O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, reforçou a posição do país em relação à expansão do BRICS durante a cúpula dos líderes do grupo, realizada em Kazan, Rússia. Em entrevista a jornalistas, incluindo a agência Sputnik Brasil, o chanceler destacou que o Brasil exigirá apoio à reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) como condição para endossar a adesão de novos membros. Vieira também afirmou que o Brasil assumirá a presidência do BRICS em 2025 com um elevado nível de engajamento e uma agenda abrangente.
Na declaração final da cúpula, foi enfatizado que os países membros chegaram a um consenso sobre os critérios e princípios que guiarão a ampliação do grupo. Segundo Vieira, a reforma do Conselho de Segurança da ONU é uma prioridade para o Brasil, que busca uma governança internacional mais inclusiva e representativa. Além disso, os critérios para a adesão incluem a rejeição a sanções econômicas unilaterais, prática que o Brasil considera prejudicial à cooperação internacional.
Durante o evento, Vieira rejeitou especulações de que a delegação brasileira, que foi reduzida após o cancelamento da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, refletisse um descompromisso do Brasil com o BRICS. O ministro afirmou que a delegação, composta por representantes do Itamaraty e outras autoridades, manteve-se robusta e ativa nas discussões. Vieira frisou que o BRICS é uma plataforma essencial para a inserção internacional do Brasil e para a concertação de ideias e políticas entre os países membros.
Expansão e governança global
A expansão do BRICS tem sido um dos principais temas debatidos na cúpula, com a proposta de criação de uma categoria intermediária para facilitar a integração gradual de novos membros. Vieira mencionou que há listas não oficiais circulando com até 13 países que poderiam ser convidados para se juntar ao grupo. Ele defendeu que, com o atual número de dez membros, o ideal seria manter um equilíbrio, com a inclusão de um número igual de parceiros.
O chanceler brasileiro destacou que a convergência de posições entre os atuais membros do BRICS deve acelerar a implementação de reformas na governança global. Vieira expressou otimismo em relação à possibilidade de avanços na reforma das instituições financeiras internacionais e no fortalecimento do papel do grupo como um agente de pressão por mudanças. Ele ressaltou a importância de que tais iniciativas não sejam adiadas por décadas, uma vez que em 2025 a ONU completará 80 anos sem que reformas significativas tenham sido implementadas.
Posições sobre crises internacionais
A declaração final do BRICS incluiu referências aos conflitos em curso no cenário internacional, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Vieira elogiou o documento por refletir um equilíbrio nas posições dos membros do grupo e por abordar questões sensíveis com clareza. Ele destacou que o Brasil, junto com a China, propôs uma plataforma para negociações que visam à resolução do conflito ucraniano, buscando a cessação das hostilidades.
Sobre o Oriente Médio, o ministro esclareceu que, apesar das críticas do Brasil às ações militares de Israel nos territórios palestinos, o rompimento das relações diplomáticas não está em consideração. Para Vieira, o diálogo diplomático é a melhor abordagem para resolver a crise e evitar a escalada do conflito na região.
Agenda para 2025 e próximos passos
O Brasil, que assumirá a presidência do BRICS em 2025, planeja intensificar os esforços para avançar nas reformas discutidas. Vieira mencionou que, entre as prioridades, está a criação de um sistema de pagamentos internacional alternativo para os países do BRICS, que permita transações comerciais sem a necessidade de utilização do dólar. Essa iniciativa busca reduzir a dependência de moedas estrangeiras e fortalecer a integração econômica entre os membros.
Na quinta-feira, o chanceler brasileiro participará das atividades do BRICS Outreach, que contará com a presença de delegações de países como Turquia, Venezuela, Bolívia, Armênia e Azerbaijão. O evento visa ampliar o diálogo do BRICS com outras nações e promover parcerias estratégicas.
A missão da delegação brasileira em Kazan se encerra na quinta-feira, com o retorno do ministro Mauro Vieira a Moscou, onde o grupo continuará a debater a agenda do BRICS e a cooperação multilateral.
*Com informações da Sputnik News.











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