Nesta terça-feira (20/10/2026), novas informações sobre um inquérito da Polícia Federal (PF) que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) colocam sob investigação diferentes operações e relações envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado Willer Tomaz, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A apuração, originada em investigações relacionadas ao setor de apostas, examina suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras, viagens, estruturas empresariais e uma contratação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Documentos oficiais confirmam elementos objetivos da contratação pública investigada, mas as suspeitas criminais permanecem em fase de apuração, sem que o material disponível autorize atribuir responsabilidade penal aos citados.
Inquérito nasceu de apuração sobre apostas e chegou ao STF
O principal foco da investigação é Willer Tomaz, advogado e empresário que aparece em diferentes frentes investigativas da PF. Segundo a Folha de S.Paulo, o procedimento atual surgiu como desdobramento de uma apuração sobre movimentações no mercado de apostas. Quando elementos relacionados a Flávio Bolsonaro apareceram no material, o caso foi remetido ao Supremo em razão do foro do senador, e Alexandre de Moraes foi sorteado relator.
Tomaz também foi alvo de diligências em investigação relacionada à Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos associativos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. A PF passou a examinar movimentações patrimoniais e financeiras atribuídas ao advogado no contexto de suspeitas de lavagem relacionadas a investigados daquele caso. A defesa de Tomaz nega participação em irregularidades e contesta a caracterização de seus negócios como ilícitos.
A investigação agora conhecida reúne diferentes tipos de elementos — registros bancários, estruturas societárias, despesas de viagens, mensagens, relações empresariais e pagamentos a prestadores de serviços. A existência desses registros, isoladamente, não comprova lavagem de dinheiro. Cabe à PF estabelecer eventual origem ilícita de recursos, mecanismos de ocultação ou dissimulação e vínculos entre as operações investigadas.
Licitação da Loterj coloca Pixs Cobrança e RioPag no centro da apuração
Um dos principais eixos é uma licitação iniciada em 2022 pela Loterj para contratar serviços de processamento de pagamentos do sistema estadual de loterias. A empresa vencedora foi a Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia S.A., posteriormente denominada RioPag S.A.
De acordo com a investigação divulgada pela Folha, a PF apura a hipótese de Willer Tomaz exercer controle de fato sobre a companhia. O inquérito também examina as relações entre o advogado e Hazenclever Lopes Cançado, então presidente da Loterj, além de possíveis conexões com Cláudio Castro.
A disputa comercial tornou-se relevante porque a proposta inicial atribuída à Pixs previa repasse de 20% de sua remuneração à Loterj, enquanto a única concorrente havia apresentado 26%. Essa concorrente foi desclassificada em razão de exigência formal prevista no edital relativa à apresentação do percentual. Depois de permanecer sozinha na disputa, a Pixs negociou com a autarquia e chegou ao percentual de 26,455%.
Documentos oficiais confirmam contrato e percentual de 26,455%
Registros atualmente disponíveis no próprio portal da Loterj confirmam componentes materiais relevantes do episódio.
O Contrato nº 003/2023, vinculado ao processo SEI-150162/000531/2022, identifica como favorecida a RioPag S.A., anteriormente Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia S.A.. O objeto é a prestação de serviços de processamento de pagamentos para as loterias do Estado do Rio de Janeiro.
O contrato original possui valor estimado de R$ 32 milhões e vigência de 60 meses. O registro oficial informa ainda que termo aditivo estabeleceu remunerações variáveis e ajustou proporcionalmente o repasse devido à Loterj em até 26,455% sobre os volumes transacionados. A autorização registrada no documento é atribuída a Hazenclever Lopes Cançado.
Outro documento administrativo da autarquia, datado de 06/01/2023, registra a controvérsia ocorrida durante a licitação. A decisão afirma que a concorrente Idea Maker apresentou oferta de 26%, mas enfrentou problemas de credenciamento e de adequação formal ao edital, enquanto a Pixs apresentou proposta final de 26,455%, considerada válida pela administração. Esse documento comprova a posição administrativa da Loterj à época, mas não resolve, por si só, as dúvidas que a PF agora procura esclarecer sobre eventuais relações pessoais ou empresariais paralelas.
Rede Loto tornou-se primeira empresa autorizada pela Loterj para apostas esportivas
Outra conexão investigada decorre da atuação de Willer Tomaz no setor de apostas.
Documentação oficial da Loterj registra que a Rede Loto Ltda. foi habilitada no Edital de Credenciamento nº 001/2023, depois de análise documental realizada em 27/04/2023.
