O Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre realiza uma homenagem ao artista plástico baiano Juarez Paraíso, de 92 anos, com a reprodução da obra Brasilidades em uma empena do Edifício Jovilo, localizado na Avenida José Joaquim Seabra, na região das Sete Portas, em Salvador. A intervenção integra as comemorações dos dez anos de atuação do projeto, criado em 2016, e busca ampliar o acesso público à produção artística do homenageado.
A execução do mural está sob responsabilidade dos artistas Nila Carneiro, Bado, Luan H e Rubens Chagas, conhecido como Suck. O trabalho adapta a composição original de Juarez Paraíso à fachada do edifício, incorporando a obra à paisagem urbana de uma das áreas de circulação comercial da capital baiana.
A iniciativa ocorre no ano em que Juarez Paraíso completou 92 anos, em 3 de setembro de 2026, e reconhece sua contribuição para as artes visuais da Bahia, especialmente na integração entre arte, arquitetura e espaços públicos. O artista acompanha a execução do painel, estabelecendo um contato direto com a nova geração de muralistas envolvidos na homenagem.
Mural amplia presença da arte pública nas Sete Portas
A escolha das Sete Portas relaciona a intervenção artística à história e à dinâmica urbana de Salvador. A região concentra atividades comerciais, feiras populares e circulação diária de trabalhadores, comerciantes e consumidores, além de integrar a memória dos deslocamentos urbanos da capital baiana, tendo abrigado sua primeira rodoviária.
Nesse contexto, a reprodução de Brasilidades transforma uma empena do Edifício Jovilo em suporte para a exposição pública de uma obra associada à trajetória de um dos artistas modernos da Bahia. A intervenção permite que pessoas que circulam pela região tenham contato com a produção de Juarez Paraíso fora dos espaços tradicionais de exposição.
O projeto também estabelece uma relação entre a memória artística da cidade e a ocupação contemporânea dos espaços urbanos. Ao incorporar a obra à arquitetura, a iniciativa retoma uma característica presente na trajetória do homenageado: a exploração das possibilidades de integração entre criação artística e ambiente construído.
“Brasilidades” reúne cores, formas orgânicas e referências culturais
A obra escolhida para a homenagem apresenta uma composição marcada por cores, formas orgânicas, elementos florais e grafismos ornamentais. A linguagem visual de Brasilidades dialoga com a experimentação artística e com referências culturais presentes na produção de Juarez Paraíso.
A adaptação para uma empena de grandes dimensões exige adequar a composição original às proporções da fachada. Os muralistas responsáveis pelo trabalho procuram preservar os elementos visuais da criação, incluindo suas formas, movimentos e relações cromáticas.
A reprodução amplia a escala de apresentação da obra e modifica sua relação com o público. Em vez de estar restrita a um ambiente expositivo, a composição passa a integrar o cotidiano de moradores e frequentadores das Sete Portas, contribuindo para a circulação da arte em espaços de uso coletivo.
Juarez Paraíso tem trajetória de mais de sete décadas nas artes visuais
Nascido em 3 de setembro de 1934, na Bahia, Juarez Paraíso desenvolveu uma carreira que abrange pintura, escultura, gravura, desenho, fotografia, muralismo, ensino e crítica de arte. Ele integra a segunda geração de artistas modernos da Bahia, ao lado de nomes como Calasans Neto, Sante Scaldaferri e Jenner Augusto.
Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o artista também atuou como professor e diretor da instituição. Sua trajetória está associada à renovação das artes visuais baianas e à defesa de relações entre arte, arquitetura e espaço público.
Entre suas contribuições está a participação na organização das Bienais da Bahia, realizadas na década de 1960. Ao longo da carreira, desenvolveu trabalhos que ultrapassaram os limites convencionais da pintura e da escultura, explorando diferentes suportes, escalas e formas de inserção no ambiente urbano.
Obras de Juarez Paraíso integram a paisagem cultural de Salvador
Entre os trabalhos conhecidos do artista está Flor de Pedras, criado em 1998 para o Museu Geológico da Bahia, no Corredor da Vitória. A obra reúne referências artísticas e científicas relacionadas à diversidade mineral do estado e passou por restauração em 2023.
