Primeiro-ministro de Portugal renuncia após escândalo de corrupção

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, anunciou sua renúncia na terça-feira (07/11/2023), em meio a um escândalo de corrupção que abalou o cenário político do país. Costa, que liderava o governo português desde 2015, tomou a decisão após seu nome ser relacionado a uma investigação que envolve concessões de minas de lítio e um projeto para uma usina de hidrogênio verde.

“Em vista das circunstâncias atuais, apresentei minha renúncia a Vossa Excelência, o presidente da República”, declarou António Costa em um discurso transmitido pela televisão. Ele ressaltou que o cargo de primeiro-ministro não pode estar associado a “suspeitas de qualquer ato criminal”.

A decisão de Costa veio após a polícia portuguesa prender seu chefe de gabinete e realizar mandados de busca e apreensão em diversas propriedades, incluindo a residência oficial do primeiro-ministro. O Ministério Público confirmou que o Supremo Tribunal de Justiça estava investigando o uso do nome do premiê no desenrolar dos eventos sob suspeita.

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, aceitou prontamente a renúncia de Costa e convocou os partidos representados na Assembleia da República para uma reunião urgente na quarta-feira. Além disso, o conselho de Estado será convocado na quinta-feira para discutir os próximos passos.

António Costa, de 62 anos, declarou sua inocência e emocionadamente agradeceu à sua família pelo apoio durante seus anos no cargo. Ele expressou confiança no sistema judiciário e se colocou à disposição para colaborar com a Justiça na busca pela verdade.

A operação policial envolveu a prisão de Vítor Escária, chefe de gabinete de Costa, o presidente da Câmara de Sines e três outros indivíduos. O objetivo era evitar fugas e preservar evidências, segundo informações do Ministério Público. O ministro da Infraestrutura, João Galamba, e o chefe da agência ambiental do país também estão sob investigação.

Os mandados de busca e apreensão abrangeram prédios de vários ministérios, a Câmara de Sines e propriedades particulares. A investigação se concentra em possíveis atos ilícitos, corrupção de autoridades eleitas e tráfico de influência relacionados a concessões de minas de lítio perto da fronteira norte de Portugal com a Espanha, bem como planos para uma usina de hidrogênio verde e um centro de dados em Sines, na costa sul.

O Ministério Público ressaltou que os “investigados invocaram o nome do primeiro-ministro” em suas supostas atividades ilícitas. As minas de lítio e os projetos de hidrogênio verde fazem parte do Acordo Verde promovido pela União Europeia.

Costa afirmou que não tinha conhecimento prévio de que estava sob investigação e encerrou seu discurso com a cabeça erguida, afirmando que estava deixando essa fase de sua vida com a consciência tranquila.


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