G7 tem início em Hiroshima com anúncio de novas sanções contra a Rússia

Os líderes dos países do G7 se reúnem a partir desta sexta-feira (19/05/2023) na cidade japonesa de Hiroshima para uma cúpula de três dias. O grupo das democracias mais industrializadas deve discutir o fortalecimento das sanções contra a Rússia e uma proteção contra a “coerção econômica” da China. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que inicialmente participaria por videoconferência, estará presente ao evento no domingo (21).

No Japão, Zelensky poderá reiterar o seu pedido de aviões de combate para fazer frente às tropas russas, enquanto os países europeus começam a discutir a possível entrega de caças F-16 de fabricação americana.

São esperadas “discussões sobre a situação no front de batalha”, disse o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan.

O objetivo desta reunião entre os líderes dos países membros do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) é apresentar uma frente unida contra a Rússia e a China.

“Coisas muito importantes serão decididas e, portanto, a presença do nosso presidente é absolutamente essencial para defender os nossos interesses”, disse o secretário do Conselho de Segurança da Ucrânia, Oleksiï Danilov.

De acordo com a fonte, o reforço do endurecimento das sanções contra a Rússia é essencial para o fim do conflito.

A União Europeia, os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram novas sanções com o objetivo de restringir a capacidade da Rússia de continuar a financiar a guerra na Ucrânia.

Londres revelou novas medidas visando especialmente o setor de mineração russo, incluindo o comércio de diamantes, que gera bilhões de dólares para Moscou todos os anos. Essas sanções mostram que “o G7 permanece unido diante da ameaça da Rússia e firme em seu apoio à Ucrânia”, declarou o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também indicou que a UE vai “limitar o comércio de diamantes russos”.

Nuclear

O encontro também é uma oportunidade para discutir o desarmamento nuclear. O primeiro-ministro japonês Fumio Kishida recebe seus convidados em Hiroshima, um lugar cheio de história. Em 6 de agosto de 1945, a cidade foi destruída pela bomba atômica americana, deixando 140.000 vítimas.

Fumio Kishida, cuja família é de Hiroshima e foi eleito nessa região, quer encorajar seus convidados, em particular o Reino Unido, a França e os Estados Unidos, que juntos possuem milhares de ogivas nucleares, a se comprometerem a ser transparentes sobre seus estoques e a reduzir os arsenais.

No entanto, as esperanças de progresso nessa área são escassas, devido ao aumento das tensões com Rússia, Coreia do Norte e China, todas também potências nucleares.

Não é “um G7 antichinês”

Economicamente falando, o G7 busca formas de se proteger de uma possível chantagem econômica de Pequim. Para o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, os líderes do G7 devem denunciar esta “coerção econômica” e se esforçarem para ultrapassar diferenças transatlânticas sobre a posição a adotar face à China.

Para os europeus, especialmente França e Alemanha, eliminar o risco não significa cortar os laços com a China, um dos maiores mercados do mundo.

“Não é um G7 antichinês”, insistiu a presidência francesa antes da cúpula, enviando “uma mensagem positiva” de cooperação “desde que negociemos juntos”.

Oito países, incluindo Índia e Brasil, também estão convidados. O objetivo é reunir alguns desses líderes para se opor à guerra na Ucrânia e às crescentes ambições de Pequim.

Protestos

Cerca de trinta pessoas, a maioria estudantes de extrema esquerda com idade média de 25 anos, se reuniram na esplanada do Memorial da Paz, em Hiroshima. Com cartazes e megafones, elas protestavam contra a cúpula do G7.

“Não se engane”, disse Ayano Matsumoto à RFI. “Parar a guerra na Ucrânia não é de forma alguma a ambição dos chefes de estado do G7. Isso tudo é uma grande mentira. Eles querem uma nova guerra fria. Eles passam o tempo entregando armas e tanques para a Ucrânia. Tudo o que eles querem é que continue”, acrescenta.

Para esses ativistas, alimentar a guerra para manter a paz não faz sentido. Além disso, segundo eles, existe uma maneira muito mais simples e menos perigosa de acabar com o conflito: “Basta que os ferroviários parem de trabalhar, que sabotem as entregas de armas ou alimentos para a Rússia, que continuem a fazer greve e que todos os trabalhadores envolvidos se juntem a eles. Se todos se envolverem, não será possível continuar (a guerra),” dizem.

Ayano Matsumoto denuncia “o cúmulo da indecência” do governo japonês em organizar a cúpula em Hiroshima, “meca da paz no Japão desde que 140.000 pessoas morreram após o lançamento de uma bomba atômica americana na cidade em 1945”.

*Com informações da RFI.


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