O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encerrou o primeiro turno das eleições de 2026 com avaliação de que o processo ocorreu dentro da normalidade, mas identificou pontos de atenção para a segunda etapa, entre eles a abstenção de 21,08%, o congestionamento no sistema de dados durante a apuração e a circulação de desinformação. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende atuar para ampliar o comparecimento dos eleitores no segundo turno.
De acordo com os dados apresentados pelo TSE, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno. O percentual de ausência ficou próximo ao registrado em 2022, quando a abstenção foi de 20,95%, e representa um dos principais pontos de atenção para a segunda etapa da votação.
O primeiro turno teve aproximadamente 125 milhões de eleitores presentes, além de 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos. O segundo turno está previsto para domingo (25/10/2026).
TSE pretende reduzir abstenção no segundo turno
Kassio Nunes Marques afirmou que o índice de abstenção precisa ser considerado nas estratégias da Justiça Eleitoral para a segunda etapa. A Corte deverá reforçar ações de comunicação e orientação destinadas a estimular o comparecimento às urnas.
Entre os eleitores com voto facultativo, os índices de ausência foram mais elevados. Segundo dados apresentados pelo TSE, cerca de 50% dos eleitores com mais de 70 anos não compareceram, enquanto entre jovens de 16 e 17 anos a abstenção ficou em aproximadamente 20%.
A avaliação do tribunal ocorre em meio à preparação logística para o segundo turno. A Justiça Eleitoral deverá manter os procedimentos utilizados na primeira etapa e ampliar as orientações destinadas aos eleitores sobre locais de votação, documentação e serviços eleitorais.
Congestionamento de dados atrasou divulgação dos resultados
Outro ponto analisado pelo TSE foi o atraso na atualização dos resultados durante a noite do primeiro turno. Segundo o ministro Kassio Nunes Marques, o elevado fluxo de informações provocou congestionamento em um dos sistemas de dados utilizados pela Corte.
A dificuldade afetou temporariamente a velocidade de atualização do painel de resultados. O problema foi identificado, os procedimentos técnicos foram acionados e a divulgação dos dados foi posteriormente normalizada.
O TSE informou que o episódio não comprometeu a integridade dos votos ou das urnas eletrônicas. A Corte afirmou que a prioridade durante o processo foi preservar a segurança da apuração, mesmo diante da redução temporária na velocidade de atualização dos resultados.
Presidente do TSE descarta alerta de interferência estrangeira
Durante o balanço do primeiro turno, Kassio Nunes Marques afirmou que não foi identificada interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu durante avaliação dos mecanismos de segurança e acompanhamento internacional do processo eleitoral.
O presidente do TSE também mencionou a presença de missões internacionais de observação eleitoral. Segundo a Corte, os representantes acompanharam procedimentos relacionados à votação e à apuração.
Paralelamente, órgãos de investigação analisam denúncias relacionadas a possíveis ações estrangeiras. O TSE, entretanto, informou que não identificou, no primeiro turno, ocorrência eleitoral caracterizada como interferência estrangeira.
Denúncias de desinformação caíram 86%
O balanço eleitoral também apontou redução de aproximadamente 86% nas denúncias relacionadas à desinformação em comparação com período equivalente das eleições de 2022.
Entre 1º de agosto e a véspera da votação de 2026, foram contabilizadas 2.606 denúncias relacionadas à integridade do processo eleitoral e a possíveis tentativas de interferência ou supressão do voto. No período correspondente de 2022, foram registradas 18.487 denúncias.
O TSE relacionou parte dessa redução ao trabalho desenvolvido com plataformas digitais, incluindo mecanismos de denúncia e procedimentos destinados ao tratamento de conteúdos considerados irregulares. A Corte deverá manter o monitoramento durante a campanha para o segundo turno.
Mais de 300 mil agentes participaram da segurança
O primeiro turno contou com uma estrutura de segurança que mobilizou mais de 300 mil integrantes das forças de segurança pública em todo o país.
Também foram registrados 907 crimes eleitorais, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentados durante o balanço. Entre as ocorrências estavam 311 casos de boca de urna e 272 registros de propaganda eleitoral irregular.
As autoridades também informaram a apreensão de aproximadamente R$ 626 mil durante as ações relacionadas ao primeiro turno. A atuação das forças de segurança envolveu órgãos estaduais e federais.
1.861 urnas foram substituídas
Das 499.248 urnas eletrônicas utilizadas no primeiro turno, 1.861 precisaram ser substituídas. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais concentraram parte significativa das substituições.
Apesar das ocorrências técnicas, o TSE informou que nenhuma seção eleitoral precisou realizar a votação por meio manual.
A substituição de equipamentos integra os procedimentos previstos para situações de falha ou necessidade operacional. O tribunal considera que a estrutura de contingência permitiu a continuidade da votação sem alteração do modelo eletrônico de votação.
e-Título registra milhões de acessos
O aplicativo e-Título também teve utilização elevada durante o primeiro turno. Até as 19h de domingo (04/10/2026), foram contabilizadas aproximadamente 8,6 milhões de emissões do documento.
O sistema registrou ainda mais de 22 milhões de consultas aos locais de votação e cerca de 4,3 milhões de justificativas eleitorais.
Os números indicam a utilização dos serviços digitais da Justiça Eleitoral para atividades relacionadas à votação. O e-Título permite ao eleitor consultar informações eleitorais, verificar o local de votação e realizar procedimentos previstos pela legislação.
Segundo turno terá foco em participação e estabilidade
Com o primeiro turno encerrado, o TSE direciona a preparação para a segunda etapa das eleições de 2026. Entre os principais desafios estão reduzir a abstenção, garantir a estabilidade dos sistemas de apuração e manter as medidas de combate à desinformação.
A Corte também deverá preservar os protocolos de segurança utilizados na primeira etapa, incluindo mecanismos de contingência para urnas eletrônicas e sistemas de totalização.
O segundo turno está marcado para domingo (25/10/2026). A Justiça Eleitoral deverá concentrar as próximas ações na mobilização dos eleitores, na organização logística e no acompanhamento de eventuais ocorrências relacionadas ao processo eleitoral.
*Com informações da Agência Brasil.








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