Em uma análise detalhada dobre os dados da declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) divulgados pela Receita Federal do Brasil, Sérgio Wulff Gobetti, do Observatório de Política Fiscal da Fundação Getúlio Vargas (FGV), compartilhou na terça-feira (23/01/2024) a segunda parte da análise, revelando que a elevada concentração de renda no ápice da pirâmide social brasileira entre 2017 e 2022 lançam luz sobre um cenário alarmante. A renda dos mais ricos, em média, cresceu nominalmente 96% durante esse período, quase três vezes mais rápido do que na base da pirâmide, que registrou um aumento de apenas 33%. Considerando a inflação, o aumento real de renda entre os mais ricos atingiu 49%, enquanto entre os mais pobres e a classe média foi de apenas 1,5% em média.
As descobertas revelam um crescimento desigual da renda entre os estados brasileiros. O Mato Grosso do Sul lidera com um aumento nominal de 204% (ou 131% em valores reais) no estrato social composto pelo 0,01% mais rico, seguido por Amazonas (122%), Mato Grosso (115%), e Rondônia (106%). Em contraste, estados como Ceará, Pará e Rio de Janeiro apresentam crescimento mínimo ou mesmo uma queda na renda dos mais ricos.
O aumento da concentração de renda está estreitamente ligado aos setores dominantes da economia. Estados com uma forte presença do agronegócio, além do Amazonas, testemunharam um crescimento exorbitante na renda da atividade rural, especialmente entre os estratos mais ricos. Essa tendência é evidenciada pelas altas taxas de enriquecimento em estados do Norte e Centro-Oeste.
Embora a renda do cidadão comum, predominantemente proveniente de salários e benefícios sociais, tenda a ser mais estável, a desigualdade regional na renda dos mais ricos é um indicador alarmante. Infelizmente, a falta de dados disponíveis sobre a renda total das famílias por estado dificulta uma análise mais precisa da desigualdade de renda na federação.
Os dados do IRPF destacam a disparidade gritante entre os mais ricos e a classe média. Os estados de Mato Grosso e São Paulo lideram o ranking da desigualdade, seguidos por Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Essas descobertas ressaltam não apenas o aumento da concentração de renda, mas também as disparidades regionais no Brasil contemporâneo.









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