele”, declarou.

O modelo também é aplicado em situações de cuidados paliativos, nas quais a permanência no ambiente domiciliar pode manter o paciente próximo da família e de seu espaço de referência. Nesses casos, segundo a coordenadora, o objetivo inclui proporcionar conforto e preservar a convivência familiar.

A atividade realizada com Floriano integra, portanto, uma abordagem que considera a assistência domiciliar não apenas pela necessidade de acompanhamento em saúde, mas também pela preservação de vínculos e pela qualidade de vida.

Como funciona o Serviço de Atenção Domiciliar

O Serviço de Atenção Domiciliar oferece assistência gratuita a pacientes que atendem aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O acesso pode ocorrer por demanda espontânea ou por encaminhamento realizado por unidades da Atenção Primária à Saúde, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF).

Pacientes que estão internados também podem ser encaminhados ao serviço. Nesses casos, é realizada uma contrarreferência médica, por meio da qual a unidade hospitalar solicita a avaliação para atenção domiciliar.

Após o recebimento do encaminhamento, a equipe agenda uma visita para verificar se o paciente atende ao perfil necessário para ingresso no programa. Durante a visita de elegibilidade e desospitalização, são coletadas informações e preenchido um formulário utilizado para avaliar os critérios definidos pelo Ministério da Saúde.

Avaliação define admissão no programa

A admissão no Serviço de Atenção Domiciliar ocorre após a análise das condições do paciente e a verificação dos requisitos estabelecidos para o atendimento. A equipe avalia individualmente cada caso antes de definir a inclusão no programa.

“A gente programa a visita e vê se esse paciente se enquadra ao perfil do nosso programa ou não”, explicou Ramille Oliveira.

O procedimento busca organizar o atendimento de acordo com as necessidades apresentadas e com os critérios estabelecidos para a modalidade de assistência. A avaliação também permite definir os encaminhamentos adequados dentro da rede municipal de saúde.

A ação realizada com Floriano demonstra uma das dimensões do acompanhamento domiciliar: a integração entre assistência em saúde, convivência e preservação da história pessoal do paciente, considerando as condições específicas de cada pessoa atendida.

Onde funciona o Serviço de Atenção Domiciliar

A base do Serviço de Atenção Domiciliar de Feira de Santana está localizada na Rua Americana, nº 164, bairro Parque Ipê.

O serviço recebe solicitações e encaminhamentos conforme os fluxos estabelecidos pela rede municipal de saúde. A avaliação da equipe é necessária para verificar a elegibilidade do paciente e sua inclusão no programa.

A iniciativa realizada em 11 de setembro integra as ações desenvolvidas pelo serviço para ampliar as possibilidades de convivência de pacientes acompanhados em casa. No caso de Floriano, a preparação do acarajé foi utilizada como atividade relacionada à sua própria trajetória, com participação de amigos e da equipe de atenção domiciliar.


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