Mensagens mostram Daniel Vorcaro revisando textos do Metrópoles sobre Renato Gomes antes do veto do BC ao negócio Master–BRB

Na quinta-feira, 15/10/2026, novas mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, reveladas por UOL/Folha de S.Paulo e por reportagem do Estadão reproduzida pelo Terra, ampliaram os questionamentos sobre a relação entre o banqueiro e a direção do Metrópoles. Os registros indicam que reportagens eram encaminhadas a Vorcaro antes da publicação, que sugestões de alterações foram incorporadas e que parte desse diálogo envolveu textos sobre Renato Dias de Brito Gomes, então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC) e personagem central na análise da tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Levantamento das mensagens identificou pelo menos 14 textos enviados previamente ao banqueiro, dos quais 11 teriam sido modificados após suas observações; a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, nega que o contrato publicitário mantido com o grupo financeiro tenha interferido na linha editorial.

A revelação ganha relevância porque ocorreu durante um período no qual o Master buscava aprovação regulatória para uma operação de grande impacto financeiro: em 28/03/2025, o Conselho de Administração do BRB aprovou a compra de 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Master. O negócio dependia do Banco Central, que acabou indeferindo a operação em 03/09/2025. Gomes não era diretor de Fiscalização — cargo distinto dentro da estrutura do BC —, mas comandava a diretoria responsável por organização do sistema financeiro e resolução, que participou da análise técnica do negócio.

Mensagens mostram reportagens submetidas previamente a Vorcaro

Segundo o levantamento publicado pelo UOL, a comunicação direta entre Daniel Vorcaro e Lilian Tahan foi estabelecida em 2024, período em que o Banco Master negociou com o Metrópoles um contrato publicitário de R$ 20 milhões. A apuração afirma que, nos meses seguintes, o banqueiro passou a receber antecipadamente textos sobre seus negócios, sugerir modificações e ser consultado pela executiva sobre possíveis abordagens jornalísticas.

O conjunto analisado contém pelo menos 14 reportagens encaminhadas antes da publicação. De acordo com a apuração, 11 foram alteradas depois das manifestações de Vorcaro e outros conteúdos teriam sido produzidos após pedidos ou sugestões feitas pelo banqueiro. Esse padrão, e não uma consulta editorial isolada, é o elemento central do questionamento levantado pelas mensagens.

Em 02/04/2025, poucos dias depois do anúncio da operação BRB–Master, Vorcaro reclamou de uma informação publicada sobre uma suposta oferta pelo banco. A resposta de Tahan registrada na conversa foi: “Tiramos”. Em outra troca, nos dias seguintes, a CEO encaminhou a proposta de uma reportagem comparando os balanços das duas instituições e consultou o banqueiro antes da publicação.

Em maio de 2025, uma reportagem relacionada à venda de ativos do Master ao BTG Pactual também foi encaminhada previamente. Vorcaro solicitou a retirada de uma referência à Hapvida, e a mudança foi aceita, segundo as mensagens divulgadas.

Os registros, portanto, vão além de pedidos tradicionais de confirmação de dados ou de manifestação para o contraditório. Mostram situações nas quais o personagem diretamente interessado no conteúdo teve acesso a versões ainda não publicadas e fez sugestões sobre informações que deveriam permanecer ou ser retiradas.

Renato Gomes entra no centro da cobertura durante análise do negócio com o BRB

O episódio mais sensível envolve Renato Gomes. Naquele momento, ele dirigia a área de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, enquanto a autarquia analisava a aquisição de parte do Master pelo BRB. Documentos oficiais do BC confirmam que Gomes ocupava essa diretoria; o cargo de diretor de Fiscalização era exercido separadamente.

Em agosto de 2025, segundo as reportagens baseadas nas mensagens extraídas pela PF, Tahan encaminhou a Vorcaro uma entrevista realizada com Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. O texto continha referências a Gomes. Vorcaro sugeriu reduzir naquele momento o espaço destinado ao diretor e reservar o material para uma reportagem específica posteriormente.

A reportagem específica seria publicada pelo Metrópoles em 01/09/2025, com o título “Técnico ou político? Quem é Renato Gomes, diretor do BC que vai decidir futuro do Master”. O próprio texto publicado apresentava Gomes como personagem decisivo na apreciação da operação e registrava dúvidas existentes no mercado sobre sua atuação, ao mesmo tempo em que expunha sua formação acadêmica e trajetória técnica.

