A exposição “3 Obás de Xangô” ultrapassou a marca de 5 mil visitantes e permanece em cartaz na CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. Inspirada no documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado, a mostra tem visitação gratuita e programação prevista até 6 de dezembro de 2026.
Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a exposição parte da amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, três personalidades da cultura brasileira que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro de Candomblé localizado em Salvador.
A proposta é abordar as relações entre arte, religiosidade, memória e identidade cultural, ampliando a compreensão sobre a contribuição das tradições afro-brasileiras para a formação cultural da Bahia e do Brasil.
Exposição reúne obras de mais de 45 artistas
A mostra reúne obras de arte, documentos e registros históricos de mais de 45 artistas das áreas de artes visuais, música, literatura e fotografia. O conjunto de trabalhos contextualiza a trajetória dos três homenageados e destaca a presença do Candomblé na produção artística e intelectual brasileira.
Um dos eixos curatoriais é a valorização da intelectualidade negra e das lideranças femininas negras na preservação e transmissão dos conhecimentos afro-brasileiros. Nesse contexto, as mães de santo são apresentadas como agentes fundamentais na organização das comunidades religiosas e na continuidade de seus saberes.
A exposição também propõe uma abordagem que ultrapassa as trajetórias individuais de Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi. O objetivo é evidenciar as redes culturais e religiosas que contribuíram para a construção do chamado ministério de Xangô e para o reconhecimento público de seus integrantes.
Núcleos temáticos abordam o matriarcado e a cultura afro-brasileira
Organizada em núcleos temáticos, a exposição apresenta diferentes perspectivas sobre as religiões de matriz africana e suas relações com a sociedade brasileira. Entre os temas estão o matriarcado nas comunidades religiosas, os saberes produzidos nos espaços de axé e a simbologia de Xangô.
A amizade entre os três Obás também integra o percurso expositivo, assim como as transformações contemporâneas das expressões artísticas afro-brasileiras. A organização dos conteúdos permite relacionar manifestações artísticas, experiências religiosas e processos históricos de formação da identidade cultural baiana.
Entre as obras apresentadas estão Iemanjá, de Voltaire Fraga, e Obá, de Annia Rízia. Os trabalhos integram o conjunto de referências visuais que dialogam com a religiosidade de matriz africana e com os temas desenvolvidos pela curadoria.
Artistas das artes visuais, música e literatura integram a mostra
No campo das artes visuais, a exposição reúne trabalhos e referências de artistas como Ana Sant’Anna, Ani Ganzala, Ayrson Heráclito, Emanuel Araújo, Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger e Yedamaria.
A programação também contempla a produção musical vinculada a diferentes vertentes da cultura brasileira. Entre os nomes relacionados à mostra estão Aguidavi do Jêje, BaianaSystem, Letieres Leite Quinteto, Margareth Menezes, Orquestra Afrosinfônica, Tiganá Santana e Olodum.
Na literatura, participam nomes como Alex Simões, Ana Maria Gonçalves, Hugo Canuto, Itamar Vieira Jr., Maysa Miranda e Ordep Serra. A diversidade de artistas e linguagens amplia o diálogo entre diferentes gerações e campos de produção cultural, tendo como referência as tradições afro-brasileiras e suas repercussões na sociedade contemporânea.
CAIXA Cultural amplia presença no Centro Histórico de Salvador
A CAIXA Cultural Salvador – Unidade Pelourinho passou a integrar a rede de espaços culturais mantidos pela instituição na capital baiana. O local amplia a estrutura destinada a exposições, atividades educativas, ações formativas e eventos culturais.
O edifício possui 7.822,14 metros quadrados de área construída e ocupa um quarteirão no Centro Histórico de Salvador. Antes de integrar a rede cultural da CAIXA, o imóvel abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de 130 anos.
Com a abertura da Unidade Pelourinho, a instituição mantém dois espaços culturais em funcionamento na cidade. A unidade situada na Rua Carlos Gomes continua com sua programação regular, enquanto o novo espaço amplia as possibilidades de realização de atividades culturais na região histórica.








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