A própria autarquia anunciou posteriormente que a Rede Loto havia se tornado a primeira empresa autorizada por uma loteria estadual a operar apostas esportivas online no Brasil. A outorga tinha validade de cinco anos e valor de R$ 5 milhões. Na manifestação institucional publicada à época, Hazenclever Lopes agradeceu o apoio do então governador Cláudio Castro e da Casa Civil do Estado à iniciativa.
Em outubro de 2023, documento da Loterj registrou ainda que a plataforma apresentada pela Rede Loto havia cumprido os testes técnicos previstos no edital e sido considerada satisfatória pela comissão responsável.
Esses documentos comprovam o relacionamento institucional entre a companhia e a loteria estadual. A questão sob investigação é diferente: a PF tenta determinar se estruturas societárias, relações pessoais ou movimentações financeiras associadas aos envolvidos possuem relevância criminal.
PF examina viagens de Flávio Bolsonaro e acesso atribuído a conta de offshore
Outro núcleo da investigação concentra-se na relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
Documentos obtidos pela PF indicariam que uma empresa vinculada ao advogado atuou na contratação de voos utilizados por Flávio e familiares durante viagens pela Europa em 2025. A empresa mencionada nesse contexto é a Cathedral, estrutura empresarial ligada ao setor de apostas e à Rede Loto. Tomaz sustenta que os deslocamentos ocorreram entre amigos e que não representaram contrapartida ou operação irregular.
A investigação encontrou ainda registros segundo os quais Flávio aparecia como “usuário master” no gerenciamento de uma conta da Alcazar Holdings, empresa administrada por Willer Tomaz. Um e-mail de 22/05/2025 registra pedido para desassociar o nome do senador do gerenciador da conta.
Esse elemento é contestado pela defesa de Tomaz, que afirma que Flávio jamais teve poderes sobre contas de suas empresas. Trata-se, portanto, de um dos pontos centrais que dependem de exame dos registros bancários, dos níveis efetivos de autorização concedidos e das operações eventualmente realizadas por cada usuário.
Não há, nas informações públicas analisadas, demonstração suficiente de que a simples inclusão como usuário em sistema bancário tenha resultado em movimentação ilícita realizada pelo senador. A relevância criminal dependerá da identificação de transações, beneficiários, origem dos recursos e eventual finalidade de ocultação ou dissimulação.
Cláudio Castro é investigado por relações com Tomaz e contexto da Loterj
No caso de Cláudio Castro, a PF afirma ter localizado mensagens e registros de viagens indicando proximidade entre o ex-governador e Willer Tomaz. A assessoria de Castro confirma que ambos se conhecem desde 2020, mantêm amizade e viajaram juntos, mas afirma que cada família arcava com suas próprias despesas.
A defesa do ex-governador também declarou que Tomaz atuou em alguns processos judiciais de Castro sem cobrança de honorários em razão da relação pessoal.
Sobre a contratação da Pixs/RioPag, Castro afirma que desconhecia qualquer vínculo de Willer com a empresa quando ocorreu o processo da Loterj. Também diz que não tinha conhecimento das relações anteriores entre Tomaz e Hazenclever Lopes. Segundo sua manifestação, o então presidente da Loterj foi uma indicação política do PL, mas a autarquia possuía autonomia administrativa e o governador não participou da licitação nem das tratativas empresariais.
Castro deixou governo e tornou-se inelegível em processo eleitoral distinto
Cláudio Castro renunciou ao Governo do Rio de Janeiro em 23/03/2026, quando pretendia disputar uma vaga no Senado. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por 5 votos a 2, declarar sua inelegibilidade por oito anos, contados a partir das Eleições de 2022, em ação relacionada a abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos.
Em 02/06/2026, o TSE rejeitou recursos contra a decisão e manteve a inelegibilidade.
Esse processo eleitoral é juridicamente distinto do atual inquérito sobre Willer Tomaz, Loterj e suspeitas de lavagem. As fontes consultadas não demonstram que a condenação eleitoral de Castro constitua prova das suspeitas atualmente examinadas pela PF.
PF investiga R$ 270 mil relacionados a Alexandre Ramagem
Em relação a Alexandre Ramagem, o pedido de abertura do inquérito menciona pagamentos no total de R$ 270 mil, divididos em três parcelas de R$ 90 mil. Segundo a hipótese investigativa da Polícia Federal, o ex-deputado seria o beneficiário final dos recursos.
