A Câmara dos Deputados terá 183 parlamentares em primeiro mandato na legislatura que começa em 1º de fevereiro de 2027, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentados pela própria Casa. O número corresponde a uma taxa de renovação de 35,67% entre os 513 deputados federais eleitos no domingo (04/10/2026), que exercerão mandato até 31 de janeiro de 2031.
Além dos novos parlamentares, 301 deputados foram reeleitos, enquanto 29 ex-deputados federais de legislaturas anteriores retornarão à Câmara. A composição resulta, portanto, de diferentes movimentos eleitorais: renovação por novos nomes, continuidade de mandatos e retorno de antigos integrantes da Casa.
O índice de novos deputados ficou próximo ao registrado na eleição de 2022, quando 39,3% dos integrantes eleitos estavam em primeiro mandato. A diferença indica redução de 3,63 pontos percentuais na taxa de renovação entre os dois pleitos.
Bancada negra terá 135 deputados
Os parlamentares autodeclarados pretos e pardos eleitos em 2026 somam 135 cadeiras, equivalentes a 26,3% das 513 vagas da Câmara dos Deputados. O número representa uma redução em relação às 139 cadeiras ocupadas por parlamentares pretos e pardos eleitos em 2022.
A redução corresponde a quatro cadeiras, ou aproximadamente 2,9% em relação ao número registrado na eleição anterior. No conjunto das candidaturas para todos os cargos eletivos, o TSE registrou 10.206 candidaturas de pessoas negras, equivalentes a 49,64% do total de candidaturas do pleito de 2026.
O resultado mantém uma diferença entre a participação de candidatos negros nas eleições e sua presença entre os deputados federais eleitos. A composição racial da Câmara será, portanto, inferior à proporção de candidaturas negras registrada pela Justiça Eleitoral.
Bancada indígena cai de cinco para três deputados
A representação indígena na Câmara dos Deputados será formada por três parlamentares, ante cinco eleitos em 2022. A nova composição corresponde a aproximadamente 0,58% das 513 cadeiras da Casa.
Foram eleitos ou reeleitos Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; Juliana Cardoso (PT-SP), com 111.904 votos; e Sônia Guajajara (Psol-SP), com 54.207 votos, eleita pelo quociente eleitoral. Guajajara foi ministra dos Povos Indígenas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Justiça Eleitoral registrou 73 candidaturas indígenas ao cargo de deputado federal em 2026. A representação parlamentar indígena permanece associada a uma trajetória iniciada na década de 1980, quando Mário Juruna (PDT-RJ) exerceu mandato entre 1982 e 1986. Em 2018, Joenia Wapichana (Rede-RR) tornou-se a primeira mulher indígena eleita para a Câmara.
Câmara terá maior bancada feminina da história
A próxima legislatura terá 108 mulheres eleitas, segundo os dados apresentados após o pleito. O número representa a maior bancada feminina da história da Câmara dos Deputados.
Em comparação com 2022, quando 91 mulheres foram eleitas, houve aumento de 17 cadeiras, equivalente a 18,68%. As mulheres passarão a representar aproximadamente 21% dos 513 deputados federais.
A advogada e professora de Direito Constitucional Damares Medina avaliou o resultado como uma ampliação da presença feminina no Legislativo, independentemente das diferenças políticas entre as parlamentares. A composição, entretanto, permanece majoritariamente masculina, já que 405 das cadeiras continuarão ocupadas por homens.
PL terá maior bancada da Câmara
O Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, com 121 parlamentares. O resultado representa 24 deputados a mais que a composição decorrente da eleição anterior, considerando a projeção baseada em 99,9% dos votos apurados.
Na segunda posição aparece a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 88 deputados. Em seguida está a Federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas, com 87 cadeiras.
Maioria das cadeiras concentra-se nas maiores bancadas
A composição partidária terá impacto sobre a formação de blocos, definição de prioridades, distribuição de emendas e organização dos trabalhos legislativos. A avaliação é da advogada Damares Medina, que destacou o peso político das cadeiras na estrutura de funcionamento da Câmara.
Os maiores grupos partidários concentrarão parcela significativa das 513 vagas. PL, Federação Brasil da Esperança e Federação União Progressista somam 296 deputados, o equivalente a aproximadamente 57,7% da Câmara.
A nova configuração também foi interpretada por Damares como resultado de um movimento de maior presença de parlamentares identificados com posições conservadoras. A análise, segundo a advogada, deve ser observada dentro de uma série histórica mais ampla de mudanças na distribuição do espectro político brasileiro desde a Constituição Federal de 1988.
Nikolas Ferreira supera 3,1 milhões de votos
A eleição de 2026 também estabeleceu novos números na votação individual para a Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, foi reeleito com mais de 3,11 milhões de votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do país.
O resultado supera a marca alcançada pelo próprio parlamentar em 2022, quando recebeu 1,47 milhão de votos e já havia estabelecido o recorde nacional de votação para deputado federal.
O segundo candidato mais votado foi Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, com 3.038.438 votos. Atualmente vereador de São Paulo e produtor de conteúdo digital, ele foi eleito para a Câmara dos Deputados.
Erika Hilton lidera votação entre mulheres
A terceira posição entre os deputados mais votados ficou com Erika Hilton (Psol-SP), reeleita com 1.596.472 votos. A parlamentar também registrou a maior votação entre as mulheres candidatas à Câmara em 2026.
Erika Hilton exerce atualmente a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. O resultado eleitoral a coloca entre os principais nomes em votação individual para a próxima legislatura.
A nova Câmara, portanto, reunirá 183 deputados em primeiro mandato, 301 reeleitos e 29 parlamentares que retornam após períodos fora da Casa. Ao mesmo tempo, terá 108 mulheres, 135 parlamentares pretos e pardos e três indígenas, além de uma configuração partidária liderada pelo PL, que terá 121 cadeiras.
A 58ª legislatura, com início em 1º de fevereiro de 2027, terá como uma de suas características a combinação entre continuidade e renovação, acompanhada por mudanças na representação de diferentes segmentos sociais e pela concentração de cadeiras nas maiores bancadas partidárias.
*Com informações da Agência Brasil.








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