O desempenho de Feira de Santana no comércio exterior contrasta com o peso demográfico, industrial, comercial e logístico do município na economia baiana. Entre janeiro e agosto de 2026, as empresas com domicílio fiscal na cidade registraram US$ 48,49 milhões em exportações, diante de US$ 141,68 milhões em importações, o que resultou em déficit comercial de US$ 93,19 milhões. No mesmo período, a Bahia havia exportado US$ 9,18 bilhões, o que significa que Feira respondeu por aproximadamente 0,53% das vendas externas estaduais.
O valor coloca Feira de Santana fora do grupo dos maiores municípios exportadores do estado. A diferença é expressiva: até agosto, São Francisco do Conde acumulava US$ 2,24 bilhões em vendas externas; Luís Eduardo Magalhães, US$ 1,84 bilhão; Camaçari, US$ 645,12 milhões; Jacobina, US$ 502,07 milhões; Mucuri, US$ 430,94 milhões; Barreiras, US$ 408,05 milhões; e Jaguarari, US$ 403,02 milhões.
Com a incorporação dos dados de setembro pelo ComexStat, a liderança baiana se ampliou: São Francisco do Conde chegou a US$ 2,44 bilhões, Luís Eduardo Magalhães a US$ 2,24 bilhões, Camaçari a US$ 748,7 milhões e Jacobina a US$ 550,2 milhões. Esses quatro municípios figuram também entre os dez maiores exportadores de todo o Nordeste. A Bahia, no conjunto, alcançou US$ 10,2 bilhões em exportações de janeiro a setembro de 2026, com crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Feira possui pauta exportadora concentrada em pneus e nos Estados Unidos
Além de relativamente pequeno diante dos principais polos exportadores baianos, o comércio exterior feirense apresenta forte concentração setorial e geográfica. Levantamento anterior do Jornal Grande Bahia, baseado no ComexStat, mostrou que, entre maio de 2025 e abril de 2026, Feira de Santana exportou aproximadamente US$ 61,9 milhões. Desse total, cerca de US$ 35 milhões, ou 56,5%, foram destinados aos Estados Unidos.
Os pneumáticos novos de borracha responderam por aproximadamente US$ 55,8 milhões, equivalentes a 90,1% das vendas externas municipais naquele intervalo. Considerados também pneus recauchutados, usados, protetores e bandas de rodagem, a cadeia chegou a 92,2% da pauta exportadora. O dado revela que Feira possui uma base exportadora não apenas menor que a dos principais municípios do estado, mas também altamente dependente de um segmento industrial e de um mercado consumidor específico.
Essa característica diferencia Feira dos grandes polos exportadores da Bahia. São Francisco do Conde está vinculado sobretudo ao petróleo e derivados; Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, ao agronegócio; Mucuri, à cadeia de papel e celulose; Jacobina e Jaguarari, à mineração; e Camaçari, a uma estrutura industrial mais diversificada.
Os dez maiores exportadores da Bahia no último ano completo
Para estabelecer uma comparação estadual sem atribuir posições ainda não publicadas de forma consolidada para todo o ano de 2026, o último ranking anual completo da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), elaborado a partir do MDIC/Secex, mostra os dez maiores municípios exportadores em 2025:
Ranking dos 10 maiores municípios exportadores da Bahia em 2025
- 1º — Luís Eduardo Magalhães
- Exportações: US$ 2,334 bilhões
- Participação nas exportações da Bahia: 20,36%
- 2º — São Francisco do Conde
- Exportações: US$ 2,037 bilhões
- Participação: 17,77%
- 3º — Camaçari
- Exportações: US$ 885,2 milhões
- Participação: 7,72%
- 4º — Mucuri
- Exportações: US$ 677,3 milhões
- Participação: 5,91%
- 5º — Jacobina
- Exportações: US$ 647,7 milhões
- Participação: 5,65%
- 6º — Barreiras
- Exportações: US$ 541,5 milhões
- Participação: 4,72%
- 7º — Ilhéus
- Exportações: US$ 451,9 milhões
- Participação: 3,94%
- 8º — Eunápolis
- Exportações: US$ 372,1 milhões
- Participação: 3,25%
- 9º — Jaguarari
- Exportações: US$ 302,8 milhões
- Participação: 2,64%
- 10º — Formosa do Rio Preto
- Exportações: US$ 302,7 milhões
- Participação: 2,64%
O ranking anual da SEI mostra que os dez primeiros concentraram aproximadamente 74,6% das exportações baianas em 2025, evidenciando forte concentração territorial das vendas internacionais do estado. Os valores têm como referência o domicílio fiscal das empresas exportadoras e não devem ser interpretados automaticamente como produção física realizada dentro de cada município.
Ranking já mudou em 2026
A fotografia de 2026 apresenta mudanças importantes. No primeiro semestre, São Francisco do Conde havia assumido a primeira colocação, com 25,71% das exportações estaduais, seguido por Luís Eduardo Magalhães, com 19,06%. Na sequência apareciam Camaçari, Jacobina, Mucuri, Barreiras e Jaguarari.
Os dados até setembro confirmam a permanência de São Francisco do Conde na liderança, com US$ 2,44 bilhões, seguido por Luís Eduardo Magalhães, com US$ 2,24 bilhões. Dessa forma, o ranking fechado de 2025 deve ser utilizado como referência histórica, enquanto a classificação definitiva de 2026 somente poderá ser estabelecida ao término do exercício.
Feira de Santana enfrenta desafio de ampliar e diversificar as exportações
O contraste entre Feira de Santana e os maiores exportadores do estado revela uma questão estrutural. Embora o município exerça papel regional relevante na indústria, no comércio, nos serviços e na logística, essa dimensão econômica ainda não se traduz em participação equivalente no comércio exterior.
A cidade exportou US$ 106,93 milhões em 2022, US$ 106,39 milhões em 2023, US$ 81,53 milhões em 2024 e US$ 66,09 milhões em 2025. Em 2026, até agosto, havia alcançado US$ 48,49 milhões. Os números mostram uma base externa relativamente limitada diante dos maiores polos baianos e reforçam a necessidade de acompanhar o fechamento anual antes de estabelecer a tendência definitiva do exercício corrente.
Para Feira de Santana, portanto, a questão estratégica não se limita ao crescimento nominal das exportações. O desafio envolve diversificar produtos, ampliar mercados consumidores e aumentar o número de empresas inseridas internacionalmente, reduzindo a atual dependência da cadeia de pneumáticos e dos Estados Unidos. O desempenho futuro dependerá também de infraestrutura logística, competitividade industrial, acesso a portos e ferrovias, inteligência comercial e capacidade empresarial de alcançar novos mercados.
Nota metodológica: o ComexStat registra as exportações municipais pelo domicílio fiscal da empresa declarante. Por isso, o município associado à operação não corresponde necessariamente ao local onde a mercadoria foi integralmente produzida, processada ou embarcada.








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