O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), nomeou, nesta sexta-feira (30/10/2026), Adolpho Loyola para reassumir a Secretaria de Relações Institucionais (Serin) e Fabya Reis para retornar ao comando da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades). Os dois haviam deixado formalmente o primeiro escalão em agosto para atuar na campanha eleitoral governista. Com as nomeações publicadas no Diário Oficial do Estado da Bahia (DOE), Loyola substitui novamente Jonival Lucas, que volta à chefia de gabinete da Serin, enquanto Fabya reassume a Seades no lugar de José Vieira Leal Neto, que retorna à chefia de gabinete. A recomposição ocorre depois da reeleição de Jerônimo no primeiro turno das Eleições 2026 e em meio à preparação administrativa do segundo mandato.
Governo recompõe duas áreas estratégicas depois do período eleitoral
O retorno de Adolpho Loyola e Fabya Reis restabelece, nas duas secretarias, a configuração existente antes da entrada da campanha eleitoral em sua fase decisiva. Durante os afastamentos, as pastas permaneceram sob responsabilidade de integrantes das próprias estruturas administrativas, evitando a interrupção formal de suas atividades.
Na Serin, Jonival Lucas, então chefe de gabinete, passou a responder pelo expediente quando Loyola foi exonerado. O ato formal de saída de Adolpho ocorreu em 18/08/2026 e determinou que Jonival acumulasse temporariamente o comando da secretaria.
Na Seades, a exoneração de Fabya Reis foi publicada em 21/08/2026. O governo designou José Vieira Leal Neto, chefe de gabinete da pasta, para responder cumulativamente pelo órgão durante o período de afastamento da titular.
Com os atos desta sexta-feira, os dois interinos retornam às respectivas funções de chefia de gabinete, enquanto Loyola e Fabya voltam à condição de titulares.
Loyola deixou Serin para coordenar campanha de Jerônimo
A saída de Adolpho Loyola estava vinculada diretamente à organização da candidatura de Jerônimo Rodrigues à reeleição. Antes da exoneração, o governador havia escolhido o então secretário como coordenador-geral da campanha estadual.
Em 14/08/2026, durante reunião do conselho político governista, Jerônimo apresentou Loyola como responsável pela coordenação-geral da campanha. A decisão foi acompanhada da previsão de que Jonival Lucas assumiria o expediente da Serin após a formalização da saída do titular.
O afastamento foi efetivado quatro dias depois. A publicação oficial de 18/08 exonerou Adolpho Henrique Almeida Loyola do cargo de secretário e designou Jonival Lucas para responder cumulativamente pela pasta.
Loyola ocupava uma função especialmente relacionada à articulação política. Criada pela Lei nº 10.549, de 28 de dezembro de 2006, a Serin tem entre suas atribuições coordenar politicamente o Poder Executivo e administrar as relações institucionais do governo com outros Poderes, diferentes esferas governamentais, sociedade civil e suas organizações.
A transferência temporária de Loyola da estrutura administrativa para a coordenação eleitoral, portanto, levou para a campanha um auxiliar que já atuava diretamente nas relações do Palácio de Ondina com partidos, parlamentares, prefeitos, movimentos e demais interlocutores institucionais.
Fabya Reis coordenou articulação eleitoral em Salvador
A mudança na Seades aconteceu poucos dias depois. Fabya Reis deixou formalmente o cargo em 21/08/2026 para assumir uma função na estrutura eleitoral do governador em Salvador.
Fabya passou a atuar ao lado de Loyola, com responsabilidade pela coordenação da campanha na capital baiana e pelo diálogo com militantes, parlamentares e lideranças de movimentos sociais. Naquele momento, a própria dirigente vinculou a atividade eleitoral às candidaturas de Jerônimo Rodrigues, Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner e Rui Costa.
A substituição administrativa ocorreu dentro da própria estrutura da Seades. José Vieira Leal Neto, chefe de gabinete, permaneceu responsável pela pasta durante o afastamento da secretária.
A secretaria possui atribuições diretamente relacionadas à execução e coordenação de políticas de assistência social, desenvolvimento social e segurança alimentar e nutricional. Entre suas responsabilidades está a implementação estadual do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), além do apoio aos municípios em políticas de proteção social.
A volta da titular, portanto, restabelece o comando político anterior de uma área que administra políticas destinadas principalmente a segmentos em situação de vulnerabilidade social.
Jerônimo foi reeleito no primeiro turno na Bahia
A campanha estadual coordenada por Loyola terminou com a reeleição de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno de 04/10/2026.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PT alcançou 55,80% dos votos válidos, superando ACM Neto (União Brasil) e assegurando mais quatro anos no Governo da Bahia sem necessidade de uma segunda votação estadual.
O resultado manteve o grupo político liderado pelo PT no comando do Executivo estadual e abriu, ainda em outubro, a etapa de preparação do mandato 2027–2030. Após a reeleição, Jerônimo anunciou que iniciaria uma transição entre o primeiro e o segundo períodos de governo, apesar de não haver mudança de governador ou de coalizão no Palácio de Ondina.
A agenda eleitoral, entretanto, prosseguiu nacionalmente. A disputa presidencial foi decidida apenas em 25/10/2026, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no segundo turno com 51,79% dos votos válidos, diante de 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro (PL).
O retorno de Loyola e Fabya ocorre, assim, cinco dias depois do encerramento da eleição presidencial e em um momento no qual a administração estadual volta a concentrar sua agenda na gestão e no planejamento do próximo quadriênio.
