Lavagem de Madeleine reúne multidão em Paris em celebração à cultura afro-brasileira; Carlinhos Brown lidera cortejo

A Lavagem de Madeleine, realizada em Paris, chegou à sua 23ª edição neste domingo (15/09/2024), reafirmando a importância da tradição afro-brasileira na Europa. Com cerca de 100 mil pessoas participando da festividade, o evento promoveu um intercâmbio cultural entre brasileiros, franceses e outras nacionalidades, em um desfile que misturou elementos de música, dança e espiritualidade. O cortejo partiu da Place de La République e seguiu até a Igreja de Madeleine, onde, como de costume, as escadarias foram lavadas em um ritual de purificação, inspirado na Lavagem do Bonfim, realizada em Salvador.

Para Roberto Chaves, conhecido como Robertinho, idealizador do evento, a Lavagem de Madeleine vai além de uma celebração cultural: trata-se de uma manifestação de resistência e de luta contra a intolerância religiosa e o racismo. “A Lavagem de Madeleine é uma reafirmação de nossas raízes afro-brasileiras. É uma forma de mostrar a diversidade cultural do Brasil, que vai além do samba e do carnaval. É também um espaço de luta por liberdade, paz e igualdade”, explicou Robertinho, que há mais de duas décadas promove a festividade em Paris.

Atrações culturais e destaque para Carlinhos Brown

Entre as atrações do evento, um pocket show da cantora Karla de Souza e workshops de dança afro-brasileira e Zumba-Axé, conduzidos pelos professores Dimi Ferreira e Siddy Fit, proporcionaram ao público uma imersão nas tradições culturais do Brasil. No entanto, o momento mais esperado foi a participação de Carlinhos Brown, que liderou o cortejo com seu trio elétrico. O cantor e compositor, que participa da Lavagem de Madeleine desde sua criação, destacou a importância da celebração para o reconhecimento da cultura brasileira no exterior. “São 23 anos de Lavagem de Madeleine, uma festa respeitada e reconhecida aqui em Paris. É uma oportunidade única de levar nossas tradições para o público francês e internacional”, afirmou Brown, que este ano compôs uma música em francês para homenagear as três Madalenas: Santa Madalena, sua filha Mada e sua mãe Madalena.

O desfile contou ainda com a presença de várias alas culturais, como a Batucada Batala, liderada pelo maestro Giba Gonçalves, o Maracatu Nação Oju Oba, sob a direção do mestre Leto Nascimento, e grupos de capoeira e baianas, que deram ritmo e cor ao cortejo. “A Lavagem de Madeleine é um encontro de diversas expressões culturais brasileiras, como o maracatu e a capoeira, que simbolizam a resistência e a luta contra as injustiças”, comentou Giba Gonçalves, que participa do evento há vários anos.

Documentário e presença de personalidades

Além do cortejo, a Lavagem de Madeleine deste ano incluiu a exibição do documentário “Madeleine à Paris”, da cineasta Liliane Mutti. O filme acompanha o evento e seu criador, Robertinho, há seis anos, registrando os bastidores e a evolução da festividade ao longo do tempo. O ator francês Vincent Cassel também esteve presente nesta edição, reforçando a crescente importância da Lavagem de Madeleine no cenário cultural de Paris.

O encerramento do evento será marcado pela Feijoada da Coisa Nossa, acompanhada por uma roda de samba organizada pelo grupo Samba da Quebrada, de Juliann Tavares. A programação inclui ainda a participação de DJs como David Costa e Çaravá, além do grupo Atividade na Laje.

A história e o impacto da Lavagem de Madeleine

A Lavagem de Madeleine foi criada por Roberto Chaves, inspirado pela Lavagem do Bonfim, uma das mais importantes tradições religiosas de Salvador. O evento, que começou de forma modesta, foi crescendo e se consolidou como parte do calendário oficial da cidade de Paris. A Lavagem faz parte da Rota dos Escravizados da UNESCO, uma iniciativa que busca preservar a memória histórica da escravidão e de seus impactos em diversas partes do mundo.

A realização do festival é promovida pela Brasil Onire e pelo Ministério da Cultura do Brasil, com o apoio de empresas e instituições como a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). Ao longo dos anos, a Lavagem de Madeleine tem atraído personalidades brasileiras e internacionais, como Caetano Veloso, Margareth Menezes e Daniela Mercury, reforçando sua relevância cultural e seu papel na disseminação da cultura afro-brasileira.

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