Ronnie Lessa, ex-policial militar e réu confesso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, prestou depoimento por videoconferência nesta terça-feira (27/08/2024) no Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua declaração, Lessa descreveu os outros réus do caso como “pessoas de alta periculosidade”. O depoimento foi conduzido pelo juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.
No processo em questão, os réus são Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), seu irmão Chiquinho Brazão, deputado federal (Sem Partido-RJ), o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, e o major da Polícia Militar, Ronald Paulo de Alves Pereira. Todos os acusados enfrentam as acusações de homicídio e organização criminosa e se encontram presos.
Durante o depoimento, a defesa de Lessa solicitou que o depoimento não fosse assistido pelos irmãos Brazão, argumentando que o ex-policial desejava manter o sigilo de suas declarações devido à sua condição de delator. Lessa reiterou que os réus possuem um histórico de alta periculosidade, similar ao seu próprio passado.
Lessa também revelou informações sobre as motivações dos acusados para o assassinato de Marielle Franco. De acordo com o ex-policial, os irmãos Brazão consideravam a vereadora uma ameaça aos seus interesses em loteamentos ilegais na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Lessa afirmou que ouviu dos réus que Marielle representava um obstáculo aos seus negócios e que sua presença no cenário político poderia prejudicar suas operações.
Além disso, Lessa mencionou a influência dos irmãos Brazão na Polícia Civil do Rio, destacando que eles demonstravam respeito por Rivaldo Barbosa, outro réu do processo, que era percebido como uma figura de autoridade e controle sobre a corporação.
O ex-policial também expressou arrependimento em relação ao crime, mencionando que sua participação foi motivada por “ganância”. Lessa revelou que os irmãos Brazão teriam prometido vantagens materiais em troca do assassinato, incluindo terrenos avaliados em R$ 25 milhões. Ele relatou um incidente pessoal em que quase foi morto durante um assalto, o que intensificou seu arrependimento.
“Estou aqui, arrependido. Não precisava disso, foi ganância”, afirmou Lessa.
O depoimento foi interrompido por volta das 19h10 e será retomado na quarta-feira (28). Cerca de 70 testemunhas estão previstas para depor durante a ação penal, e os depoimentos dos réus ocorrerão apenas ao final do processo.
*Com informações da Agência Brasil.











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