ONU alerta para momento nuclear mais perigoso desde a Guerra Fria após fim do New START

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou o cenário nuclear internacional como “o mais perigoso desde o fim da Guerra Fria” durante uma reunião plenária de alto nível realizada em 29 de setembro de 2026, em referência ao Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.

Guterres afirmou que a ameaça nuclear permanece décadas após os ataques contra Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Segundo ele, os arsenais continuam em processo de expansão e modernização, enquanto novas tecnologias ampliam os riscos associados a acidentes, falhas de comunicação e erros de cálculo.

O alerta ocorre em um contexto de mudanças nos mecanismos internacionais de controle de armas. Entre os principais pontos citados pelo secretário-geral está o fim do Tratado New START, que deixou de vigorar em 05/02/2026, encerrando o último acordo bilateral entre Estados Unidos e Rússia que estabelecia limites juridicamente vinculativos para seus arsenais nucleares estratégicos.

Fim do New START altera cenário de controle nuclear

O New START foi assinado pelos Estados Unidos e pela Rússia em 2010 e entrou em vigor em 2011. O acordo estabelecia limites para determinados arsenais estratégicos das duas potências nucleares e previa mecanismos de verificação.

A expiração do tratado, em fevereiro de 2026, ocorreu sem a entrada em vigor de um novo acordo bilateral que o substituísse. Com isso, Estados Unidos e Rússia passaram a não contar com esse instrumento jurídico bilateral para estabelecer limites aos seus arsenais estratégicos.

Guterres defendeu a negociação urgente de um sucessor para o New START, com o objetivo de restabelecer mecanismos de controle e reduzir os riscos associados à manutenção e ao desenvolvimento dos arsenais nucleares.

Modernização dos arsenais aumenta desafios tecnológicos

Outro ponto destacado pelo secretário-geral é a modernização dos arsenais nucleares. Segundo a avaliação apresentada à ONU, o desenvolvimento de novas tecnologias acrescenta fatores de complexidade aos sistemas de comando, controle e tomada de decisão relacionados às armas nucleares.

Guterres citou a evolução tecnológica como um elemento capaz de aumentar os riscos de acidentes e erros de cálculo. O avanço de diferentes capacidades militares ocorre paralelamente à redução ou ao enfraquecimento de alguns mecanismos internacionais de controle.

Para o secretário-geral, a combinação entre arsenais modernizados, ameaças estratégicas e novas tecnologias exige a manutenção de mecanismos de segurança e diálogo entre os Estados que possuem armas nucleares.

Conferência do TNP termina sem consenso

O secretário-geral também mencionou a 11ª Conferência de Revisão do Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) como parte dos desafios atuais. O encontro terminou sem resultados substantivos consensuais, segundo a avaliação apresentada por Guterres.

O TNP reúne compromissos relacionados à não proliferação de armas nucleares, ao uso pacífico da energia nuclear e ao desarmamento. O tratado é considerado um dos principais instrumentos do sistema internacional de controle nuclear.

Guterres também apontou dificuldades na Comissão de Desarmamento das Nações Unidas, que concluiu mais um ciclo de três anos sem apresentar recomendações concretas. Para o secretário-geral, a ausência de avanços representa um problema para a construção de medidas multilaterais de redução dos riscos nucleares.

ONU defende retomada das negociações

Entre as medidas apresentadas por Guterres está a necessidade de evitar uma nova corrida armamentista e reduzir o papel das armas nucleares nas políticas de segurança dos Estados.

O secretário-geral também defendeu a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) e o avanço das negociações relacionadas à eliminação das armas nucleares.

Outra proposta é fortalecer mecanismos internacionais de controle e redução de riscos, com ações voltadas à manutenção da estabilidade estratégica e à retomada do diálogo entre os países que possuem arsenais nucleares.

Mais de oito décadas após Hiroshima e Nagasaki

O alerta da ONU ocorre 81 anos após os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em agosto de 1945. As duas cidades foram atingidas por bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial.

Guterres utilizou a referência histórica para destacar que a existência de armas nucleares continua representando um risco para a população mundial. A ONU mantém a eliminação das armas nucleares como um dos objetivos de sua agenda de desarmamento.

O Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, celebrado em 26 de setembro, foi criado para ampliar a conscientização sobre os riscos associados às armas nucleares e estimular medidas internacionais de desarmamento.

Guterres pede substituição da corrida armamentista pelo controle de armas

Ao abordar o cenário atual, o secretário-geral defendeu a substituição das ameaças nucleares pelo diálogo, da corrida armamentista por mecanismos de controle e da paralisia diplomática por medidas concretas.

O posicionamento ocorre em meio à expiração do New START, às dificuldades nas negociações multilaterais de desarmamento e à modernização dos arsenais existentes.

Para a ONU, a retomada das negociações entre Estados Unidos e Rússia, o fortalecimento do TNP, a entrada em vigor do CTBT e a adoção de medidas para reduzir os riscos são elementos centrais para a agenda internacional de controle e eliminação das armas nucleares.


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