Antes da publicação, contudo, Tahan encaminhou o texto a Vorcaro e perguntou sua avaliação. Segundo as mensagens divulgadas pelo Estadão, o banqueiro propôs retirar uma referência à possibilidade de falência da instituição, inserir a existência de uma suposta divisão interna no Banco Central sobre o negócio e acrescentar rumores de que Gomes poderia migrar posteriormente para um grande banco privado. A reportagem publicada incorporou elementos sugeridos na conversa.

No dia seguinte, outro conteúdo relacionado a Gomes também foi discutido. Em 03/09/2025, Tahan enviou a Vorcaro uma fotografia da divulgação de uma reportagem em painéis eletrônicos de Brasília e escreveu: “Em todos os painéis da cidade”, segundo o material revelado pelo Estadão.

A data tem relevância histórica porque, naquela mesma quarta-feira, 03/09/2025, o Banco Central indeferiu formalmente a aquisição do Master pelo BRB. A coincidência temporal, porém, não permite estabelecer relação causal entre a campanha de divulgação da reportagem e a decisão regulatória. Não há, nas informações disponíveis, evidência de que os painéis tenham exercido influência sobre o colegiado do BC.

Decisão sobre Master não cabia individualmente a Renato Gomes

A caracterização de Gomes como o homem que sozinho decidiria o destino da operação exige uma ressalva institucional. Sua diretoria desempenhava papel relevante na análise técnica e na formulação do posicionamento levado à diretoria colegiada, mas decisões dessa natureza pertencem à estrutura decisória do Banco Central, e não exclusivamente a um diretor.

O negócio anunciado pelo BRB em 28/03/2025 previa a aquisição de 58% do capital total do Master, incluindo 49% das ações com direito a voto e a totalidade das ações preferenciais. O fato relevante do BRB deixava expressamente a conclusão condicionada às aprovações regulatórias.

Em 03/09/2025, o BRB comunicou ao mercado ter sido informado pelo Banco Central do indeferimento do requerimento apresentado em março. Portanto, embora Renato Gomes tivesse atuação relevante na análise e fosse visto por Vorcaro como um obstáculo ao negócio, atribuir exclusivamente a ele o veto distorceria o funcionamento institucional da autarquia.

Gomes permaneceu como diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução até o encerramento de seu mandato no fim de 2025. Documentos oficiais mostram que ele ainda integrava a Diretoria Colegiada em 31/12/2025.

Contrato de R$ 20 milhões e repasses de R$ 27,2 milhões entram no contexto

A dimensão comercial da relação entre o conglomerado de Vorcaro e o Metrópoles constitui outro elemento relevante. As mensagens analisadas pelo UOL situam em 2024 a consolidação de um contrato de publicidade no valor de R$ 20 milhões, negociado no mesmo período em que se intensificaram os contatos diretos entre o banqueiro e a CEO do grupo de comunicação.

Esse contrato não deve ser automaticamente confundido com outro conjunto de informações financeiras revelado em abril de 2026. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo Folha e Agência Estado, registraram transferências que totalizaram R$ 27.283.800 do Master para a Metrópoles Marketing e Propaganda entre 2024 e 2025. Desse montante, R$ 838,8 mil foram pagos no segundo semestre de 2024, enquanto a maior parcela foi transferida entre janeiro e outubro de 2025.

O Coaf chamou atenção, nos relatórios, para o fluxo subsequente de recursos a empresas vinculadas ao grupo empresarial de Luiz Estevão, proprietário do Metrópoles, classificando determinadas movimentações como atípicas ou passíveis de análise. Um relatório de inteligência financeira, entretanto, não equivale a uma condenação nem comprova, por si só, a prática de crime; sua função é registrar operações consideradas relevantes para eventual investigação pelas autoridades competentes.

Luiz Estevão afirmou que os valores correspondiam a diferentes relações comerciais, incluindo publicidade das marcas do grupo Master e do Will Bank, patrocínios esportivos, transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025 e direitos de nome vinculados à competição. Também sustentou que movimentações entre empresas do próprio grupo eram práticas empresariais regulares.

Assim, os R$ 20 milhões mencionados nas conversas como contrato publicitário e os R$ 27,2 milhões identificados pelo Coaf constituem referências documentais diferentes. As informações públicas disponíveis não permitem simplesmente tratá-las como o mesmo contrato nem concluir que toda a diferença entre os valores possua uma única origem.

