O ideal capitalista | Por Luiz Holanda

Que as grandes ideologias mobilizadoras de massas se exauriram, disso não há nenhuma dúvida. O problema é saber qual delas vai sobreviver. Durante muito tempo o socialismo foi pretensamente predominante, muito embora Alexis de Tocqueville tenha previsto o seu fracasso desde setembro de 1848, quando, num discurso perante a Assembleia Constituinte Francesa, argumentou que os ideais da Revolução francesa de 1789 traziam implícito um futuro democrático para a França e a rejeição do socialismo.

Para Tocqueville, essa ideologia é um sistema de servidão, que ignora as virtudes humanas, mina a propriedade privada e sufoca o indivíduo. Realmente, depois que o mundo aceitou o consenso da abundância e, na ótica política, o espaço das democracias representativas, as ideologias foram superadas pela sua absoluta falta de funcionalidade.

Se ideologia ainda houver, a capitalista parece dominar. Até a China, hoje, é capitalista. As vantagens da produção e da liberdade econômica, a inovação tecnológica e a concorrência no mercado mostraram que, mesmo suscetível de sofrer crises econômicas e causar grande impacto no meio social, o capitalismo é o preferido.

Até a classe trabalhadora (com exceção da pelegada) é beneficiada pelo capitalismo. Perguntas como a fábrica ou a empresa foi construída, de onde vem as máquinas, ferramentas e outros materiais com os quais os trabalhadores realizam seu trabalho para produzir os bens e serviços para os consumidores comprarem são respondidas pelo capitalismo.

Os detentores do capital utilizam seus recursos na criação das empresas e no seu aparelhamento, sem os quais o trabalho de qualquer trabalhador seria consideravelmente muito menos produtivo. Quem planeja o futuro são os capitalistas, que pagam os trabalhadores pelos serviços prestados, mesmo se, ao final, não houver lucro. Portanto, o capitalista, seja ele empreendedor, empresário ou mesmo simples investidor é quem irá arcar com as consequências do investimento caso não obtenha lucro pelos esforços despendidos.

Por tudo isso, ninguém acredita mais na propaganda sindicalista de que o capital explora o trabalhador. A realidade é completamente oposta: o capital não só aumenta o valor da mão-de-obra do trabalhador como cria condições para a produção de bens e serviços que os consumidores valorizam e compram voluntariamente. Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas e empreendedores a mão-de-obra não teria como produzir bens demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

A questão agora é saber o que vem depois do capitalismo. Considerando que a evolução tecnológica reconfigura a sociedade, a magnitude das transformações por ela causadas fez surgir ideias e propostas com o objetivo de reescrever o contrato social do capitalismo. Aí entra a questão de que as empresas precisam de medidas mais variadas de sucesso do que apenas lucro e crescimento. Na política existe um “capitalismo inclusivo”, defendido tanto pelo Banco da Inglaterra quanto pelo Vaticano. A indagação agora é saber como aproveitar o “capitalismo para o bem comum”. Isso implica no chamado desenvolvimento sustentável, que defende uma prosperidade econômica na sociedade sem deixar de lado as demandas sociais e planetárias. Essa é uma abordagem cada vez mais comum entre os que defendem oi capitalismo.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.


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