Papa Leão XIV mantém agenda de recuperação, nomeia brasileiro para comissão teológica e pede trégua na Ucrânia

O papa Leão XIV concentrou três iniciativas de relevância para a Igreja Católica e para a diplomacia internacional em outubro de 2026: a continuidade de sua recuperação após uma cirurgia pulmonar, a nomeação de novos integrantes da Comissão Teológica Internacional, incluindo um professor brasileiro, e a articulação por uma trégua humanitária na Ucrânia. As medidas foram divulgadas pela Santa Sé na segunda-feira (19/10/2026), com desdobramentos previstos tanto para a agenda pontifícia quanto para a atuação diplomática do Vaticano.

Após receber alta hospitalar, o pontífice permaneceu na Residência Apostólica Vaticana, onde continua o período de recuperação. Paralelamente, formalizou mudanças na composição da Comissão Teológica Internacional para o quinquênio 2026–2031, ampliando a participação de mulheres e de teólogos leigos. No campo internacional, conversou por telefone com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para reiterar a necessidade de ajuda alimentar e médica e de uma retirada segura da população civil de Oleshky, na região de Kherson.

As três iniciativas demonstram diferentes frentes de atuação do pontificado: a condução das atividades religiosas durante a recuperação médica, a organização do trabalho teológico da Santa Sé e a busca de soluções humanitárias para a guerra entre Rússia e Ucrânia. Cada uma envolve medidas e prazos específicos, com informações divulgadas pelos canais oficiais do Vaticano.

Recuperação de Leão XIV e manutenção da audiência geral

Leão XIV continua em recuperação na Residência Apostólica Vaticana após passar por uma cirurgia em 13 de outubro para a remoção de um adenocarcinoma pulmonar. O papa recebeu alta do Hospital Agostino Gemelli no sábado (17/10/2026), depois de cinco dias de internação. Segundo as informações divulgadas pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a orientação é manter o acompanhamento pós-operatório antes da retomada integral das atividades habituais.

No domingo (18/10/2026), o pontífice apareceu à janela da residência no Vaticano para saudar os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Aproximadamente 15 mil pessoas participaram do encontro, durante o qual o papa também conduziu a oração do Angelus. A manifestação pública ocorreu um dia após a alta hospitalar e marcou seu primeiro contato com a multidão depois da internação.

A programação previa a realização da Audiência Geral na manhã de quarta-feira (21/10/2026), na Praça São Pedro. A Santa Sé informou que o encontro semanal estava confirmado naquele momento, mas não apresentou detalhes sobre o formato da participação do pontífice, incluindo a possibilidade de ele percorrer a praça no papamóvel.

Papa permanece no Vaticano durante a recuperação

A permanência no Vaticano também alterou temporariamente a rotina de Leão XIV em Castel Gandolfo, residência pontifícia onde costumava passar parte das segundas e terças-feiras, conciliando trabalho e descanso. O deslocamento para Castel Gandolfo foi suspenso enquanto o papa prossegue com a recuperação pós-operatória.

O cirurgião responsável pelo procedimento, Stefano Margaritora, havia estimado que a recuperação poderia durar cerca de dez dias. O período, contudo, não representa uma confirmação de retorno integral à agenda habitual nessa data. A retomada das atividades depende das orientações médicas e das informações que vierem a ser divulgadas pela Santa Sé.

Até a publicação das informações, não havia previsão definida sobre a participação do pontífice na visita programada a Assis, em 27 de novembro de 2026. A agenda prevê o encerramento do encontro Paz desarmada e desarmante, organizado pela Comunidade de Santo Egídio para marcar os 40 anos do evento associado ao chamado Espírito de Assis, promovido por João Paulo II.

Brasileiro integra a Comissão Teológica Internacional

Na segunda-feira (19/10/2026), Leão XIV nomeou novos integrantes da Comissão Teológica Internacional e confirmou o mandato de outros membros para o período de 2026 a 2031. Entre os novos integrantes está Tiago de Fraga Gomes, professor adjunto da Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.

A Comissão Teológica Internacional assessora a Santa Sé, especialmente o Dicastério para a Doutrina da Fé, no estudo de questões doutrinárias consideradas relevantes para a Igreja Católica. Seus integrantes são especialistas de diferentes países e tradições acadêmicas, nomeados pelo papa para mandatos de cinco anos.

Com a nova composição, o colegiado passou de 28 para 30 integrantes, seu limite máximo previsto. A distribuição geográfica também foi atualizada: são 13 representantes da Europa, quatro da Ásia, quatro da África, três da América do Norte, cinco da América do Sul e um da Austrália. O número de representantes sul-americanos aumentou de quatro para cinco em relação ao quinquênio anterior.

Participação de mulheres e leigos cresce na comissão

A nova composição registra ampliação da presença feminina e de integrantes leigos. O colegiado passou a contar com oito mulheres, três a mais do que no período anterior. Entre elas, cinco são leigas. O número de teólogos leigos homens chegou a três, totalizando oito participantes leigos entre homens e mulheres.