Os pagamentos, entretanto, não foram feitos diretamente a Ramagem. O favorecido formal foi a empresa Torre Comunicação Estratégica.
A companhia afirma que os valores correspondem a serviços efetivamente prestados. Segundo sua versão, o escritório de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão contratou planejamento estratégico, monitoramento e treinamento de mídia para Ramagem quando ele era pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. O serviço teria durado três meses, e a empresa sustenta que os três pagamentos de R$ 90 mil foram acompanhados da emissão regular de notas fiscais.
A existência de contrato, serviço e documentação fiscal deverá ser confrontada pela investigação com os pagamentos realizados, comunicações entre os envolvidos e demais elementos disponíveis. Até o momento, a versão da empresa representa uma explicação empresarial para as transferências, enquanto a PF verifica se existe elemento adicional capaz de atribuir natureza irregular aos repasses.
Ramagem foi condenado pelo STF e perdeu mandato em 2025
Ramagem comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro e posteriormente foi eleito deputado federal.
Em 11/09/2025, a Primeira Turma do STF o condenou no julgamento do núcleo central da tentativa de golpe de Estado. A pena posteriormente fixada foi de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Investigações posteriores indicaram que Ramagem havia deixado clandestinamente o Brasil pouco antes da condenação. Apurações sobre a rota apontam viagem para Roraima em 09/09/2025, travessia terrestre em direção à Guiana e posterior deslocamento para os Estados Unidos.
Em 18/12/2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou formalmente a perda de seu mandato parlamentar. O ato oficial registra como fundamento constitucional a previsão de faltas às sessões deliberativas.
A condenação pela tentativa de golpe e a perda do mandato são acontecimentos independentes da investigação financeira agora revelada. Nenhum desses fatos demonstra, automaticamente, que os pagamentos de R$ 270 mil investigados no novo inquérito constituam lavagem de dinheiro.
O que significa lavagem de dinheiro e o que a PF ainda precisa demonstrar
A Lei nº 9.613/1998 define lavagem ou ocultação de bens como a conduta de ocultar ou dissimular natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes direta ou indiretamente de infração penal. A legislação prevê pena de três a dez anos de reclusão, além de multa.
Isso significa que movimentação elevada, uso de empresas, conta no exterior, pagamento por terceiros ou relação entre pessoas investigadas não constituem automaticamente lavagem. Para a responsabilização criminal, devem ser demonstrados os elementos exigidos pela legislação, incluindo a vinculação dos ativos a uma infração penal e atos de ocultação ou dissimulação.
No caso atualmente examinado pela PF, permanecem questões essenciais: quem efetivamente controlava determinadas empresas; quem ordenou cada movimentação; qual era a origem dos recursos; quais serviços foram realmente prestados; quem usufruiu economicamente dos pagamentos; e se as estruturas societárias ou bancárias tinham finalidade legítima ou foram usadas para encobrir beneficiários.
Também será necessário determinar se as diferentes operações hoje reunidas na investigação possuem relação entre si ou se representam negócios e vínculos independentes que passaram a integrar o mesmo conjunto probatório em razão das pessoas envolvidas.
Revelação ocorre cinco dias antes do segundo turno presidencial
A divulgação do novo inquérito ocorre em momento politicamente sensível. O segundo turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para domingo (25/10/2026), conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
A defesa de Willer Tomaz questionou a divulgação de peças da investigação durante a reta final da eleição e afirmou ainda não ter tido acesso integral ao procedimento. Também sustenta que suas empresas estão regularmente declaradas e que sua relação com Flávio Bolsonaro é de “amizade entre famílias”.
A campanha de Flávio não havia apresentado manifestação específica sobre todas as informações publicadas no momento da reportagem original. Em declarações anteriores, afirmou que a relação entre o senador e Tomaz era exclusivamente de amizade.
O momento eleitoral aumenta a repercussão pública das informações, mas não modifica os critérios de comprovação necessários a uma investigação criminal. A proximidade da votação exige, ao mesmo tempo, transparência das instituições e cautela para que hipóteses policiais, versões das partes e fatos comprovados não sejam apresentados como equivalentes.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Desde 2020 — Segundo a assessoria de Cláudio Castro, ele e Willer Tomaz mantêm relação de amizade desde esse período. A PF atualmente examina registros relacionados a essa proximidade.
- 2022 — A Loterj inicia o procedimento que resultaria na contratação da Pixs Cobrança, atual RioPag, para processamento de pagamentos.
