A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reuniu colaboradores nesta terça-feira (29/09/2026) para uma palestra sobre saúde mental e os desafios da era digital, como parte da programação do Setembro Amarelo. Conduzido pela neuropsicóloga Luisa Cunha, o encontro abordou os efeitos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos sobre a rotina, a concentração, o sono e as relações pessoais e profissionais.
A iniciativa foi organizada pela Gerência de Recursos Humanos da CBF e teve como objetivo ampliar a discussão sobre saúde mental para além da prevenção ao suicídio, incluindo comportamentos cotidianos relacionados à hiperconectividade. Entre os temas apresentados estiveram sobrecarga cognitiva, tecnoestresse, burnout digital, procrastinação digital, multitarefa, atenção fragmentada e dificuldade de desconexão.
Após a apresentação, os colaboradores puderam participar de uma conversa com a especialista, apresentar dúvidas e discutir situações relacionadas ao uso da tecnologia. A atividade integrou as ações do Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre valorização da vida, prevenção ao suicídio, identificação de sinais de sofrimento e enfrentamento de estigmas relacionados à saúde mental.
Hiperconectividade e rotina
Segundo Luisa Cunha, a saúde mental deve ser compreendida de maneira ampla, considerando diferentes fatores capazes de interferir nas dimensões cognitivas, emocionais e sociais da vida. Para a especialista, o Setembro Amarelo também pode ser utilizado para promover conscientização e prevenção em situações cotidianas, além da abordagem específica sobre o suicídio.
A palestra tratou de situações associadas ao uso contínuo de tecnologia, como dificuldade de concentração, tempo prolongado diante das telas, procrastinação digital e redução da qualidade do sono. Também foram discutidos fenômenos relacionados à necessidade constante de responder a mensagens, acompanhar informações e permanecer disponível em ambientes digitais.
Outro ponto abordado foi a chamada atenção fragmentada, relacionada à realização simultânea de diferentes atividades e à alternância frequente entre dispositivos, aplicativos e tarefas. A discussão também incluiu a telepressão e a dificuldade de estabelecer limites entre os períodos de trabalho, descanso e convivência pessoal.
Estratégias para reduzir o uso de telas
Entre as estratégias apresentadas durante o encontro esteve a retomada de hábitos básicos de cuidado, como sono, alimentação e higiene, buscando reduzir a presença de dispositivos eletrônicos nesses momentos. A proposta considera que atividades cotidianas podem funcionar como oportunidades para estabelecer períodos de menor exposição à tecnologia.
Luisa Cunha também sugeriu a criação de “territórios livres de telas”, definidos como espaços ou momentos em que celulares, computadores e outros dispositivos não participem necessariamente da atividade. A medida pode ser aplicada durante refeições, encontros familiares, momentos de convivência ou atividades de cuidado pessoal.
A especialista destacou que a adoção gradual desses limites permite observar como a tecnologia interfere na rotina. A proposta não é eliminar o uso de dispositivos, mas criar períodos de desconexão e estabelecer uma relação mais equilibrada com os recursos digitais.
Setembro Amarelo e valorização da vida
A escolha do tema pela área de Recursos Humanos da CBF partiu da avaliação de que os efeitos da hiperconectividade fazem parte da rotina de diferentes grupos. Segundo Luciana Bastos, coordenadora de RH da CBF, o assunto foi definido após conversas com Luisa Cunha e com Guilherme Nogueira, gerente-geral de RH da entidade.
A proposta foi inserir na programação do Setembro Amarelo uma discussão relacionada a situações presentes no cotidiano dos colaboradores. Dessa forma, a atividade abordou a saúde mental a partir de fatores que podem afetar bem-estar, relações, produtividade, concentração e percepção de sentido na vida.
Para Luisa Cunha, ações de conscientização devem considerar a saúde mental como um conjunto amplo de questões. A especialista ressaltou que a valorização da vida envolve tanto a prevenção do suicídio quanto a identificação e o enfrentamento de processos que podem produzir prejuízos emocionais, cognitivos e sociais.
Tecnologia e limites no cotidiano
A discussão realizada na CBF também destacou a necessidade de estabelecer limites para a utilização da tecnologia em diferentes contextos. A presença constante de dispositivos pode dificultar períodos de descanso e ampliar a sensação de necessidade de permanecer conectado.
Nesse contexto, medidas simples, como retirar o celular de determinados momentos do dia, podem ajudar a criar espaços de convivência e descanso sem a interferência contínua das notificações e das atividades digitais.
A palestra encerrou a atividade com espaço para participação dos colaboradores, permitindo que dúvidas e situações relacionadas à saúde mental e ao uso da tecnologia fossem discutidas diretamente com a especialista. A iniciativa integrou a programação institucional do Setembro Amarelo de 2026.








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