Na quarta-feira (18/09/2024), durante a 26ª Jornada Nacional de Imunizações, realizada em Recife, foi revelado que 68% dos municípios brasileiros estão atualmente classificados como em risco alto ou muito alto para poliomielite, conhecida popularmente como paralisia infantil. Esse índice abrange um total de 3.781 cidades, das quais 2.104 estão categorizadas com alto risco e 1.342 com risco médio. Apenas 447 municípios estão classificados com baixo risco para a doença.
Os dados são parte do Plano de Mitigação de Risco de Reintrodução do Poliovírus Selvagem e Surgimento do Poliovírus Derivado da Vacina. Franciele Fontana, consultora em imunizações da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), expressou preocupação com a situação.
“Observamos uma grande parte do país em áreas de alto e muito alto risco”, afirmou Fontana, referindo-se à classificação de risco para a doença que foi erradicada no Brasil em 1994 após uma série de campanhas de vacinação em massa. O último caso confirmado de pólio no país ocorreu em março de 1989.
A consultora destacou que o Brasil tem apresentado uma série histórica de alto e muito alto risco de reintrodução da doença, conforme as avaliações da Comissão Regional de Certificação para a Erradicação da Pólio na Região das Américas. Em 2020 e 2021, o país foi classificado como em risco alto para a pólio, e em 2022, a classificação foi elevada para muito alto, ao lado de Haiti e República Dominicana. Em 2023, o risco foi novamente classificado como alto.
As coberturas vacinais contra a poliomielite no Brasil têm sofrido quedas significativas. Em 2022, a cobertura foi de 77,19%, abaixo da meta de 95%. Em 2023, o índice aumentou para 84,63%, ainda distante da meta estabelecida.
Franciele Fontana destacou recomendações feitas à Brasil em junho deste ano pela comissão responsável, incluindo a investigação das causas das baixas coberturas vacinais. As hipóteses levantadas incluem acesso limitado a vacinas em áreas remotas, quantidade insuficiente de doses em determinadas localidades e a hesitação da população em relação ao imunizante.
Entre as recomendações, destaca-se a prioridade na vacinação em municípios classificados como em alto risco, iniciando ações onde a taxa de imunização é inferior a 50%. A comissão também sugeriu a implementação de um sistema de recompensa para estados e municípios que alcancem metas definidas e a realização de uma reunião anual de uma comissão nacional para tratar do tema. Além disso, foi recomendado que o Brasil realize um exercício de simulação para a pólio, envolvendo todos os setores relevantes e simulando uma resposta a um surto da doença.
“É crucial que todas as salas de vacina estejam abastecidas e que os serviços de saúde estejam preparados para identificar e tratar eventuais casos da doença”, concluiu Fontana.
*Com informações da Agência Brasil.
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