- 06/01/2023 — Decisão administrativa da Loterj registra a controvérsia sobre a proposta concorrente de 26% e considera válida a oferta final de 26,455% da Pixs.
- 27/04/2023 — Comissão da Loterj registra a habilitação da Rede Loto Ltda. no credenciamento para apostas.
- 2023 — A Loterj firma o Contrato nº 003/2023 com a Pixs/RioPag, estimado em R$ 32 milhões e com vigência de 60 meses.
- 2023 — Rede Loto torna-se a primeira empresa credenciada pela Loterj para apostas esportivas online, com outorga de R$ 5 milhões por cinco anos.
- 2025 — Documentos analisados pela PF passam a relacionar empresas ligadas a Willer Tomaz ao custeio ou intermediação de viagens realizadas por Flávio Bolsonaro e familiares na Europa.
- 22/05/2025 — E-mail recuperado pela investigação registra solicitação de retirada do nome de Flávio Bolsonaro do gerenciamento de usuário master da conta da Alcazar Holdings. A defesa contesta que o senador tenha exercido poderes sobre a conta.
- 09/09/2025 — Investigações posteriores apontam o início da rota clandestina de saída de Alexandre Ramagem do Brasil em direção aos Estados Unidos.
- 11/09/2025 — STF condena Ramagem no julgamento do núcleo central da tentativa de golpe de Estado.
- 18/12/2025 — Câmara dos Deputados declara a perda do mandato de Alexandre Ramagem.
- 23/03/2026 — Cláudio Castro renuncia ao Governo do Rio de Janeiro.
- 24/03/2026 — TSE declara Castro inelegível por oito anos em processo relacionado às Eleições de 2022.
- 02/06/2026 — TSE rejeita recursos e mantém a inelegibilidade de Castro.
- 16/10/2026 — Reportagem revela documentos da investigação sobre viagens europeias de Flávio Bolsonaro vinculadas a empresa relacionada a Willer Tomaz.
- 19/10/2026 — Torna-se público que o inquérito também examina fatos relacionados a Cláudio Castro e Alexandre Ramagem, incluindo a contratação da Loterj e pagamentos de R$ 270 mil.
- 20/10/2026 — A investigação permanece em andamento no STF, cinco dias antes do segundo turno das Eleições de 2026. A votação está marcada para 25/10/2026.
O aspecto mais relevante do novo inquérito é a convergência, dentro de uma mesma apuração, de relações pessoais, contratos públicos, estruturas empresariais, setor de apostas e movimentações financeiras. Essa convergência justifica investigação aprofundada, mas não permite presumir que todos os vínculos identificados compartilhem uma origem criminosa. O trabalho da PF deverá distinguir relações privadas legítimas de operações eventualmente destinadas à ocultação de recursos ou beneficiários.
No núcleo da Loterj, a documentação pública já permite separar uma parte incontroversa da questão: a contratação da Pixs/RioPag ocorreu, o contrato está registrado oficialmente, possuía valor estimado de R$ 32 milhões, vigência de 60 meses e chegou ao índice de 26,455% de repasse. O que permanece sob investigação é se relações paralelas entre empresários, dirigentes públicos e agentes políticos interferiram ou tiveram algum papel irregular no procedimento.
Quanto aos demais personagens, há divergências objetivas a esclarecer. A PF atribui relevância ao acesso cadastral de Flávio Bolsonaro a uma conta empresarial, enquanto a defesa nega poderes bancários efetivos; investigadores examinam pagamentos relacionados a Ramagem, enquanto a empresa destinatária afirma ter executado serviços reais e emitido notas fiscais; e a proximidade entre Castro e Tomaz é admitida pelo ex-governador, que nega qualquer participação na contratação examinada. Essas contradições deverão ser resolvidas por registros bancários, contratos, comunicações, documentos fiscais, perícias e depoimentos, e não pela mera existência de relações pessoais ou políticas.
O caso possui relevância pública porque envolve um candidato à Presidência da República, um ex-governador, um ex-diretor da Abin condenado pelo STF, empresas do setor de apostas e uma autarquia estadual responsável por contratos milionários. Os próximos passos dependerão da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e das manifestações das defesas. O ponto decisivo será verificar se os elementos hoje conhecidos demonstram apenas uma rede de relações empresariais e pessoais ou se novas provas estabelecem origem ilícita de recursos, ocultação patrimonial, beneficiários dissimulados ou outras condutas penalmente relevantes.








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