A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (07/10/2026) a Operação Magen, com o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra um grupo investigado por supostas ligações com uma facção criminosa que atua no Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro. Entre os alvos estão um policial civil, um policial militar e ex-policiais.
A investigação apura a participação do grupo em crimes relacionados à venda clandestina de armas de fogo, vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a organização mantinha uma estrutura destinada à obtenção, ao transporte e à revenda ilegal de armamentos.
A apuração é conduzida pelo Grupo de Investigações Sensíveis (GISE) da Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). As investigações identificaram indícios de atuação coordenada entre os envolvidos e integrantes da organização criminosa.
Investigação aponta fornecimento de fuzis a liderança criminosa
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado comercializava fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. A apuração identificou indícios de que os suspeitos teriam fornecido dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança criminosa do Complexo de Israel.
A investigação também aponta que policiais e ex-policiais utilizavam o acesso a sistemas restritos da Administração Pública para obter informações protegidas. Entre os dados supostamente repassados aos integrantes da facção estavam informações sobre mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de operações policiais em andamento.
Segundo a PF, o compartilhamento dessas informações permitia alertar integrantes da organização criminosa sobre ações policiais, dificultando a atuação das forças de segurança. Os dados também teriam sido empregados em investigações clandestinas destinadas à obtenção de informações para extorsão de outros criminosos.
Grupo é investigado por lavagem de dinheiro
Além do comércio ilegal de armas e do acesso indevido a informações sigilosas, a operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro. Conforme os elementos reunidos pela investigação, os recursos provenientes das atividades criminosas eram submetidos a sucessivas operações destinadas a ocultar ou dissimular sua origem.
A PF identificou a movimentação de mais de R$ 100 milhões ao longo de quatro anos. Os valores teriam circulado entre contas pessoais e empresas de fachada, mecanismo apontado na investigação como parte da estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos.
A movimentação financeira integra o conjunto de elementos utilizados pelos investigadores para apurar a estrutura e a dimensão do esquema. A utilização de empresas de fachada teria contribuído para dissimular a origem e a circulação dos recursos obtidos com as atividades investigadas.
Operação Magen reúne PF e Ministério Público do Rio
A Operação Magen é resultado da atuação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro. As instituições investigam a possível existência de uma estrutura criminosa formada por agentes públicos, ex-agentes e integrantes de uma organização criminosa com atuação no Complexo de Israel.
Os sete mandados de prisão preventiva têm como objetivo alcançar pessoas apontadas como integrantes ou colaboradoras do esquema. Já os 18 mandados de busca e apreensão buscam reunir novos elementos para a investigação, incluindo documentos, dispositivos e outros materiais relacionados aos crimes apurados.
Entre as principais linhas de investigação estão o comércio clandestino de armas, o fornecimento de informações protegidas a criminosos, a possível utilização dessas informações para dificultar operações policiais e a lavagem de valores superiores a R$ 100 milhões.
Investigação apura atuação de agentes públicos
A presença de policiais em atividade e ex-policiais entre os alvos amplia o foco da apuração sobre o uso indevido de informações e sistemas restritos da Administração Pública. Segundo a investigação, o acesso privilegiado teria sido utilizado para beneficiar integrantes da organização criminosa.
Os dados supostamente repassados incluíam informações capazes de antecipar ações policiais e localizar pessoas procuradas pela Justiça. A PF também investiga a hipótese de que essas informações tenham sido utilizadas em atividades clandestinas voltadas à extorsão de outros criminosos.
Com a deflagração da Operação Magen, os investigadores buscam aprofundar a identificação dos integrantes, da estrutura financeira e das conexões utilizadas para a comercialização ilegal de armas e o repasse de informações. Os fatos ainda estão sob investigação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos deverá ser definida no curso do processo judicial.
*Com informações da Agência Brasil.








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