A Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana intensificou a capacitação de profissionais das redes pública e privada para aprimorar o diagnóstico, a notificação e o atendimento de pacientes com suspeita de chikungunya e outras arboviroses. A iniciativa, conduzida pela Divisão de Controle Epidemiológico, busca preparar os serviços de saúde diante do aumento de casos da doença no município.
Entre janeiro e setembro de 2026, Feira de Santana registrou 1.765 notificações de chikungunya, das quais 1.027 foram confirmadas. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 29 notificações e 18 confirmações, segundo os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde.
A capacitação teve continuidade na quinta-feira (15/10/2026), com orientações direcionadas, nessa etapa, às equipes da atenção básica. A programação também contemplou profissionais dos níveis de média e alta complexidade, com foco na identificação de casos suspeitos, na investigação laboratorial e no manejo clínico dos pacientes.
Casos de chikungunya aumentam e exigem reforço da vigilância
Segundo Sandréa Costa, referência técnica da Vigilância Epidemiológica, a atualização dos profissionais é necessária para preparar a rede assistencial e melhorar a identificação das áreas com maior concentração de casos.
A técnica destacou que as notificações feitas pelos serviços de saúde fornecem informações para orientar o trabalho das equipes de controle vetorial. Com esses registros, a vigilância consegue identificar localidades prioritárias e direcionar as ações de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya, da dengue e da Zika.
Entre os bairros de Feira de Santana que demandam atenção estão Queimadinha, Tomba, Mochila e Cidade Nova. Os registros epidemiológicos dessas localidades contribuem para definir as áreas de atuação dos agentes de combate às endemias.
A comparação dos dados dos dois períodos evidencia o aumento expressivo das notificações e confirmações em 2026. O cenário reforça a necessidade de vigilância epidemiológica contínua, atendimento oportuno e articulação entre os profissionais de saúde e as equipes responsáveis pelo controle do mosquito.
Notificações completas ajudam a identificar áreas prioritárias
Durante a capacitação, os profissionais receberam orientações sobre o preenchimento correto das fichas de notificação. Entre os dados considerados essenciais estão endereço completo, bairro de residência, data de início dos sintomas e manifestações clínicas apresentadas pelo paciente.
A precisão dessas informações permite identificar a distribuição territorial dos casos e organizar as intervenções de campo. Endereços incompletos ou incorretos podem dificultar a localização dos pacientes e comprometer a identificação das áreas que precisam de maior atenção.
Sandréa Costa ressaltou que a notificação, isoladamente, não é suficiente quando os dados registrados apresentam falhas. Para que a vigilância epidemiológica produza informações úteis, é necessário que os registros estejam completos e permitam relacionar o caso à localidade e ao período de início dos sintomas.
A partir desses dados, os serviços de saúde podem contribuir para o planejamento das ações de prevenção, o monitoramento da transmissão e a identificação de possíveis concentrações de casos. O trabalho depende da participação dos profissionais que realizam o atendimento e o registro das ocorrências.
Exames laboratoriais auxiliam na diferenciação das arboviroses
A capacitação também abordou a investigação laboratorial das arboviroses, uma vez que chikungunya, dengue e Zika podem apresentar manifestações clínicas semelhantes. A coleta de amostras no período adequado é um dos fatores considerados na escolha do exame e na interpretação dos resultados.
Conforme as orientações apresentadas pela Vigilância Epidemiológica, o exame RT-PCR é indicado do primeiro ao quinto dia após o início dos sintomas. A partir do sexto dia, a investigação pode recorrer a exames sorológicos, de acordo com a avaliação clínica e os protocolos vigentes.
Em Feira de Santana, a coleta de material para investigação laboratorial é realizada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), no laboratório do Centro de Saúde Especializado (CSE), localizado na Rua Francisco Martins, no bairro Ponto Central, e nas policlínicas municipais.
As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), responsável pelo processamento laboratorial correspondente. A investigação auxilia na diferenciação das doenças e fornece informações para o acompanhamento epidemiológico dos casos.
Dor intensa nas articulações é característica da chikungunya
Entre as manifestações associadas à chikungunya, Sandréa Costa destacou as dores intensas nas articulações, que podem atingir mãos, punhos, tornozelos e ombros. Os sintomas podem ocorrer bilateralmente e vir acompanhados de inchaço articular.
Outras manifestações possíveis incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e manchas na pele. Como parte desses sinais também aparece em outras arboviroses, a avaliação profissional é necessária para orientar a investigação e a assistência.
A Secretaria Municipal de Saúde recomenda que pessoas com sintomas compatíveis procurem uma unidade de saúde para avaliação. O atendimento permite verificar a necessidade de exames, registrar a suspeita quando indicada e definir as medidas clínicas apropriadas, incluindo hidratação e acompanhamento.
A evolução clínica pode variar entre os pacientes. Por isso, a orientação é não depender exclusivamente da intensidade inicial dos sintomas para decidir se é necessário procurar atendimento. A avaliação profissional ajuda a identificar sinais de alerta e a determinar a conduta adequada.
Prevenção depende da eliminação de criadouros do mosquito
Além da assistência aos pacientes e da notificação dos casos, o controle da chikungunya exige medidas para reduzir a proliferação do Aedes aegypti. A Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e reservatórios devidamente tampados e limpar periodicamente os locais de armazenamento.
O uso de repelentes também integra as medidas de proteção individual recomendadas. A prevenção depende da combinação entre os cuidados domésticos, o trabalho dos agentes de combate às endemias e a participação dos serviços de saúde na identificação e comunicação dos casos suspeitos.
Embora períodos quentes e chuvosos favoreçam a proliferação do mosquito, Sandréa Costa afirmou que o crescimento das ocorrências de chikungunya está acima do esperado para a sazonalidade. Segundo a referência técnica, esse contexto exige atuação coordenada para reduzir os riscos de transmissão.
A estratégia municipal reúne, portanto, capacitação profissional, notificação epidemiológica, investigação laboratorial, atendimento clínico e controle vetorial. A qualidade dos registros e a procura oportuna por assistência são elementos importantes para orientar as medidas de vigilância e prevenção em Feira de Santana.








Deixe um comentário