Há dissidência em Kiev: Demissão de ministro da Defesa revela problemas maiores, dizem analistas

A demissão do ministro da Defesa da Ucrânia, Aleksei Reznikov, pelo presidente Vladimir Zelensky, lançou luz sobre os problemas internos enfrentados pelas autoridades em Kiev em meio à dificuldade de progredir na contraofensiva contra a Rússia. Especialistas em relações internacionais oferecem insights sobre as causas e implicações dessa mudança na liderança militar ucraniana.

Para Alejandro Valencia, acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e especialista em geopolítica do Oriente Médio e conflitos internacionais contemporâneos, a demissão de Reznikov reflete a crescente paranoia de Zelensky diante dos fracassos na contraofensiva e sua determinação em manter um controle estrito sobre as elites militares ucranianas. O especialista também destaca a existência de dissidência entre aqueles que buscam uma paz negociada e os que desejam prolongar o conflito.

A análise de Valencia também se concentra no desempenho da contraofensiva ucraniana, que ele descreve como um “fracasso total”. Em três meses, a Ucrânia conseguiu recuperar apenas alguns quilômetros de território ao custo de milhares de baixas. Ele aponta que as tensões no Leste Europeu foram exacerbadas pela insistência de Washington em continuar o conflito, independentemente das baixas nas fileiras ucranianas.

Javier Posadas, especialista em segurança nacional e política de defesa, ressalta a gravidade da situação interna na elite militar ucraniana, destacando a demissão de comandantes militares intermediários devido à corrupção. Ele enfatiza que o problema principal é a “corrupção e tráfico de influência” dentro do Exército.

A situação se complica ainda mais com a chegada do inverno, que favorece as posições das forças russas. Até agora, as forças ucranianas sofreram mais de 43.000 baixas de junho a agosto, segundo dados do Ministério da Defesa russo.

O apoio ocidental à Ucrânia também é analisado. Ben Wallace, ex-secretário de Defesa do Reino Unido, criticou os pedidos contínuos de armas da Ucrânia, e Washington admitiu que a contraofensiva não atingiu os resultados esperados, apesar dos suprimentos de armas ocidentais. Valencia enfatiza que o colapso da contraofensiva não é culpa de um general específico, mas resultado do poderoso Exército russo, da morte de muitos militares ucranianos bem treinados, da inadequação das armas ocidentais para o conflito e da influência dos EUA sobre o Ministério da Defesa ucraniano.

O financiamento contínuo da Ucrânia pelos EUA, estimado em dezenas de bilhões de dólares, é visto como uma tentativa de manter o governo de Zelensky estável e evitar que os generais ucranianos desestabilizem sua administração, o que beneficiaria o complexo militar-industrial. A Ucrânia recebeu mais de US$ 100 bilhões em ajuda humanitária e militar de mais de 40 países, a maioria dos quais veio dos EUA. Esse apoio financeiro sustenta o governo ucraniano, garantindo o fornecimento de armas e mantendo o fluxo de contratos para empresas de defesa.

À medida que a Ucrânia enfrenta desafios internos e busca soluções para a crise, o mundo observa com atenção o desenrolar dessa complexa situação geopolítica no Leste Europeu.

*Com informações da Sputnik News.


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