Bahia amplia em 112% número de médicos residentes financiados pelo Ministério da Saúde e chega a 1,8 mil em 2026

A Bahia passou de 875 médicos residentes ativos com bolsas financiadas pelo Ministério da Saúde, em 2022, para 1.855 em 2026, um crescimento de 112%, segundo dados apresentados na quinta-feira (15/10/2026), durante uma atividade alusiva ao Dia dos Professores, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA), em Salvador. A iniciativa destacou a participação de docentes, preceptores e tutores na formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O encontro integrou uma mobilização nacional voltada ao reconhecimento do papel dos profissionais responsáveis pela formação teórica e prática de residentes. Participou da atividade o secretário-adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Jérzey Timóteo Ribeiro Santos, que ressaltou a relação entre ensino, assistência e organização do sistema público de saúde.

A programação também contou com a participação da Maternidade Climério de Oliveira (MCO-UFBA). A iniciativa destacou a contribuição das universidades, dos hospitais universitários e dos serviços públicos para a formação de especialistas, por meio de atividades que associam o conhecimento acadêmico à experiência prática no atendimento à população.

Residências médicas e multiprofissionais crescem na Bahia

Os dados apresentados apontam expansão das bolsas financiadas pelo Ministério da Saúde em diferentes modalidades de residência. Na Bahia, o número de residentes médicos passou de 429 para 1.059 entre 2022 e 2026. No mesmo período, os residentes de outras áreas profissionais da saúde aumentaram de 446 para 796.

A soma desses dois grupos passou de 875 para 1.855 residentes ativos, o que corresponde ao crescimento de 112% informado pelo Ministério da Saúde. Os números abrangem tanto a formação médica quanto as residências em outras profissões da saúde, modalidades que preparam profissionais para atuar em serviços de assistência e em equipes multiprofissionais.

A residência em saúde combina atividades de formação com a atuação supervisionada em ambientes assistenciais. Nesse processo, preceptores, tutores e docentes acompanham o desenvolvimento de competências profissionais, orientam procedimentos e relacionam o conteúdo teórico às demandas encontradas nos serviços de saúde.

Hupes-UFBA reúne 450 residentes em 44 programas

O Hospital Universitário Professor Edgard Santos, vinculado à Universidade Federal da Bahia (UFBA), registra 450 residentes matriculados em 44 programas de residência. Desse total, 43 são programas de residência médica e um é multiprofissional.

A estrutura hospitalar inclui 386 leitos ativos e atividades práticas destinadas a estudantes de dez cursos de graduação da área da saúde. A combinação entre assistência hospitalar, ensino e formação especializada permite que os residentes desenvolvam atividades em contato com pacientes e equipes profissionais, sob supervisão.

A Maternidade Climério de Oliveira, também vinculada à UFBA, conta com 94 residentes. A participação das duas instituições na formação em saúde integra a estrutura de ensino e assistência universitária de Salvador e contribui para a preparação de profissionais que atuarão no SUS.

Salvador concentra 1.488 residentes em programas de saúde

Na capital baiana, o levantamento apresentado contabiliza 1.488 residentes, dos quais 870 estão vinculados à residência médica e 618 a programas de outras áreas profissionais da saúde.

Salvador dispõe de 108 programas de residência médica e 44 programas de residência em área profissional da saúde, segundo os dados divulgados. A oferta reúne diferentes especialidades e campos de atuação, com formação realizada em instituições de ensino e unidades de assistência.

A concentração de programas na capital evidencia a presença de uma estrutura de formação especializada no município. A distribuição dos profissionais e os efeitos sobre o atendimento à população, contudo, dependem também da inserção dos egressos nos serviços de saúde e das necessidades assistenciais dos diferentes territórios baianos.

Programa Mais Médicos reúne 2.256 profissionais na Bahia

Além da ampliação das residências, os dados apresentados registram a presença de 2.256 médicos vinculados ao Mais Médicos na Bahia. Desse total, 2.223 atuam em 380 municípios, enquanto 33 estão lotados no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).

A distribuição demonstra a presença do programa em municípios de diferentes regiões e em território de atenção à saúde indígena. A atuação desses profissionais está relacionada à oferta de assistência médica, especialmente na atenção primária, conforme as diretrizes do programa federal.

A formação de especialistas e a presença de médicos nos municípios constituem dimensões distintas da política de recursos humanos do SUS. Enquanto as residências oferecem formação profissional em serviço, programas de provimento médico buscam ampliar a disponibilidade de profissionais nas localidades atendidas.

Ministério da Saúde amplia financiamento de residências no Brasil

A expansão observada na Bahia ocorre em um cenário de crescimento nacional do financiamento de bolsas de residência em saúde. Em 2026, o Ministério da Saúde financiava 51.591 residentes ativos em todo o país, ante 24.785 em 2023. O aumento informado é de 108,2%.

Os números abrangem residentes de diferentes áreas da saúde e indicam a ampliação do financiamento federal destinado à formação especializada. A residência é uma modalidade de ensino em serviço que articula atividades práticas, supervisão e desenvolvimento de competências profissionais.

Na folha de pagamento de setembro de 2026, 1.300 preceptores, tutores e coordenadores receberam incentivos do programa Mais Residências, conforme os dados apresentados. O apoio financeiro a esses profissionais está relacionado à estrutura de acompanhamento e orientação dos residentes nos ambientes de formação.

Política Nacional de Residências em Saúde orienta formação para o SUS

A Política Nacional de Residências em Saúde, instituída em 2025, integra as medidas destinadas a orientar a formação profissional de acordo com as necessidades do Sistema Único de Saúde. A política está inserida no conjunto de ações de organização e financiamento das residências no país.

Durante a atividade em Salvador, Jérzey Timóteo Ribeiro Santos destacou a importância da articulação entre instituições de ensino, serviços de saúde, gestão pública e comunidade para a formação dos profissionais.

“Não existe SUS sem formação”, afirmou o secretário-adjunto, ao abordar a relação entre qualificação profissional e fortalecimento do sistema público.

Ele também ressaltou o papel dos profissionais que compartilham conhecimentos e acompanham a preparação dos residentes.

A atuação de docentes, preceptores e tutores ocorre no cotidiano dos hospitais, maternidades e demais unidades de saúde que recebem estudantes e profissionais em formação. A supervisão permite relacionar o conhecimento técnico às situações encontradas na assistência e às necessidades dos usuários do sistema público.

Formação profissional e assistência caminham juntas

Os indicadores apresentados mostram que a Bahia ampliou o número de médicos residentes financiados pelo Ministério da Saúde entre 2022 e 2026, ao mesmo tempo que expandiu o total de residentes de outras áreas profissionais da saúde. A estrutura de formação inclui programas universitários, hospitais de ensino e serviços assistenciais.

Os dados nacionais também apontam aumento do número de bolsas financiadas, de 24.785 residentes em 2023 para 51.591 em 2026. Além disso, os incentivos destinados a preceptores, tutores e coordenadores integram as ações de apoio à formação em serviço.

A expansão das residências amplia as oportunidades de qualificação profissional, mas seus efeitos sobre a assistência dependem da qualidade da supervisão, da distribuição dos profissionais e da integração entre ensino e serviços. Nesse contexto, a formação de trabalhadores da saúde permanece vinculada à capacidade do SUS de responder às necessidades da população.


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