A atacante Marcela Bontorim, conhecida como Marcelinha, de 15 anos, quer transformar a participação na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026 em mais um marco de sua trajetória no futebol. Depois de marcar três gols contra o Peru no Sul-Americano Feminino Sub-17 e contribuir para a classificação brasileira ao Mundial, a jogadora levou a bola daquela partida para casa. Agora, pretende voltar do Marrocos com uma lembrança ainda mais significativa: a medalha de campeã mundial.
A jovem já começou a campanha com participação direta no ataque brasileiro. Marcelinha marcou um dos gols da vitória por 6 a 2 sobre o Canadá, na estreia da Seleção no Mundial. O resultado abriu a participação da equipe na competição, na qual o Brasil busca conquistar um título inédito na categoria.
“Depois que fiz os três gols [no Sul-Americano], levei a bola do jogo para casa. Ela está bem guardada. Eu gostaria de levar outra bola, do Mundial. E, o mais importante, levar para casa a medalha de campeã”, afirmou a atacante, ao falar sobre suas expectativas para o torneio.
Marcelinha concilia juventude e experiência na Seleção Sub-17
Apesar de ser a jogadora mais nova do elenco brasileiro, Marcelinha já ocupa espaço na campanha da Seleção. Aos 15 anos, ela disputa partidas contra adversárias que podem ter até dois anos a mais e convive com companheiras em diferentes etapas de desenvolvimento esportivo.
A diferença de idade, segundo a própria atleta, provoca ansiedade, mas também aumenta sua motivação para competir. A atacante considera a experiência uma oportunidade de aprendizado e destaca a contribuição das demais jogadoras para sua evolução dentro e fora de campo.
“Jogar com meninas até dois anos mais velhas me dá um ‘nervosinho’, mas me dá mais vontade ainda de jogar”, relatou. Ela também afirmou sentir-se privilegiada por ter sido uma das artilheiras do Sul-Americano, mesmo atuando em uma categoria acima de sua idade.
Sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira
A convocação para a equipe nacional representa a realização de um objetivo que Marcelinha acompanhava desde antes de integrar o grupo. A jogadora contou que assistia às convocações de outras atletas e imaginava a possibilidade de também defender a Amarelinha.
“Meu sonho era jogar na Seleção Brasileira, mas eu nunca imaginava que isso fosse acontecer. Eu via as meninas sendo convocadas e queria estar ali também. Conseguir isso foi muito especial. Sou muito honrada por estar aqui hoje”, declarou.
A participação no Mundial amplia a experiência internacional da atacante e oferece a oportunidade de disputar uma competição de alcance global ainda na adolescência. Além do objetivo coletivo de conquistar o título, Marcelinha busca consolidar sua trajetória nas categorias de base do futebol brasileiro.
Início no futebol ocorreu em escolinhas com maioria de meninos
Natural de São Pedro, no interior de São Paulo, Marcelinha começou a jogar futebol em escolinhas frequentadas principalmente por meninos. Segundo a atacante, a oferta de atividades específicas para meninas era limitada em sua cidade, circunstância que tornou o apoio familiar importante para a continuidade de sua formação esportiva.
A jogadora contou que os pais a incentivaram desde os primeiros passos e a matricularam em escolinhas para que pudesse desenvolver suas habilidades. Quando precisou confirmar se queria seguir no futebol, respondeu que sim e decidiu realizar um teste na Ferroviária, clube pelo qual foi aprovada.
“Meus pais sempre me apoiaram. Eles me colocavam em escolinhas e eu jogava com os meninos, porque na minha cidade não tem muito futebol feminino. Tem poucas meninas”, explicou. A atacante também relatou que os pais perguntaram se o futebol era realmente o caminho que desejava seguir antes de ela fazer o teste.
Mudança de posição ajudou a construir a artilharia no Sul-Americano
Na Ferroviária, onde continua atuando, Marcelinha experimentou diferentes funções ofensivas antes de se firmar como atacante. Inicialmente, jogava como meia e depois passou a atuar pelas pontas e como centroavante, posições que ajudaram a desenvolver sua participação nas ações de ataque.
“Eu jogava de meia na minha cidade, mas gostava de fazer gols. Comecei a jogar de ponta, de centroavante, e fui pegando gosto. Hoje, gosto muito de jogar de atacante”, afirmou.
A mudança de posicionamento foi decisiva na partida contra o Peru pelo Sul-Americano Feminino Sub-17 de 2026. No segundo tempo, Marcelinha passou a atuar mais adiantada e marcou três vezes. O desempenho contribuiu para a vitória brasileira que assegurou a classificação ao Mundial. Ao final da campanha continental, a atacante havia marcado quatro gols, integrando o grupo de artilheiras da competição.
Bola do hat-trick inspira objetivo de conquistar o Mundial
Marcelinha atribuiu os três gols contra o Peru também à participação das companheiras de equipe, destacando a importância do trabalho coletivo para o resultado. Segundo ela, a mudança de posição permitiu receber mais passes e participar com maior frequência das jogadas ofensivas.
“Foi um jogo bem difícil. Os dois times estavam conseguindo jogar bem, mas, no segundo tempo, fui para a posição de atacante. Comecei a receber mais bolas e consegui fazer os três gols graças às minhas companheiras de equipe”, relatou.
A bola levada para casa após o hat-trick tornou-se uma lembrança da campanha continental e da classificação brasileira. No Mundial disputado no Marrocos, a atacante procura associar a evolução individual ao objetivo coletivo da Seleção: conquistar o primeiro título mundial feminino Sub-17 do Brasil.
Com gol na estreia diante do Canadá e experiência acumulada no torneio sul-americano, Marcelinha participa da competição como uma das opções ofensivas da equipe brasileira. Aos 15 anos, a jogadora da Ferroviária busca ampliar sua trajetória na base nacional e transformar a meta de conquistar uma medalha mundial em parte de sua história no futebol.








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