O economista Gabriel Galípolo foi formalmente indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência do Banco Central do Brasil. A indicação foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (28/08/2024). A escolha de Galípolo, que atualmente ocupa o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central, reflete a confiança do governo em sua capacidade de liderar a instituição em um momento desafiador para a economia brasileira.
O próximo passo para que Galípolo assuma a presidência do Banco Central é a aprovação de sua indicação pelo Senado Federal. O processo inclui uma sabatina conduzida pelos senadores, na qual o economista deverá demonstrar sua aptidão para o cargo e detalhar suas perspectivas para a política monetária do país. Caso aprovado, Galípolo iniciará um mandato de quatro anos à frente da autoridade monetária, com início em 2025 e término previsto para 2028. Ele substituirá Roberto Campos Neto, cujo mandato se encerra em 31 de dezembro deste ano.
Ao ser comunicado oficialmente da indicação, Gabriel Galípolo expressou gratidão ao presidente Lula e ao ministro Haddad, destacando a responsabilidade de liderar o Banco Central em um período crítico para a economia nacional. Em sua declaração pública ao lado de Haddad, Galípolo optou por não responder a perguntas da imprensa, justificando sua postura em respeito ao processo de aprovação pelo Senado e à institucionalidade do cargo.
Gabriel Galípolo tem uma trajetória consolidada na economia brasileira. Antes de ser nomeado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central, em julho de 2023, ocupou posições de destaque tanto no setor público quanto no privado. Atuou como secretário de Economia e de Transportes do governo de São Paulo, e desempenhou funções estratégicas na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e no Centro Brasileiro de Relações Internacionais. Além disso, Galípolo é um dos fundadores do Banco Fator, onde adquiriu ampla experiência no setor financeiro.
Gabriel Galípolo enfrentará sabatina no Senado
Para que Galípolo assuma a presidência do Banco Central, sua nomeação precisa ser confirmada pelo Senado Federal. O governo, representado pelo ministro Haddad, já iniciou as tratativas com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para definir a melhor data para a sabatina de Galípolo na CAE. Durante essa etapa, o economista terá a oportunidade de apresentar suas propostas e diretrizes para a condução da política monetária do país, além de responder a questionamentos dos senadores.
Galípolo já passou por uma sabatina no Senado em julho de 2023, quando foi indicado e confirmado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central. Sua experiência no setor público inclui, além da atuação no BC, o cargo de secretário-executivo do Ministério da Fazenda no início da gestão de Haddad. Seu percurso profissional e acadêmico confere-lhe um perfil técnico, alinhado com as exigências do cargo para o qual foi indicado.
O atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, assumiu o cargo em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua gestão foi marcada pela aprovação da Lei Complementar 179, de 2021, que estabeleceu a autonomia do Banco Central, garantindo mandatos de quatro anos para o presidente e os diretores da instituição, independentemente do ciclo político. Essa autonomia tem sido um tema central no debate econômico, especialmente no contexto das críticas à política de juros adotada pelo BC durante o governo Lula.
A autonomia do Banco Central é um tema recorrente no Congresso Nacional. No Senado, tramita uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC 65/2023) que propõe ampliar a autonomia financeira e orçamentária do BC, transformando-o em uma empresa pública. Essa PEC, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), conta com o apoio do relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), mas enfrenta resistência de setores do governo, como indicado pelo relatório alternativo apresentado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). Na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei Complementar (PLP 19/2023), de autoria do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), propõe a revogação da autonomia do Banco Central, e está atualmente em análise na Comissão de Finanças e Tributação.
*Com informações das Agência Brasil e Agência Senado.









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