Conversas também registraram negociação sobre patrocínio da Série D

As mensagens divulgadas nesta quinta-feira acrescentaram detalhes à explicação comercial sobre a Série D. Segundo reportagem baseada em material originalmente publicado pelo Estadão, Lilian Tahan apresentou a Vorcaro um projeto para transmissão do campeonato pelo Metrópoles e discutiu com ele a possibilidade de participação comercial do grupo financeiro.

Em 02/07/2025, a executiva procurou novamente Vorcaro para avançar nas tratativas. O banqueiro indicou uma integrante de sua equipe para dar continuidade à negociação. No mesmo dia, o Metrópoles anunciou o acordo para transmitir jogos da Série D; a parceria com a CBF foi divulgada publicamente em seguida, e as primeiras transmissões ocorreram nos dias 05 e 06/07/2025.

O patrocínio envolveu o Will Bank, então pertencente ao conglomerado Master. A existência de uma relação comercial, isoladamente, não demonstra interferência editorial. A questão jornalisticamente relevante surge porque os mesmos personagens aparecem simultaneamente em negociações publicitárias e em conversas sobre versões preliminares de reportagens relacionadas diretamente aos interesses do anunciante.

Vorcaro também pediu redução de cobertura sobre crítico do negócio

As conversas divulgadas pelo UOL mostram ainda que Vorcaro procurou interferir na intensidade da cobertura dedicada a Ricardo Cappelli, que se manifestava publicamente contra a operação entre Master e BRB e participava do debate político no Distrito Federal.

Segundo a apuração, Vorcaro perguntou à CEO se seria possível reduzir por alguns dias a exposição dada a Cappelli. Tahan respondeu que cuidaria da questão. Em manifestação ao UOL, ela contextualizou que o proprietário do Metrópoles, Luiz Estevão, também se posicionava contra a aquisição do Master pelo BRB e havia compartilhado análises críticas a respeito da operação.

O episódio é importante porque mostra que as mensagens não estavam restritas a informações factuais sobre o Master. Elas alcançavam decisões relacionadas ao espaço editorial concedido a personagens envolvidos na disputa pública em torno do negócio.

CEO do Metrópoles nega relação entre publicidade e linha editorial

O contraditório apresenta uma situação distinta entre as reportagens publicadas nesta quinta-feira. Procurada pelo Estadão para a matéria especificamente relacionada a Renato Gomes, Lilian Tahan não respondeu, segundo a publicação reproduzida pelo Terra. O espaço foi mantido aberto pelo veículo.

Ao UOL, entretanto, a executiva apresentou sua versão. Tahan afirmou que consultar fontes sobre o contexto de uma reportagem integra sua prática profissional, especialmente quando se trata de pessoas relevantes nos meios empresarial, político e jurídico. Ela também negou qualquer relação entre o contrato publicitário mantido com o Master e a cobertura jornalística produzida pelo Metrópoles.

A CEO argumentou ainda que o veículo publicou conteúdos críticos sobre empresas e negócios ligados a Vorcaro, inclusive sobre o próprio Banco Master. Essa manifestação integra o contraditório e impede que a simples existência do contrato comercial seja utilizada, sem outros elementos, como prova automática de subordinação editorial.

O ponto que permanece sujeito a escrutínio, entretanto, é mais específico: a frequência com que versões ainda não publicadas foram encaminhadas ao personagem interessado e o fato de alterações solicitadas por ele terem sido incorporadas a diversos textos, de acordo com a reconstrução das mensagens.

Caso Metrópoles surge em contexto mais amplo de estratégia de comunicação

As revelações sobre o Metrópoles não aparecem isoladamente no histórico do caso Master. Em 10/05/2026, a Folha de S.Paulo revelou documentos de um projeto de gestão de crise denominado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, que teria estruturado ações de comunicação contra o Banco Central e contra Renato Gomes depois do agravamento da crise envolvendo o banco.

Segundo essa investigação jornalística, contratos intermediados pela agência Mithi para influenciadores e outros participantes alcançaram cerca de R$ 8 milhões, e a PF teria identificado aproximadamente 40 perfis relacionados ao projeto. O material incluía direcionamentos de temas, títulos, textos, imagens e roteiros para vídeos, de acordo com a reportagem.

É necessário, porém, estabelecer uma fronteira factual: as informações disponíveis não demonstram que o Metrópoles tenha integrado o “Projeto DV”. As mensagens envolvendo o portal constituem uma frente documental própria e anterior em boa parte dos episódios. Aproximar os dois conjuntos de fatos pode ajudar a compreender o ambiente de comunicação em torno do Master, mas não autoriza atribuir ao veículo participação em uma estrutura da qual sua presença não foi comprovada.

