Houthis reivindicam ataques a aeroporto e refinaria na Arábia Saudita após novas explosões em Riade

Novas explosões foram registradas em Riade, capital da Arábia Saudita, nesta quarta-feira (14/10/2026), em meio à intensificação dos ataques atribuídos aos rebeldes houthis do Iêmen. O movimento, alinhado ao Irã, afirmou ter atacado instalações da petrolífera estatal saudita Aramco, além de um aeroporto e uma refinaria na capital. As ofensivas ocorrem em um cenário de escalada militar no Oriente Médio, com impactos potenciais sobre a segurança regional e o mercado internacional de energia.

A Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo para Riade e Al-Kharj, cidade localizada a sudeste da capital e que abriga uma base aérea. Quatro pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços de mísseis, segundo as informações divulgadas sobre os ataques.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, declarou que as operações contra o território saudita continuarão nos próximos dias, com foco em aeroportos e instalações petrolíferas. O grupo, entretanto, não especificou quando ocorreram todos os ataques que reivindicou contra as estruturas mencionadas.

Ataques ampliam a pressão sobre Riade

As explosões desta quarta-feira ocorrem após mais de uma semana de bombardeios diários atribuídos aos houthis contra a Arábia Saudita. Os ataques, considerados os mais intensos desde a entrada da coalizão militar liderada pelos sauditas na guerra do Iêmen, em 2015, passaram a representar uma ameaça crescente à infraestrutura e à segurança da capital.

No sábado (10/10/2026), um ataque contra o aeroporto de Riade deixou 13 mortos e centenas de feridos, conforme os dados apresentados no relato dos acontecimentos. Até então, grande parte das ofensivas estava concentrada em instalações localizadas nos arredores da capital. Os episódios mais recentes indicam uma aproximação dos bombardeios em relação às áreas centrais da cidade.

A reivindicação de ataques contra a Aramco também amplia as preocupações com a segurança do setor petrolífero saudita. A companhia ocupa posição estratégica na economia do reino, um dos principais fornecedores mundiais de petróleo bruto. Atingir instalações ligadas à produção ou ao processamento de hidrocarbonetos pode comprometer operações e aumentar a incerteza nos mercados internacionais, dependendo da extensão dos danos.

Arábia Saudita responde com ataques ao Iêmen

A escalada militar ocorre em meio à continuidade das operações de retaliação. Na terça-feira (13/10/2026), forças sauditas atacaram Sanaa, capital do Iêmen controlada pelos houthis. O movimento rebelde, por sua vez, mantém ofensivas contra alvos em território saudita.

Nesta quarta-feira, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil disparado em direção a Riade. A atuação da coalizão integra o apoio ao governo iemenita na guerra contra os houthis, que controlam partes do país e mantêm capacidade de realizar ataques além das áreas sob seu domínio.

A sequência de ataques e retaliações amplia o risco de prolongamento do confronto, dificultando as perspectivas de estabilização no Iêmen e aumentando a pressão sobre as autoridades sauditas. O cenário também envolve interesses estratégicos relacionados às rotas marítimas, às instalações petrolíferas e à influência regional do Irã.

FMI alerta para possíveis efeitos sobre os preços da energia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou preocupação com as consequências econômicas dos ataques contra a Arábia Saudita. Segundo o organismo, a continuidade das ofensivas pode produzir repercussões sobre populações de diferentes países, sobretudo se contribuir para elevar os preços dos hidrocarbonetos.

A Arábia Saudita é a maior exportadora mundial de petróleo bruto e possui a maior economia do Oriente Médio, conforme o texto de referência. Por isso, qualquer interrupção relevante no fornecimento saudita ou nas rotas utilizadas para transportar petróleo pode afetar os preços internacionais, os custos de energia e as economias dependentes de importações.

A situação é agravada pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o comércio global de petróleo. O bloqueio atribuído ao Irã, mencionado no relato, acrescenta incerteza ao abastecimento e aumenta a preocupação com possíveis interrupções nas cadeias internacionais de fornecimento.

Conflito no Iêmen mantém impasse territorial

No território iemenita, as forças governamentais enfrentam dificuldades para recuperar áreas controladas pelos houthis, apesar dos ataques aéreos realizados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita. Os combatentes rebeldes também intensificaram o cerco a Taiz, a terceira maior cidade do país.

O conflito havia passado por uma trégua em 2022, mas foi retomado em julho, segundo o relato apresentado, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Desde então, as operações militares ampliaram a instabilidade e mantiveram o país sob pressão humanitária e territorial.

Em setembro, os houthis realizaram uma ofensiva rápida e assumiram o controle de áreas do litoral iemenita no Mar Vermelho, reforçando sua posição no entorno do Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem marítima estratégica para o comércio internacional. O controle dessa região acrescenta uma dimensão econômica ao conflito, uma vez que a segurança das rotas marítimas influencia o transporte de mercadorias e de recursos energéticos.

Segurança regional e mercado petrolífero sob pressão

As novas explosões em Riade evidenciam a ampliação da capacidade de ataque dos houthis contra alvos sauditas e a continuidade da dinâmica de retaliações entre as partes. A reivindicação de ofensivas contra aeroportos e instalações petrolíferas, somada aos alertas de segurança e ao registro de feridos, mantém a capital saudita em estado de atenção.

No campo econômico, o principal risco está na possibilidade de danos à infraestrutura energética e de perturbações nas rotas de transporte de petróleo. A combinação entre os ataques, as tensões no Estreito de Ormuz e a disputa pelo controle de áreas estratégicas no Mar Vermelho pode aumentar a volatilidade dos mercados.

A evolução do conflito dependerá da continuidade das operações militares, da capacidade de defesa saudita e dos desdobramentos das disputas territoriais no Iêmen. Enquanto não houver redução das hostilidades, permanecem os riscos para a segurança regional, o abastecimento energético e a estabilidade dos preços internacionais do petróleo.

*Com informações da RFI.


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