No início desta quarta-feira (14/02/2024), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Egito para o pontapé inicial de seu primeiro giro internacional do ano. A visita, marcada por encontros políticos e econômicos, promete consolidar relações estratégicas e ampliar acordos comerciais entre o Brasil e o Egito.
A agenda, que se estenderá por dois dias, inclui uma possível visita às icônicas pirâmides de Gizé, próximo ao Cairo, proporcionando um momento cultural ao líder brasileiro. Contudo, a ênfase recai sobre as reuniões agendadas para quinta-feira (15), destacando-se o encontro com o presidente egípcio Abdel Fattah Al-Sisi e a visita à sede da Liga Árabe. O Egito, importante parceiro comercial do Brasil na África, assume relevância estratégica nesse contexto.
Esta é a segunda incursão de Lula ao Egito, sendo a primeira em 2003 durante seu primeiro mandato. O país africano representa um dos maiores importadores de produtos brasileiros no continente, conferindo-lhe status de parceiro-chave. No entanto, a visita de Lula transcende o âmbito econômico, centrando-se em objetivos políticos, notadamente na abordagem do conflito na Faixa de Gaza.
A pauta entre os presidentes Lula e Sisi incluirá a mediação desempenhada pelo Egito, juntamente com o Qatar, para solucionar o conflito entre Israel e o Hamas. O Brasil, através da fronteira do Egito com Gaza, realizou resgates de mais de 100 brasileiros e familiares palestinos nos últimos meses, evidenciando a atuação diplomática e humanitária do país.
Além das questões relacionadas à Faixa de Gaza, os ataques do grupo Houthis, no Iêmen, a navios no Mar Vermelho, preocupam o Egito, afetando a circulação de embarcações pelo canal do Suez. O governo egípcio busca fortalecer o comércio marítimo, tornando-se um distribuidor de produtos brasileiros para países africanos sem acesso ao mar e para o Oriente Médio.
Em um contexto mais amplo, a visita de Lula ao Egito coincidirá com os 100 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Egito. Esta efeméride se une a uma nova dinâmica no cenário internacional, com a entrada do Egito no grupo BRICS, ao lado da Etiópia, no ano passado.
O presidente Lula não limitará sua estada ao Egito, planejando uma viagem subsequente à Etiópia, onde participará de reuniões bilaterais e destacará, na cúpula da União Africana, a preocupação brasileira com a insegurança alimentar. A União Africana, agora membro do G20, assume papel crucial na cooperação global, presidida atualmente pelo Brasil.
A semana no Cairo também será marcada pela visita do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, simbolizando uma retomada das relações entre Egito e Turquia após uma crise diplomática. O Brasil, em meio a suas próprias celebrações diplomáticas, observa esse reatamento como parte de um cenário internacional em constante evolução.







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