Veto ao BRB antecedeu liquidação do Banco Master

Com a rejeição da compra pelo BRB em 03/09/2025, o Master perdeu a alternativa societária que vinha sendo negociada havia meses. A situação da instituição se deteriorou até que, em 18/11/2025, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, além de regimes especiais em outras empresas do conglomerado.

Na nota oficial, o BC informou que o Conglomerado Master representava 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional. A autoridade monetária justificou a intervenção por grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do sistema financeiro.

Esses fundamentos são relevantes porque demonstram que a liquidação resultou de uma avaliação regulatória própria e posterior ao veto à aquisição pelo BRB. Portanto, ainda que a rejeição da compra tenha eliminado uma possível solução para o Master, não é tecnicamente adequado atribuir a liquidação exclusivamente à atuação de Renato Gomes ou a um único ato decisório.

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, aprofundou posteriormente investigações sobre operações envolvendo Master e BRB. Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 04/03/2026 e permanece custodiado em Brasília. Nesta quinta-feira, 15/10/2026, estava marcada para as 14h uma nova oitiva do ex-banqueiro pela PF sobre as relações entre as duas instituições.

Segundo relatório policial citado pelo SBT News, o BRB adquiriu aproximadamente R$ 17 bilhões em créditos ligados ao Master, dos quais cerca de R$ 12,2 bilhões seriam, na tese dos investigadores, títulos sem lastro. O BRB afirma ser vítima das irregularidades sob investigação. As apurações permanecem em curso, razão pela qual suspeitas policiais não devem ser tratadas como responsabilidades definitivamente estabelecidas.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2024 — É estabelecida a comunicação direta entre Daniel Vorcaro e Lilian Tahan. No mesmo período, segundo a apuração do UOL, o Master negocia contrato publicitário de R$ 20 milhões com o Metrópoles. A relação passa posteriormente a incluir envio prévio de reportagens ao banqueiro.
  • 28/03/2025 — O Conselho de Administração do BRB aprova contrato para adquirir 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. A conclusão depende do Banco Central e de outras autorizações regulatórias.
  • 02/04/2025 — Segundo mensagens reveladas posteriormente, Vorcaro contesta informação publicada pelo Metrópoles e a direção do portal informa que o conteúdo foi retirado. O episódio integra a sequência de consultas editoriais identificada nas conversas.
  • Abril e maio de 2025 — Outras reportagens sobre o Master são encaminhadas previamente a Vorcaro. Em um dos casos, o banqueiro solicita a retirada de referência à Hapvida de texto envolvendo venda de ativos ao BTG Pactual, e a alteração é aceita.
  • 02/07/2025 — Tahan procura Vorcaro para prosseguir nas tratativas de patrocínio relacionadas ao projeto de transmissão da Série D; o banqueiro indica uma integrante de sua equipe. O Metrópoles anuncia naquele período o acordo para transmitir a competição.
  • Agosto de 2025 — Reportagem com entrevista de Roberto Campos Neto é enviada previamente a Vorcaro. O banqueiro sugere reduzir naquele texto as referências a Renato Gomes para reservar o tema a uma reportagem posterior. Também aparecem conversas sobre a intensidade da cobertura dedicada ao crítico da operação Ricardo Cappelli.
  • 01/09/2025 — O Metrópoles publica “Técnico ou político? Quem é Renato Gomes, diretor do BC que vai decidir futuro do Master”. Antes da publicação, Tahan havia submetido o texto a Vorcaro, que sugeriu alterações posteriormente incorporadas, segundo as mensagens divulgadas.
  • 03/09/2025 — Tahan envia a Vorcaro fotografia da divulgação de conteúdo sobre Gomes em painéis eletrônicos de Brasília. Na mesma data, o Banco Central indefere a aquisição do Master pelo BRB. Não há evidência disponível de relação causal entre os dois acontecimentos.
  • 18/11/2025 — A Polícia Federal deflagra a primeira fase ostensiva da Operação Compliance Zero e o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando crise de liquidez, deterioração econômico-financeira e violações às regras do Sistema Financeiro Nacional.
  • 31/12/2025 — Documentos do Banco Central registram Renato Gomes ainda na composição da Diretoria Colegiada no encerramento de seu mandato, como diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
  • 09/04/2026 — Reportagens baseadas em relatórios do Coaf revelam transferências de R$ 27,2 milhões do Master ao Metrópoles entre 2024 e 2025. Luiz Estevão atribui os valores a contratos de publicidade, marketing e patrocínios esportivos e defende a regularidade das operações.
  • 10/05/2026 — A Folha revela o chamado Projeto DV, estratégia de gestão de crise que, segundo documentos obtidos pelo jornal, incluía ações de comunicação contra o Banco Central e Renato Gomes e contratos que somavam aproximadamente R$ 8 milhões. Não há prova apresentada nas fontes disponíveis de que o Metrópoles integrasse esse projeto.
  • 15/10/2026 — UOL/Folha e Estadão divulgam novas mensagens indicando envio de reportagens do Metrópoles a Vorcaro antes da publicação e alterações feitas após suas sugestões. No mesmo dia, estava prevista nova oitiva do ex-controlador do Master pela PF sobre as relações com o BRB.

