A Indonésia se prepara para uma das maiores empreitadas democráticas globais agendada para a próxima quarta-feira (14/02/2024). Como o terceiro maior sistema democrático do mundo, o país enfrenta desafios logísticos complexos, decorrentes de suas 17 mil ilhas e três fusos horários. A eleição, que determinará o próximo presidente e renovará o Congresso e as câmaras locais, está marcada por uma logística excepcional e a crescente ameaça de ataques cibernéticos, criando uma atmosfera de expectativa e preparação meticulosa.
Posicionada como a terceira maior democracia global, a República da Indonésia, localizada no sudeste asiático, precede apenas a Índia e os Estados Unidos em sua escala democrática. Com uma população majoritariamente muçulmana, o país abriga mais de 270 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 205 milhões são elegíveis para votar.
Para garantir a participação de todos os eleitores, as autoridades estão implementando uma logística diversificada, incluindo transporte por barco, avião, cavalo e até búfalo. Milhares de voluntários têm se dedicado à preparação de materiais eleitorais, enquanto mais de cinco milhões estão prontos para operar mais de 800 mil seções de votação. O desafio é ampliado pela imprevisibilidade do clima, especialmente durante a estação chuvosa.
“A distribuição de materiais e a votação ocorrerão em plena época das chuvas”, observou o presidente da comissão eleitoral, Hasyim Asyari, expressando preocupações com as inundações que frequentemente assolam o país. A distribuição das urnas está sendo realizada por todos os meios de transporte disponíveis, sob a proteção de agentes armados, abrangendo o vasto arquipélago que abriga centenas de grupos étnicos e línguas.
Na província ocidental de Lampung, em Sumatra, búfalos são utilizados para acessar aldeias isoladas, onde estradas lamacentas inviabilizam outros meios de transporte. Enquanto isso, lanchas transportam cédulas para as Mil-Ilhas, ao largo de Jacarta, e navios de guerra foram mobilizados para outras regiões.
Além dos desafios logísticos, a segurança cibernética tornou-se uma prioridade, com a criação de uma força especial para proteger o processo eleitoral contra ataques internos e externos. Vazamentos de dados, incluindo da Comissão Eleitoral Central, aumentaram as preocupações em relação à integridade das eleições.
As eleições presidenciais são o destaque do pleito, com a possibilidade de segundo turno em junho caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta. Cerca de 20 mil assentos de câmaras regionais e locais, juntamente com 580 cadeiras parlamentares, estão em disputa, com a participação de 18 partidos políticos.
Além disso, aproximadamente 1,7 milhão de indonésios residentes no exterior já iniciaram o processo de votação, alguns por correio. Três candidatos concorrem à presidência, incluindo o favorito nas pesquisas, Prabowo Subianto, o ex-governador Ganjar Pranowo e o ex-governador Anies Baswedan, todos competindo para suceder Joko Widodo, que deixa o cargo após dois mandatos de alta popularidade.
Widodo, que deixa o cargo com uma aprovação entre 75% e 80%, é creditado por impulsionar a Indonésia como uma potência econômica regional e global. Durante seu mandato, ele enfatizou a confiança no potencial do país, promovendo uma “revolução mental” para o progresso nacional em todos os níveis de desenvolvimento.
A Indonésia, projetada para se tornar a quinta maior economia do mundo em 2024, testemunhou um crescimento significativo da classe média nos últimos anos, transformando-se de uma nação predominantemente pobre em uma economia com uma classe média em ascensão e uma minoria rica que detém grande parte dos recursos econômicos.
Prabowo Subianto, líder nas pesquisas, destaca-se pela aliança com Gibran Rakabuming Raka, filho mais velho de Widodo, em sua candidatura à vice-presidência, prometendo prosperidade para todos os indonésios. As pesquisas indicam uma possível vitória de Subianto já no primeiro turno, com cerca de 51,8% das intenções de voto, à frente de Anies Baswedan e Ganjar Pranowo.
*Com informações da Rádio França Internacional (RFI).
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