Retorno não encerra discussão sobre secretariado do segundo mandato
Embora as nomeações devolvam aos dois gestores os postos ocupados antes da campanha, os atos de 30/10/2026 não significam, por si sós, confirmação antecipada de que toda a atual composição do secretariado permanecerá inalterada a partir de 2027.
Jerônimo Rodrigues já declarou publicamente que pretende modificar parte da equipe no segundo mandato. Em entrevista concedida depois da reeleição, afirmou que considera o período seguinte um novo governo e que pretende promover alterações para reorganizar a administração.
Em 28/10/2026, dois dias antes das nomeações de Loyola e Fabya, o governador voltou a informar que as mudanças ainda estavam em planejamento, sem anunciar quais pastas seriam alcançadas. Segundo declarou, pretende ouvir os partidos da coalizão e avaliar os nomes que integrarão o segundo mandato, com expectativa de concluir a definição até o final de dezembro.
Dessa maneira, é necessário distinguir dois movimentos administrativos. O primeiro é a recomposição imediata da equipe após o período eleitoral, materializada pelo retorno de Loyola e Fabya. O segundo será a formação definitiva do secretariado do mandato 2027–2030, processo ainda em construção e sobre o qual não há informação confirmada de permanência ou substituição dos dois auxiliares.
Perfis de Adolpho Loyola e Fabya Reis
Adolpho Loyola
Adolpho Loyola integrou o grupo de transição que preparou o primeiro governo Jerônimo Rodrigues e foi um dos coordenadores da campanha que levou o petista ao Palácio de Ondina em 2022. Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, exerceu a função de chefe de Gabinete do governador, antes de assumir a Secretaria de Relações Institucionais.
Sua trajetória inclui funções de assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, diretor de Fiscalização e Outorga do Ministério das Comunicações, coordenador executivo na estrutura estadual de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia.
A experiência acumulada em articulação política e administrativa explica a escolha de Loyola tanto para a Serin quanto para a coordenação eleitoral de Jerônimo em 2026.
Fabya Reis
Fabya Reis é natural de Itamaraju, no Extremo Sul da Bahia, e iniciou sua atuação pública ainda jovem, vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo o perfil oficial do Governo da Bahia, permaneceu durante 13 anos em atividades de organização de projetos, mobilização e articulação com universidades e outros movimentos sociais.
É formada em Administração e possui formação de pós-graduação em Sociologia e Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Na administração estadual, acumulou passagens por áreas de desenvolvimento social e políticas para mulheres antes de assumir a Seades.
Fabya já integrava o secretariado anunciado no início do primeiro mandato de Jerônimo Rodrigues, em janeiro de 2023, quando foi escolhida para comandar a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Na mesma composição inicial, Loyola assumiu a Chefia de Gabinete do governador.
Serin e Seades retomam titulares em momento de transição administrativa
A volta dos dois secretários tem efeitos diferentes dentro do governo.
Na Serin, Loyola reassume a articulação institucional justamente quando Jerônimo começa a discutir a composição do segundo mandato, estabelecer prioridades administrativas e negociar com os partidos de sua base. A própria natureza da secretaria coloca a pasta em posição relevante nesse processo, embora as decisões finais sobre a equipe sejam competência do governador.
Na Seades, o retorno de Fabya significa a retomada da gestão direta de políticas de assistência social, segurança alimentar e enfrentamento de vulnerabilidades, depois de pouco mais de dois meses de comando interino. A continuidade operacional durante o período ficou sob responsabilidade de José Vieira Leal Neto.
Administrativamente, os atos encerram os afastamentos relacionados à campanha de 2026. Politicamente, porém, o governo entra em outra etapa: a definição das prioridades, projetos, metas e nomes que formarão o segundo mandato de Jerônimo Rodrigues.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Janeiro de 2023 — Formação do primeiro governo Jerônimo: Fabya Reis assume a Seades, enquanto Adolpho Loyola é nomeado chefe de Gabinete do governador. O desenho inicial coloca os dois em posições estratégicas da nova administração.
- 14/08/2026 — Loyola é escolhido para coordenar a campanha: Jerônimo Rodrigues reúne o conselho político e anuncia Adolpho Loyola como coordenador-geral de sua candidatura à reeleição; Jonival Lucas é indicado para assumir temporariamente a Serin.
- 18/08/2026 — Exoneração de Adolpho Loyola: o Diário Oficial formaliza sua saída da Secretaria de Relações Institucionais e designa Jonival Lucas para responder cumulativamente pelo expediente da pasta.
- 20 e 21/08/2026 — Fabya assume função na campanha e deixa a Seades: a dirigente é anunciada para coordenar a campanha de Jerônimo em Salvador e tem sua exoneração publicada no DOE; José Vieira Leal Neto assume interinamente a secretaria.
- 04/10/2026 — Jerônimo Rodrigues é reeleito: o governador vence a disputa estadual no primeiro turno com 55,80% dos votos válidos, segundo o TSE. O resultado inicia a preparação política e administrativa para o mandato 2027–2030.
- 25/10/2026 — Encerramento da eleição presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito presidente no segundo turno com 51,79% dos votos válidos. O resultado encerra o calendário eleitoral nacional de 2026 para a Presidência.
- 27 e 28/10/2026 — Jerônimo discute mudanças no segundo mandato: o governador reafirma publicamente que pretende promover alterações no secretariado e informa que a composição definitiva ainda será objeto de avaliação.
- 30/10/2026 — Loyola e Fabya retornam ao primeiro escalão: atos publicados no Diário Oficial nomeiam Adolpho Loyola novamente para a Serin e Fabya Reis para a Seades. Jonival Lucas e José Vieira Leal Neto retornam às respectivas chefias de gabinete.








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