O núcleo de interesse público do episódio não está na existência de contatos entre uma redação e uma fonte — prática indispensável ao jornalismo —, mas na natureza, frequência e finalidade aparente das consultas documentadas. Confirmar informações, solicitar contraditório e conferir precisão factual são procedimentos editoriais legítimos. A situação se torna qualitativamente diferente quando um personagem com interesse econômico direto recebe versões integrais antes da publicação, sugere exclusões ou enquadramentos e vê parte dessas solicitações incorporada ao texto. As mensagens reveladas sustentam a necessidade de esclarecer onde terminava a checagem jornalística e onde começava a participação de uma fonte interessada na construção editorial.

O vínculo comercial também precisa ser analisado sem inferências automáticas. O contrato de R$ 20 milhões, os R$ 27,2 milhões em transferências posteriormente apontadas em relatórios do Coaf e o patrocínio associado à Série D são fatos relevantes para avaliar potenciais conflitos de interesse, mas não constituem, isoladamente, prova de compra de cobertura jornalística, ilícito financeiro ou acordo de favorecimento editorial. Lilian Tahan nega essa vinculação, e Luiz Estevão sustenta que os pagamentos decorreram de contratos comerciais legítimos. Qualquer conclusão jurídica exigiria documentos contratuais completos, contabilidade, contexto integral das mensagens e eventual avaliação das autoridades competentes.

Da mesma forma, escrutinar Renato Gomes era jornalisticamente legítimo. Como diretor do Banco Central envolvido na análise de uma operação bilionária entre uma instituição privada e um banco controlado pelo poder público, sua atuação, trajetória, decisões e eventuais conflitos estavam sujeitos à fiscalização da imprensa. O ponto que exige apuração é outro: se a definição do enquadramento e da intensidade dessa cobertura recebeu interferência de uma parte economicamente interessada em modificar a decisão regulatória. Até o momento, as fontes consultadas não estabelecem acusação criminal contra o Metrópoles ou contra Lilian Tahan relacionada especificamente a esse episódio, tampouco demonstram que o portal tenha integrado o posterior Projeto DV.

O caso possui relevância pública porque envolve simultaneamente independência editorial, governança de veículos de comunicação, relações entre anunciantes e imprensa e a integridade do processo regulatório do sistema financeiro. Os próximos esclarecimentos dependem da íntegra das mensagens e documentos obtidos pela PF, dos contratos comerciais entre o conglomerado Master e o Metrópoles, da identificação precisa dos pagamentos, dos procedimentos internos adotados na produção das reportagens e dos desdobramentos da Operação Compliance Zero. À Polícia Federal, ao Ministério Público, ao Judiciário, ao Banco Central e às próprias organizações jornalísticas caberá delimitar, dentro de suas respectivas competências, o que corresponde a relação comercial legítima, prática editorial discutível, eventual conflito de interesse ou fato com consequência jurídica.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro recebeu antecipadamente reportagens do Metrópoles, sugeriu alterações e opinou sobre textos relacionados ao então diretor do Banco Central Renato Gomes, durante a análise da compra do Master pelo BRB. O caso envolve contrato publicitário de R$ 20 milhões, repasses de R$ 27,2 milhões registrados pelo Coaf e questionamentos sobre independência editorial, enquanto a direção do portal nega interferência comercial na cobertura.
Mensagens mostram Daniel Vorcaro revisando textos do Metrópoles sobre Renato Gomes durante a crise do Banco Master e a análise do negócio com o BRB.

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