O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (22/10/2024), no âmbito da ação penal sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro. Durante o depoimento, Brazão, que se encontra detido na Penitenciária Federal em Porto Velho, chorou ao falar sobre os filhos e negou qualquer envolvimento no crime, alegando não conhecer pessoalmente o ex-policial Ronnie Lessa, delator e réu confesso.
Brazão é acusado, junto com seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, de ter ordenado o assassinato de Marielle, conforme aponta a delação premiada de Ronnie Lessa. Segundo Lessa, ele teria agido a mando dos irmãos, que teriam interesses contrariados pelas posições políticas da vereadora. Questionado pelo juiz Airton Vieira sobre as razões que levariam Lessa a incriminá-lo, Domingos declarou que o ex-policial estava “encurralado” e aproveitou a divulgação na imprensa do envolvimento dos Brazão para obter os benefícios da colaboração com a Justiça.
“Foi uma oportunidade que ele teve de ganhar os benefícios. Um homicida, um homem que nunca demonstrou arrependimento”, afirmou o conselheiro.
Indagado sobre a acusação também direcionada a seu irmão Chiquinho, Brazão argumentou que a inclusão do deputado no caso teve como objetivo direcionar a investigação ao STF, foro competente para julgar parlamentares. Segundo ele, essa estratégia visava desviar o caso das instâncias inferiores, onde já tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Foi uma forma de levar o caso para o STF. Em quatro dias, a delação foi homologada. Isso estava no STJ há muito tempo”, declarou.
Durante o depoimento, Domingos negou ter qualquer ligação com a vereadora Marielle Franco ou com Anderson Gomes, afirmando que nunca havia estado com eles. Ao longo do testemunho, voltou a se emocionar, relatando o sofrimento causado pelas acusações de Ronnie Lessa e o impacto na sua vida pessoal e familiar.
“Eu preferia ter morrido no lugar da Marielle. Não sei como ele [Lessa] consegue viver com isso”, disse.
O depoimento de Domingos Brazão ocorreu um dia após o do deputado federal Chiquinho Brazão, que também negou qualquer relação com Ronnie Lessa ou envolvimento no crime. Além dos irmãos Brazão, outros envolvidos na ação penal incluem o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira, que respondem por homicídio e participação em organização criminosa.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal, o assassinato de Marielle Franco teria conexão com o posicionamento contrário da parlamentar a interesses do grupo político liderado pelos Brazão, especialmente relacionados a questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro. Todos os acusados estão presos por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que conduz o processo.
*Com informações da Agência Brasil.









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