A presença de especialistas com diferentes trajetórias acadêmicas e eclesiais integra a estrutura de trabalho da comissão. Os membros representam instituições de ensino, centros de pesquisa e organismos católicos de diferentes regiões do mundo, contribuindo para a análise de temas doutrinários e teológicos.

A sessão plenária da Comissão Teológica Internacional está prevista para ocorrer de 23 a 27 de novembro de 2026. A instituição foi criada pelo papa Paulo VI em 1969 e teve seus estatutos definitivos promulgados por João Paulo II em 1982. Ao longo de sua história, publicou 33 documentos, com aprovação de seu presidente, função vinculada à liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

Leão XIV conversa com Zelensky sobre crise humanitária em Oleshky

No campo diplomático, Leão XIV telefonou ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na segunda-feira (19/10/2026), para tratar da situação de Oleshky, cidade localizada na região de Kherson, sob ocupação russa. A conversa ocorreu depois de um contato telefônico com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, realizado na sexta-feira (16/10/2026), quando o pontífice ainda estava internado no Hospital Gemelli.

Segundo comunicado da Santa Sé, o papa voltou a manifestar preocupação com as condições da população civil e defendeu a colaboração entre as partes envolvidas no conflito. O objetivo é permitir a chegada de alimentos e medicamentos e viabilizar a evacuação voluntária e segura dos moradores.

A iniciativa dá continuidade ao apelo por uma trégua humanitária em Oleshky, apresentado anteriormente a Putin. O Vaticano reiterou seu compromisso com o diálogo e com a busca da paz, defendendo medidas que reduzam os riscos enfrentados pelos civis em meio aos combates.

População de Oleshky enfrenta restrições de acesso a serviços essenciais

De acordo com as informações divulgadas pelo Vatican News, cerca de 2 mil pessoas permaneciam em Oleshky, incluindo aproximadamente 50 crianças, segundo fontes ucranianas citadas na reportagem. A população enfrentava falta de água, eletricidade, medicamentos e ambulâncias, em um cenário agravado pelas restrições de circulação e pelas condições de segurança na região.

A ponte que ligava a cidade a Kherson foi destruída em novembro de 2022, enquanto estradas da região e de localidades vizinhas estavam minadas, segundo as informações publicadas. Esses obstáculos dificultavam a saída dos moradores e a criação de corredores seguros para a retirada de civis.

As responsabilidades pelo bloqueio da assistência humanitária são objeto de acusações entre os governos envolvidos. Autoridades ucranianas acusam as forças russas de impedir a abertura de corredores humanitários, enquanto Moscou atribui responsabilidades a Kyiv. Nesse contexto, o pedido do papa busca a cooperação das duas partes para permitir a entrada de ajuda e a saída segura da população.

Diplomacia do Vaticano busca manter canais de diálogo

Os contatos com Putin e Zelensky fazem parte da atuação diplomática de Leão XIV em relação à guerra. Desde o início de seu pontificado, o papa defende negociações e já ofereceu o Vaticano como local neutro para eventuais conversações destinadas a alcançar uma solução para o conflito.

Os contatos anteriores com Zelensky incluíram conversas sobre negociações de paz, prisioneiros de guerra e o retorno de crianças ucranianas deportadas para a Rússia. O pontífice também manifestou apoio à assistência humanitária e à busca de uma solução negociada para a guerra.

A articulação por Oleshky representa uma tentativa de priorizar medidas imediatas de proteção da população civil, sem abandonar a perspectiva de diálogo político. A eventual trégua depende, porém, da colaboração das partes envolvidas e da implementação de condições que permitam a chegada de ajuda humanitária e a evacuação segura dos moradores.

Três frentes de atuação no pontificado

As iniciativas divulgadas em 19 de outubro de 2026 mostram a continuidade de diferentes dimensões da atuação de Leão XIV. No plano interno, a recuperação médica exige ajustes na agenda e acompanhamento das condições de saúde. Na organização eclesial, as nomeações renovam a composição de um organismo consultivo responsável por estudos teológicos.

Na esfera internacional, o contato com os presidentes da Rússia e da Ucrânia coloca a assistência à população de Oleshky no centro de uma iniciativa diplomática do Vaticano. As ações têm naturezas distintas, mas integram a condução do pontificado em questões religiosas, institucionais e humanitárias.

O resultado concreto dos esforços diplomáticos dependerá dos próximos passos dos governos envolvidos. Da mesma forma, a retomada integral da agenda papal dependerá da evolução clínica de Leão XIV e das orientações médicas. A Santa Sé mantém, assim, duas prioridades paralelas: a recuperação do pontífice e a continuidade das atividades institucionais e diplomáticas.

*Com informações da Vatican News.


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