Expansão das Favelas na Bahia: Pesquisa do IBGE revela crescimento populacional e estrutural nas comunidades urbanas em 2022

A Bahia, com suas vastas disparidades sociais, apresenta um cenário crescente e complexo no número de favelas e comunidades urbanas. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, o estado abriga 572 favelas distribuídas em 28 municípios, posicionando-se como o oitavo maior em quantidade dessas áreas no Brasil. Este dado representa um crescimento expressivo em comparação a 2010, quando 280 favelas foram identificadas, refletindo não apenas um aumento populacional, mas também a ampliação de áreas de vulnerabilidade social. A concentração dessa população em Salvador revela desigualdades nas condições de moradia e acesso a serviços básicos, ao passo que também destaca avanços na cobertura de saneamento básico em áreas populares.

Crescimento de Favelas e Distribuição Populacional na Bahia

Em 2022, o levantamento do IBGE apontou que 42,7% dos habitantes de Salvador — o equivalente a 1.033.258 pessoas — residiam em favelas, consolidando a capital baiana como a terceira entre as capitais brasileiras com maior proporção de população em áreas urbanas informais. A cidade ocupa o quarto lugar em número absoluto de moradores de favelas no país, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. No entanto, o crescimento de Salvador em termos absolutos foi superado por outras cidades baianas como Camaçari e Itabuna, que registraram aumentos percentuais mais elevados entre 2010 e 2022.

Demografia das Favelas Baianas: Perfil de Gênero, Cor e Faixa Etária

A população residente em favelas na Bahia apresenta características demográficas marcantes. Dos 1,37 milhão de habitantes nessas áreas, 53,4% são mulheres, uma proporção superior à média da população estadual. Além disso, a presença de pessoas autodeclaradas pretas nas favelas é significativamente maior: 39,2%, comparado a 22,4% na média estadual. No entanto, a longevidade é reduzida, com apenas 12,7% dos moradores com 60 anos ou mais, refletindo uma média de vida menor nessas áreas. Essa composição demográfica também se reflete na cidade de Salvador, onde 42,2% dos moradores de favelas se identificam como pretos.

Serviços de Saneamento e Infraestrutura nas Comunidades Urbanas

Apesar das limitações econômicas, as favelas baianas apresentam indicadores de saneamento básico superiores à média estadual. Em Salvador, 99,2% dos domicílios em favelas contam com abastecimento de água pela rede geral, número que reflete quase toda a população dessas áreas. A coleta de esgoto também é majoritária, com 94,1% dos moradores dessas comunidades atendidos por rede ou fossa séptica ligada à rede. Em contraste, 52,2% da população geral do estado tem acesso ao mesmo serviço. Este contexto revela avanços em políticas públicas de saneamento nas favelas baianas, especialmente na capital, onde a densidade urbana favorece o alcance das redes de água e esgoto.

Fatores que Influenciaram o Crescimento das Favelas

O aumento no número de favelas entre 2010 e 2022 foi impulsionado por métodos mais avançados e precisos de mapeamento adotados pelo IBGE, mas também reflete a insuficiência de políticas habitacionais no estado. As comunidades urbanas surgem de esforços coletivos para compensar a falta de investimentos públicos em moradia, permitindo que populações de baixa renda acessem espaços na cidade. Em alguns casos, as favelas tornaram-se núcleos com identidade e representação comunitária, moldadas por fortes vínculos de vizinhança e engajamento social. Ainda assim, persistem desafios relacionados à informalidade, insegurança jurídica e exposição a áreas de risco ambiental.

Desafios e Perspectivas para as Políticas Públicas

A expansão das favelas na Bahia exige uma revisão das políticas urbanas, que precisam abranger melhorias em infraestrutura, saneamento e regularização fundiária. Com uma população majoritariamente jovem e feminina, as favelas representam uma parte significativa da identidade urbana de Salvador e outros municípios baianos, tornando-se foco de propostas que buscam integrar essas comunidades à cidade formal. Para enfrentar os problemas estruturais nas favelas, especialistas apontam a necessidade de políticas habitacionais eficazes, que abordem as desigualdades históricas na distribuição de recursos urbanos.

Dados sobre favelas e comunidades urbanas na Bahia e Salvador em 2022

Distribuição das Favelas na Bahia e Salvador

Em 2022, o estado da Bahia identificou 572 favelas, representando o oitavo maior número entre os estados brasileiros. Desse total, 45,8% estão concentradas em Salvador, que contabiliza 262 favelas, sendo o quinto município com mais favelas no país.

  • Outras cidades com alta concentração de favelas na Bahia: Feira de Santana (49), Camaçari (47) e Lauro de Freitas (35).
  • Crescimento desde 2010: O número de favelas no estado aumentou de 280 para 572, porém o crescimento baiano foi o sexto menor entre os estados.

População nas Favelas da Bahia

A Bahia abriga cerca de 1,37 milhão de pessoas em favelas, representando 9,7% da população do estado. Dentre as capitais, Salvador é destaque, com 1,03 milhão de pessoas vivendo em favelas, ou 42,7% da população municipal.