Outro marco de sua trajetória foi uma instalação realizada em 1968 no antigo Cine Tupy, na Baixa dos Sapateiros. Segundo o relato apresentado sobre sua carreira, o trabalho transformava o espaço arquitetônico do cinema em uma experiência artística ambiental. A intervenção foi posteriormente destruída, tornando-se parte das discussões sobre a preservação do patrimônio artístico de Salvador.
Juarez Paraíso também realizou trabalhos monumentais no Centro Administrativo da Bahia (CAB), incluindo um mural produzido em 1974 para o edifício da antiga Secretaria da Agricultura. Sua produção inclui ainda intervenções no Hospital Aliança, onde explorou a integração entre arte, arquitetura e paisagismo.
Academia de Letras da Bahia reconhece contribuição do artista
Em reconhecimento à sua atuação cultural, Juarez Paraíso foi eleito para a Academia de Letras da Bahia em 2018 e tomou posse na cadeira nº 39 em maio de 2019.
Em janeiro de 2025, a instituição inaugurou uma galeria de artes visuais em homenagem ao artista, reforçando o reconhecimento de sua produção na história cultural baiana e brasileira.
A trajetória de Juarez também está associada às discussões sobre conservação de obras integradas a edifícios e espaços públicos. A destruição e a deterioração de trabalhos ao longo das décadas contribuíram para ampliar o debate sobre a proteção da memória artística e a necessidade de preservar intervenções que fazem parte da paisagem urbana.
A homenagem promovida pelo Projeto MURAL insere-se nesse contexto ao reproduzir uma de suas criações em uma fachada de grande visibilidade. A proposta aproxima a produção histórica do artista das práticas contemporâneas de muralismo e amplia sua presença no espaço público.
Projeto MURAL completa dez anos com mais de 65 intervenções
Criado em 2016 e idealizado pela jornalista e produtora cultural Vanessa Vieira, o Projeto MURAL tem como proposta transformar fachadas, muros e empenas de Salvador em espaços de arte pública.
Ao longo de dez anos de atuação, a iniciativa realizou mais de 65 intervenções artísticas, incluindo 26 megamurais, com a participação de mais de 50 artistas. O projeto contribui para ampliar a presença de obras de grande escala na paisagem urbana da capital baiana.
A escolha de Juarez Paraíso para a homenagem está relacionada à importância de sua trajetória para a integração entre arte e arquitetura. Sua produção constitui uma referência para a concepção do projeto e para a atuação de artistas que trabalham com intervenções em espaços públicos.
A reprodução de Brasilidades reúne, assim, diferentes gerações da produção artística baiana. De um lado, está a trajetória de Juarez Paraíso e sua contribuição para as artes visuais; de outro, o trabalho dos muralistas contemporâneos responsáveis por adaptar a obra à escala arquitetônica do Edifício Jovilo.
Homenagem integra a quarta edição do Projeto MURAL
A intervenção nas Sete Portas faz parte da quarta edição do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre. A realização envolve a Trevo Produções, a Fundação Gregório de Mattos (FGM), a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), a Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) e a Prefeitura de Salvador, na modalidade Doação, por meio do Programa Viva Cultura.
A iniciativa tem como objetivos valorizar artistas baianos, ampliar o acesso à produção cultural e promover a presença da arte nos espaços urbanos. A realização do mural também integra as atividades comemorativas dos dez anos do projeto.
A obra Brasilidades permanece em execução, e a previsão informada pela organização é de que o painel seja concluído e entregue à população em breve. Após a finalização, a intervenção deverá integrar o conjunto de murais e outras manifestações artísticas presentes na paisagem de Salvador.
A homenagem a Juarez Paraíso reafirma a relação entre a memória cultural da cidade e a produção artística contemporânea, utilizando a arquitetura como suporte para tornar uma obra de referência acessível a um público mais amplo.








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