Bahia chega a 13,8 milhões de bovinos, lidera ovinos e caprinos e celebra Dia Nacional da Pecuária com avanço sanitário

A Bahia celebra o Dia Nacional da Pecuária, nesta quarta-feira (14/10/2026), com crescimento de diferentes rebanhos, recordes de produção animal e avanços na defesa sanitária. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o valor da produção pecuária estadual alcançou R$ 3,46 bilhões, enquanto o rebanho bovino chegou a 13,8 milhões de cabeças, maior resultado em 51 anos.

O desempenho produtivo ocorre após a Bahia obter, em 2025, o reconhecimento internacional como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O status sanitário amplia as condições para inserção da produção estadual em mercados que estabelecem requisitos específicos para importação de animais e produtos de origem animal.

As ações de defesa sanitária são conduzidas pelo Governo da Bahia por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em articulação com produtores e organizações do setor. A Adab mantém 384 escritórios distribuídos pelo território estadual e desenvolve atividades de vigilância epidemiológica, fiscalização, educação sanitária e prevenção de doenças.

Bahia mantém vigilância após reconhecimento contra febre aftosa

O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, relaciona os resultados alcançados à integração entre os órgãos públicos e os produtores rurais. “A atuação da Adab, em conjunto com produtores e demais instituições do setor, é parte desse esforço para promover uma atividade cada vez mais produtiva, segura e sustentável”, afirma.

Além do status sanitário relacionado à febre aftosa, a Adab tornou-se a primeira agência de defesa agropecuária do Brasil a obter a certificação internacional ISO 9001:2015. O reconhecimento envolve procedimentos de gestão, padronização de processos, rastreabilidade e prestação de serviços nas diferentes áreas de atuação da instituição.

Segundo o diretor da Adab, Paulo Sérgio Luz, a manutenção dos mecanismos de controle depende da participação dos produtores e da capacidade de resposta dos órgãos de defesa. “A articulação entre poder público e setor produtivo é fundamental para ampliar a adesão às medidas preventivas e manter a capacidade de resposta diante de riscos sanitários”, declara.

Produção pecuária alcança R$ 3,46 bilhões e bovinos chegam a 13,8 milhões

Os resultados da PPM 2025 apontam que o valor da produção pecuária baiana atingiu R$ 3,46 bilhões, crescimento de 4,7% em relação a 2024. O levantamento reúne informações sobre efetivos dos rebanhos e diferentes produtos de origem animal nos municípios brasileiros.

Na bovinocultura, a Bahia registrou 13,8 milhões de cabeças, acréscimo de aproximadamente 130,4 mil animais em comparação com o ano anterior. O efetivo representa o maior volume em 51 anos, correspondeu ao segundo maior aumento absoluto registrado entre os estados e manteve a Bahia na sétima posição nacional, com 5,9% do rebanho bovino brasileiro.

A expansão também ocorreu na ovinocaprinocultura, segmento no qual a Bahia mantém a liderança nacional. O estado alcançou aproximadamente 6 milhões de ovinos e 4,7 milhões de caprinos. Os aumentos foram de 13,9% entre os ovinos e 9,7% entre os caprinos, os maiores crescimentos absolutos do Brasil nas respectivas categorias.

Equinos, aves, ovos e mel também registram crescimento

O efetivo de equinos alcançou 494,1 mil animais, crescimento de 2,9%, resultado que colocou a Bahia na segunda posição nacional. Entre os galináceos, houve avanço de 3%, com o estado chegando a 48,1 milhões de aves.

A produção de ovos de galinha atingiu 134,1 milhões de dúzias, volume recorde da série estadual, com expansão de 5,2%. A produção de mel, por sua vez, voltou a crescer depois de dois anos de redução e alcançou 4,8 mil toneladas, alta de 4,2%.

Na pecuária leiteira, a produção estadual chegou a 1,23 bilhão de litros de leite em 2025. O valor gerado pela atividade aumentou 0,3%, alcançando aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Setor aponta rastreabilidade, crédito e tecnologia entre próximos desafios

Para o presidente da Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste), Gill Areas, a cooperação entre produtores, Seagri e Adab contribui para os resultados registrados pelo setor. Entre os pontos considerados necessários para ampliar a inserção da pecuária nos mercados estão sanidade animal, rastreabilidade, certificação e industrialização da produção.

“O desafio é transformar o crescimento dos rebanhos em maior produtividade, competitividade e rentabilidade para o produtor. Para isso, precisamos avançar no acesso ao crédito, na infraestrutura, no melhoramento genético, na recuperação de pastagens e na adoção de novas tecnologias”, avalia.

A manutenção do reconhecimento sanitário, a implantação de mecanismos de identificação e rastreabilidade animal, a ampliação da produtividade e os investimentos em infraestrutura passam, portanto, a integrar a agenda do setor diante do crescimento dos rebanhos. Os próximos levantamentos do IBGE permitirão acompanhar se a expansão dos efetivos será acompanhada por aumento da produção, do valor gerado pelas cadeias pecuárias e da participação da Bahia nos mercados nacional e internacional.


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