  • Comparação nacional: A Bahia tem o quarto maior número absoluto de moradores de favelas, após São Paulo, Rio de Janeiro e Pará.
  • Principais favelas em Salvador: Beiru/Tancredo Neves e Pernambués, ocupando a 10ª e 11ª posições entre as favelas mais populosas do Brasil.

Características Demográficas da População em Favelas

A população residente em favelas na Bahia exibe características demográficas distintas em relação ao restante do estado, com predominância de mulheres, maior proporção de pessoas pretas e menor longevidade.

  • Gênero: As mulheres representam 53,4% da população das favelas, superando a média de 51,7% na população geral.
  • Cor/Raça: Cerca de 39,2% dos moradores das favelas se declaram pretos, uma proporção bem superior aos 22,4% da população geral.
  • Idade: Apenas 12,7% dos moradores de favelas têm 60 anos ou mais, indicando menor expectativa de vida.

Condições de Saneamento Básico

Apesar das dificuldades sociais, os moradores de favelas na Bahia, especialmente em Salvador, apresentam melhores indicadores de saneamento básico comparados à população geral do estado.

  • Abastecimento de Água: 98,1% das residências em favelas têm acesso à rede geral de água, em contraste com 82,7% no restante do estado.
  • Coleta de Esgoto: Cerca de 88,8% das residências em favelas têm coleta de esgoto adequada, enquanto na população geral esse índice é de 52,2%.
  • Coleta de Lixo: A coleta de lixo cobre 96,6% das residências em favelas, superando a média estadual.

Dados Principais

  1. Distribuição de Favelas na Bahia e Salvador
    • Total de favelas na Bahia: 572
    • Favelas em Salvador: 262 (45,8% do total do estado)
    • Outras cidades com alto número de favelas: Feira de Santana (49), Camaçari (47), Lauro de Freitas (35)
  2. População em Favelas na Bahia
    • Total de moradores em favelas: 1,37 milhão (9,7% da população)
    • População em favelas em Salvador: 1,03 milhão (75,4% dos moradores de favelas na Bahia)
    • Principais favelas em Salvador: Beiru/Tancredo Neves (38.871), Pernambués (35.110)
  3. Perfil Demográfico da População em Favelas
    • Gênero: 53,4% mulheres
    • Raça: 39,2% de pretos
    • Longevidade: 12,7% de idosos (60+ anos)
  4. Condições de Saneamento
    • Abastecimento de Água: 98,1% com rede geral
    • Coleta de Esgoto: 88,8% com coleta adequada
    • Coleta de Lixo: 96,6% com coleta direta ou indireta

Conceito nas Ciências Sociais sobre Favela e Comunidade no Brasil

Na sociologia e antropologia brasileiras, os termos favela e comunidade têm significados interligados, mas são usados em contextos distintos, refletindo a complexidade social, histórica e cultural dessas áreas.

Favela

A palavra favela tem origem no final do século XIX, sendo usada para designar áreas urbanas marcadas pela ocupação informal, habitação precária e, geralmente, pela ausência de infraestrutura básica. Inicialmente, o termo tinha uma conotação pejorativa e foi associado a locais de exclusão social, alta densidade populacional e precariedade de serviços públicos. Nas ciências sociais, a favela é estudada como um espaço de desigualdade urbana, simbolizando a segregação socioeconômica e a marginalização dentro das cidades. As favelas refletem tanto as falhas do Estado em prover moradia e direitos básicos quanto a capacidade de resistência e adaptação das classes populares diante da exclusão.

Comunidade

O termo comunidade é uma alternativa que emergiu nas últimas décadas, geralmente usada para se referir a esses mesmos territórios de forma mais positiva e inclusiva. Comunidade remete a laços de solidariedade, identidade cultural e resistência, destacando a organização interna e as redes de apoio entre os moradores. O uso de comunidade também reflete um esforço de desestigmatização, reconhecendo que esses espaços são não apenas locais de carência material, mas também de expressiva vida cultural, produção simbólica e organização social. O termo reconhece que, mesmo diante de condições adversas, os moradores desenvolvem formas de autossuficiência e mobilização.

Contraponto e Interseção dos Termos

Enquanto favela enfatiza as condições de vulnerabilidade e desigualdade, comunidade coloca em foco as relações sociais e a capacidade de organização e resiliência. No entanto, ambos os conceitos coexistem e se cruzam: as favelas são, ao mesmo tempo, lugares de exclusão e de construção de identidades, espaços que revelam as desigualdades urbanas e as estratégias de sobrevivência das populações marginalizadas.

Salvador concentra mais de 45% das favelas do estado da Bahia, abrigando cerca de três quartos da população residente em comunidades urbanas no estado.
Salvador concentrava 45,8% das favelas baianas, ou 262 das 572; as 310 restantes estavam distribuídas em 27 municípios dos 417 existentes no estado. Em Salvador moravam ¾, ou 75,4% da população de favelas da Bahia: 1.033.258 pessoas, que representavam 42,7% ou 4 em cada 10 habitantes do município. Salvador tinha o 4º maior número absoluto de pessoas morando em favelas e a 3ª maior proporção entre as capitais.

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